Mercado Bitcoin hacker causa perda de US$ 50 mi e bloqueia saques
Corretora enfrenta ataque cibernético e interrompe operações para proteger clientes e evitar prejuízos maiores.

O Mercado Bitcoin sofreu um ataque hacker em suas hot wallets na madrugada desta segunda-feira (2), com perdas internas estimadas em US$ 50 milhões, e suspendeu temporariamente saques e depósitos enquanto investiga o caso ao lado de autoridades. A corretora afirma que não houve prejuízo direto aos 4,5 milhões de clientes nem vazamento de dados pessoais.
O que aconteceu com o Mercado Bitcoin
Em comunicados publicados nas redes sociais, o Mercado Bitcoin informou ter identificado e contido com rapidez o incidente em um de seus sistemas online durante a madrugada. O ataque atingiu hot wallets — carteiras conectadas à internet usadas para dar liquidez às operações —, enquanto as cold wallets, que armazenam a maior parte dos criptoativos em ambiente offline, não foram afetadas.
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“Identificamos e contivemos com rapidez um incidente de segurança em um de nossos sistemas nesta madrugada. Reforçamos que: não houve nenhum prejuízo aos clientes; não houve vazamento de dados. Como medida preventiva de proteção, depósitos e saques estão temporariamente suspensos”, informou a corretora em comunicado oficial.
A empresa estima em cerca de US$ 50 milhões o impacto nas carteiras próprias, mas não confirma até agora se houve efetivamente roubo ou movimentação não autorizada de criptoativos. Internamente, equipes de segurança rastreiam as transações ligadas ao ataque e compartilham com autoridades os endereços de destino identificados nas redes blockchain, numa tentativa de monitorar e eventualmente recuperar parte dos valores desviados.
Em nova nota, o Mercado Bitcoin afirmou que “segue trabalhando para restabelecer as operações com segurança e manterá seus clientes informados por seus canais oficiais”. Não há previsão para a normalização de saques e depósitos.
Impacto para clientes e para o mercado cripto
Na prática, a suspensão temporária de saques e depósitos limita o acesso imediato de investidores e traders aos seus recursos, mas é apresentada pela corretora como medida preventiva para evitar qualquer efeito em série caso novas tentativas de ataque ocorram. A empresa reforça que saldos de clientes seguem intactos e que não foram detectados acessos indevidos a informações pessoais.
O episódio atinge um dos maiores nomes do mercado brasileiro de criptoativos, que tem entre seus investidores a Tether, o grupo japonês SoftBank e a gestora GP Investimentos. O Mercado Bitcoin, fundado em 2013, informou recentemente ter protocolado pedido de licença formal de funcionamento como instituição regulada em 27 de outubro, movimento visto como parte do avanço da regulação do setor no país.
Analistas avaliam que o caso tende a pressionar por mais transparência sobre estruturas de custódia, políticas de seguros e testes de estresse em corretoras de criptoativos. A exposição da vulnerabilidade das hot wallets reforça a importância da segregação de ativos e do uso de cold wallets em larga escala, além de protocolos de resposta rápida a incidentes.
Entenda o contexto
O ataque ao Mercado Bitcoin ocorre em meio a uma escalada global de crimes cibernéticos contra empresas de criptomoedas e o sistema financeiro em geral, num ambiente em que hackers passam a incorporar ferramentas de inteligência artificial para tornar invasões mais sofisticadas e eficientes, inclusive em golpes de engenharia social.
Dias antes, a Binance, maior corretora de ativos digitais do mundo, sofreu o maior roubo de criptomoedas já registrado, com a drenagem de US$ 6,3 bilhões em diferentes blockchains em um ataque que durou cerca de 20 minutos. Autoridades americanas afirmam que o FBI atribuiu a ofensiva à Coreia do Norte e ao grupo TraderTraitor, apontado como patrocínio direto do regime norte-coreano.
O padrão de ataques volumosos e altamente coordenados acende o alerta para plataformas brasileiras, que passaram a ser vistas como alvos potenciais em um ambiente de forte crescimento do mercado cripto no país. Reguladores e especialistas em segurança defendem investimentos mais robustos em proteção cibernética, auditorias frequentes e protocolos de cooperação internacional para rastrear ativos em diferentes jurisdições.
Enquanto a investigação técnica avança, o caso do Mercado Bitcoin deve alimentar discussões sobre regras específicas de segurança digital e proteção ao consumidor no mercado de criptoativos no Brasil, em um momento em que o setor tenta consolidar sua reputação junto ao público e a grandes investidores institucionais.


