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Ratinho Junior escolhe Sandro Alex para disputar Governo do Paraná em 2026

O governador Ratinho Junior (PSD) anuncia na noite desta segunda-feira (13) o deputado federal Sandro Alex (PSD) como seu candidato ao Governo do Paraná em 2026. A decisão antecipa o calendário interno, surpreende parte da base aliada e mira a continuidade do projeto político instalado no Palácio Iguaçu desde 2019.

Surpresa calculada na sucessão do Palácio Iguaçu

Ratinho Junior escolhe um dos homens-fortes de sua gestão e encerra, de forma precoce, a disputa silenciosa pela sucessão no Palácio Iguaçu. Sandro Alex, de 49 anos, deputado federal desde 2011 e ex-secretário de Infraestrutura e Logística, vence uma corrida que até poucas semanas parecia favorável ao ex-secretário das Cidades Guto Silva (PSD) e ao ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB).

A confirmação vem horas depois de o governador prometer, em conversa com jornalistas, que a definição sairia até quinta-feira (16). Ele repete a estratégia utilizada ao desistir da pré-candidatura à Presidência, antecipa o anúncio e busca criar um fato político capaz de reorganizar o tabuleiro antes que o foco eleitoral se intensifique após a Copa do Mundo.

No começo da tarde, ao deixar um evento da Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná (Aerp), Ratinho Junior ainda lista, em público, cinco possíveis nomes de sua confiança: Sandro Alex, Guto Silva, o deputado federal Beto Preto (PSD), o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), e Rafael Greca. Horas depois, restringe a lista a um único escolhido e entrega a missão a quem comandou parte das obras estruturantes do estado ao longo de sete anos.

Sandro Alex passa três mandatos no Congresso antes de assumir, em fevereiro de 2019, a Secretaria de Infraestrutura e Logística. Deixa o cargo no início de abril de 2026, por força da legislação eleitoral, após pouco mais de sete anos de controle sobre um orçamento bilionário e obras que o governo apresenta como vitrine da atual gestão.

Obras, continuidade e disputa com Sergio Moro

A escolha de um nome ligado às grandes obras não é casual. À frente da infraestrutura, Sandro Alex supervisiona a Rodovia Perimetral de Foz do Iguaçu, que conecta a BR-277 à nova Ponte da Integração, fronteira estratégica com o Paraguai. Também conduz a construção da Ponte de Guaratuba, promessa de mais de meio século que pretende acabar com o gargalo histórico entre Matinhos e Guaratuba, no litoral paranaense.

Essas entregas ancoram o discurso de continuidade que Ratinho Junior tenta emplacar. O governador afirma que os eleitores vão buscar, depois da Copa, um nome capaz de manter a “paz política” e os indicadores econômicos obtidos desde 2019. A indicação de um aliado direto, com quatro mandatos federais e trânsito em Brasília, reforça a ideia de que nada deve mudar na espinha dorsal do atual projeto de governo, caso a aposta se confirme nas urnas.

A movimentação ocorre no mesmo dia em que o instituto Paraná Pesquisas divulga novo levantamento sobre a corrida pelo Palácio Iguaçu. O senador Sergio Moro (PL) aparece com ampla vantagem e é apontado com chance de vitória já no primeiro turno, cenário que pressiona o grupo governista a apresentar logo um nome competitivo. Ratinho Junior, porém, tenta esvaziar o impacto dos números. “Os paranaenses ainda não estão focados nas eleições”, diz a jornalistas, ao projetar um cenário em que a avaliação sobre quem garante estabilidade e continuidade vai pesar mais que a largada nas pesquisas.

A escolha por Sandro Alex também reorganiza a base do próprio governador. Greca e Curi já haviam deixado o PSD, antecipando o diagnóstico de que não seriam ungidos por Ratinho Junior. Os dois, agora em outras siglas, podem formar uma chapa conjunta e testar a força do governador fora da estrutura do partido que o elege desde 2018.

Guto Silva, até então tratado como favorito em rodas políticas, vê sua posição enfraquecer dentro do grupo. Beto Preto, outro nome citado, permanece como aliado, mas sem o protagonismo da disputa majoritária estadual. O movimento concentra poder em torno de Sandro Alex e reduz o espaço para candidaturas alternativas ligadas diretamente ao atual governo.

Rearranjo político e batalha por narrativa até 2026

Ao antecipar a definição, Ratinho Junior tenta impor o ritmo do debate e empurrar os demais atores para a defensiva. A partir de agora, a estrutura do governo e do PSD tende a se alinhar, com mais clareza, em torno do nome de Sandro Alex, que ganha tempo para construir alianças regionais, consolidar palanques municipais e ajustar o discurso para enfrentar a vantagem inicial de Sergio Moro nas pesquisas.

Nos bastidores, aliados avaliam que o deputado carrega duas credenciais centrais: o domínio dos projetos de infraestrutura, que dialogam com o interior produtivo do estado, e a capacidade de articulação em Brasília, vital para manter investimentos federais e concessões estratégicas. O desafio será traduzir esse currículo técnico em voto popular num cenário em que o eleitor, ao fim de um ciclo de Copa do Mundo e polarização nacional, tende a buscar clareza sobre quem garante emprego, segurança e estabilidade.

O anúncio não encerra as incertezas. A chapa ainda precisa de um nome para a vice, costura que envolve MDB, Republicanos e outras siglas da base e que pode redesenhar alianças nas disputas municipais e para o Senado. A relação com Moro, hoje adversário direto, também permanece em aberto, em um campo político em que antigas parcerias podem virar confronto eleitoral em poucos meses.

Até 2026, a campanha paranaense deve girar em torno de uma pergunta simples e decisiva: o eleitor vai apostar na continuidade representada por Sandro Alex ou optar por uma ruptura encarnada por Sergio Moro e outros nomes em ascensão? A resposta começa a ser construída agora, com a escolha antecipada do governador e a largada oficial de uma disputa que promete redesenhar o mapa de poder no Paraná.

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