Dólar sobe 5,22% em outubro, enquanto Bolsa registra queda de quase 10%
Renda fixa também apresentou resultados positivos no mês; Ibovespa, bitcoin, ouro e fundos imobiliários terminaram outubro no vermelho, em meio à volatilidade dos mercados.

O dólar comercial e os investimentos de renda fixa pós-fixada estiveram entre os destaques de rentabilidade em outubro de 2026. Enquanto a moeda norte-americana acumulou valorização de 5,22% diante do real, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o mês com queda de 9,88%. O resultado reflete um período de forte oscilação no mercado financeiro, especialmente após o segundo turno das eleições presidenciais.
Levantamento divulgado pelo UOL nesta segunda-feira (2) mostra que aplicações como Tesouro Selic e Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pós-fixados conseguiram preservar rendimentos positivos, enquanto ativos de maior risco registraram perdas. O bitcoin caiu 8,11%, o ouro recuou 6,78% em dólares e o índice de fundos imobiliários (IFIX) perdeu 2,89%. Os resultados mostram como a rentabilidade dos investimentos variou conforme a exposição ao câmbio, aos juros e às oscilações dos mercados.
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Dólar supera R$ 5,40 e Ibovespa cai diante de incertezas fiscais após eleição
Bolsa brasileira perde quase 10% em outubro
O Ibovespa apresentou um dos resultados mais negativos entre os principais indicadores financeiros acompanhados no Brasil durante outubro.
O índice começou o mês em 186.350 pontos e chegou a superar a marca histórica dos 200 mil pontos antes do segundo turno presidencial, realizado em 25 de outubro.
Naquele momento, as expectativas de parte dos investidores estavam relacionadas à possibilidade de uma mudança na condução da política econômica brasileira.
Com a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o mercado passou por um movimento de revisão das expectativas sobre as contas públicas, os gastos governamentais e a trajetória dos juros.
Na última semana de outubro, o Ibovespa acumulou desvalorização superior a 18%, encerrando o mês aos 167.921 pontos.
Apesar da queda mensal de 9,88%, o indicador ainda registrava valorização de 4,21% no acumulado de 2026, segundo o levantamento do UOL.
A volatilidade também atingiu ações de empresas brasileiras e outros ativos negociados no mercado financeiro.
Dólar sobe mais de 5% e encerra outubro acima de R$ 5,40
Enquanto a Bolsa acumulava perdas, o dólar comercial apresentou valorização expressiva.
A moeda norte-americana avançou 5,22% em outubro e terminou o mês cotada a R$ 5,444, ultrapassando R$ 5,40 pela primeira vez desde dezembro de 2025.
Antes do segundo turno presidencial, o cenário era diferente. O dólar acumulava desvalorização de aproximadamente 3,5% no mês e chegou a ser negociado abaixo de R$ 5.
A mudança ocorreu após o resultado eleitoral, quando investidores passaram a reavaliar os riscos associados à economia brasileira.
A alta do dólar pode favorecer quem possui investimentos diretamente vinculados à moeda norte-americana. Por outro lado, também pode encarecer importações, viagens internacionais e produtos que dependem de matérias-primas compradas no exterior.
Mesmo com a valorização de outubro, o dólar ainda acumulava queda de 0,82% em relação ao real desde o início de 2026.
Isso significa que a alta registrada no mês reduziu quase todas as perdas que a moeda havia apresentado ao longo do ano.
Renda fixa mantém rendimento positivo durante turbulência
Os investimentos de renda fixa pós-fixada apresentaram maior estabilidade em outubro.
Entre os destaques estão o Tesouro Selic e os CDBs que acompanham o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), indicador utilizado como referência para diversas aplicações financeiras.
Segundo levantamento publicado pelo Seu Dinheiro, o CDI registrou rendimento de aproximadamente 1,02% em outubro, enquanto o Tesouro Selic 2031 apresentou retorno de 0,92%, considerando a metodologia utilizada na pesquisa.
A poupança, por sua vez, teve rendimento próximo de 0,67% para a data de aniversário considerada no levantamento.
O desempenho está relacionado à manutenção dos juros brasileiros em patamar elevado, fator que favorece aplicações cuja rentabilidade acompanha as taxas de curto prazo.
Para investidores que priorizam menor oscilação, produtos pós-fixados podem oferecer mais previsibilidade do que aplicações diretamente expostas às variações da Bolsa.
Entretanto, a escolha de um investimento também depende de fatores como liquidez, prazo, tributação, custos e risco de crédito.
Bitcoin e ouro também registram perdas
A desvalorização dos ativos não ficou restrita ao mercado brasileiro.
O bitcoin acumulou queda de 8,11% em dólares durante outubro. Segundo o levantamento do UOL, a criptomoeda era negociada a aproximadamente US$ 76.829 no dia 30, contra US$ 83.612 no início do mês.
No acumulado de 2026, a perda chegava a 12,31%, considerando as cotações utilizadas pela publicação.
O ouro também apresentou resultado negativo. A onça-troy, unidade equivalente a aproximadamente 31,1 gramas, passou de US$ 4.157,34 no fim de setembro para US$ 3.875,55 no encerramento de outubro.
A queda mensal foi de 6,78% em dólares.
Diferentemente da reação dos ativos brasileiros ao resultado das eleições, os movimentos do ouro e do bitcoin tiveram influência importante do cenário internacional.
Investidores passaram a considerar a possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos após a divulgação de indicadores econômicos mais fortes do que o esperado.
A perspectiva de maior remuneração dos títulos públicos norte-americanos pode reduzir o interesse por ativos que não oferecem pagamentos periódicos de juros, como o ouro, além de pressionar investimentos considerados mais voláteis.
Vale destacar que a rentabilidade do ouro e do bitcoin para um investidor brasileiro também depende da variação do dólar. Por isso, o desempenho desses ativos em reais pode ser diferente das quedas registradas em moeda norte-americana.
Fundos imobiliários e títulos públicos também sofrem
O Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX), que acompanha o desempenho de fundos imobiliários negociados na B3, caiu 2,89% em outubro.
O indicador passou de aproximadamente 3.755 pontos para 3.646 pontos, refletindo um mês desfavorável para parte do mercado imobiliário financeiro.
Os fundos imobiliários podem ser influenciados pelas expectativas de juros, pelo comportamento dos imóveis e pela capacidade de geração de receitas dos empreendimentos.
Quando os juros de mercado aumentam, parte dos investidores pode reduzir a exposição a esses fundos em busca de aplicações com remuneração mais previsível.
A oscilação também atingiu títulos públicos prefixados e indexados à inflação.
No caso do Tesouro IPCA+ 2032, a taxa real oferecida pelo título passou de 7,66% ao ano no início de outubro para 7,89% no encerramento do mês, depois de atingir 6,68% em 9 de outubro.
Essa variação afeta diretamente o preço de negociação dos títulos.
Quando as taxas exigidas pelo mercado aumentam, o valor de mercado dos papéis já emitidos tende a cair. O movimento é conhecido como marcação a mercado.
Por isso, investidores que precisam vender seus títulos antes do vencimento podem registrar perdas, mesmo quando a aplicação prevê uma remuneração positiva para quem permanece até a data contratada.
O que explica a diferença entre os investimentos?
Os resultados de outubro evidenciam como diferentes categorias de investimentos respondem a fatores econômicos distintos.
O dólar foi impulsionado pela valorização da moeda norte-americana diante do real, enquanto aplicações pós-fixadas se beneficiaram dos juros elevados.
A Bolsa brasileira enfrentou uma revisão das expectativas de investidores sobre o cenário fiscal após as eleições.
Segundo Rebecca Nossig, estrategista da Nomad ouvida pelo UOL, a correção dos ativos brasileiros está relacionada principalmente às dúvidas sobre a política fiscal e a evolução das despesas públicas no próximo mandato presidencial.
Já Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, avalia que parte da correção da Bolsa pode dar lugar a um período de maior acomodação dos preços.
Essas avaliações representam perspectivas de mercado e não garantem que os ativos apresentarão recuperação ou novas perdas.
Também é importante considerar que a rentabilidade passada não determina o desempenho futuro de uma aplicação.
Próximos passos
O mercado financeiro acompanhará, nos próximos dias, os sinais sobre a política econômica do próximo governo, a trajetória dos gastos públicos e as decisões relacionadas à taxa básica de juros.
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) será observada pelos investidores, especialmente diante das expectativas para a inflação e para o comportamento da Selic.
No cenário internacional, os indicadores econômicos dos Estados Unidos e as decisões do Federal Reserve, banco central norte-americano, também poderão influenciar o dólar, o ouro e as criptomoedas.
A Bolsa brasileira não terá negociações nesta segunda-feira (2), feriado nacional de Finados. As operações estão previstas para serem retomadas na terça-feira (3).
Para quem investe, o balanço de outubro reforça a importância de considerar objetivos financeiros, prazo de aplicação e capacidade de suportar oscilações antes de tomar decisões.


