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Economia

JBS cria novo negócio para levar proteína a cervejas, requeijões e salgadinhos

Empresa dos irmãos Batista aposta em mercado global estimado em US$ 101,6 bilhões até 2030 e desenvolve produtos com maior teor proteico para outras marcas.

JBS cria novo negócio para levar proteína a cervejas, requeijões e salgadinhos

A JBS, companhia de alimentos ligada aos irmãos Joesley e Wesley Batista, criou uma nova frente de negócios para desenvolver alimentos e bebidas com maior concentração de proteína. A iniciativa inclui produtos como requeijão, iogurtes, salgadinhos, águas proteicas e até cervejas sem álcool. Com a novidade, a empresa pretende ampliar sua atuação para além da produção de carnes e disputar espaço em um mercado global que poderá movimentar US$ 101,62 bilhões até 2030.

A operação recebeu o nome de Genu-in Solutions e foi anunciada pela companhia em setembro de 2026. O negócio faz parte da divisão JBS Novos Negócios e terá como principal objetivo ajudar outras indústrias a desenvolver produtos enriquecidos com proteína, desde a criação das receitas até os testes e a preparação para comercialização. Segundo projeção da consultoria Grand View Research citada pela JBS, o mercado apresenta expectativa de crescimento médio anual de 6,2%.

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JBS reduz investimentos em US$ 400 milhões e amplia aposta em produtos de maior valor agregado

JBS quer desenvolver alimentos proteicos para outras empresas

A Genu-in Solutions funcionará principalmente como parceira de fabricantes de alimentos e bebidas interessados em lançar produtos com maior teor de proteína.

Na prática, uma empresa que deseja comercializar um iogurte proteico poderá contratar a estrutura da JBS para desenvolver a formulação, testar ingredientes e preparar o produto para a fabricação em escala industrial.

O serviço também poderá incluir avaliações regulatórias, estudos de estabilidade, acompanhamento da produção, comunicação e logística.

As indústrias não precisarão contratar todas as etapas. Segundo a JBS, cada cliente poderá escolher os serviços de acordo com suas necessidades ou optar por um pacote completo de desenvolvimento.

A iniciativa amplia as atividades da Genu-in, empresa especializada em gelatina e peptídeos de colágeno, que iniciou sua trajetória em 2022.

Até então, a operação estava concentrada principalmente no fornecimento de ingredientes e no suporte técnico para sua utilização.

Com a nova estrutura, a JBS pretende participar de mais etapas da criação dos produtos, oferecendo conhecimento técnico e serviços para outras marcas.

Empresa desenvolve salgadinho com 44% de proteína

Uma das primeiras novidades da Genu-in Solutions é um salgadinho proteico do tipo puff, semelhante aos snacks industrializados encontrados nos supermercados.

Segundo a JBS, o produto passou por aproximadamente 18 meses de desenvolvimento e apresenta 44% de proteína em sua composição.

A empresa informou que o alimento já concluiu as avaliações regulatórias e os testes de estabilidade necessários para avançar à comercialização.

Entretanto, ainda não foi divulgada uma data específica para o início das vendas nem o preço que será cobrado dos consumidores.

O desenvolvimento do salgadinho representa uma tentativa de levar ingredientes proteicos para categorias tradicionalmente associadas ao consumo rápido.

A proposta é alcançar consumidores interessados em alimentos com maior teor de proteína sem depender exclusivamente de suplementos ou produtos direcionados ao público esportivo.

Cervejas sem álcool e requeijões também estão nos planos

A nova operação não ficará restrita aos salgadinhos.

A companhia já participou de projetos envolvendo a adição de proteínas a diferentes categorias de alimentos e bebidas.

Entre as aplicações estudadas estão requeijões, iogurtes, barras alimentícias, refeições prontas, águas proteicas, gomas com colágeno e cervejas sem álcool.

A proposta é desenvolver formulações que aumentem a quantidade de proteína sem comprometer características importantes dos produtos.

No caso de bebidas, por exemplo, os pesquisadores precisam avaliar se a adição de ingredientes altera a aparência, o sabor ou a estabilidade do líquido.

Já em alimentos cremosos, como iogurtes e requeijões, um dos desafios é preservar a textura e a consistência esperadas pelos consumidores.

A JBS também trabalha no desenvolvimento de bebidas prontas para consumo, conhecidas no setor como ready-to-drink.

Apesar das pesquisas, isso não significa que todas essas opções serão lançadas diretamente pela JBS ou vendidas com marcas do grupo.

Parte dos produtos poderá ser desenvolvida para outras empresas, que ficarão responsáveis pela comercialização.

Centro de pesquisas em Campinas participa do desenvolvimento

Para ampliar a atuação nesse mercado, a JBS utiliza uma estrutura de pesquisa e inovação localizada em Campinas, no interior de São Paulo.

O Centro de Inovação e Desenvolvimento de Colágeno foi criado em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital).

O espaço reúne pesquisadores do instituto e especialistas em proteínas da Genu-in e da Novapron+, que trabalham no desenvolvimento de ingredientes e produtos alimentícios.

Os estudos abrangem diferentes categorias, incluindo derivados do leite, bebidas, chocolates, panificados, doces, carnes e salgadinhos.

Antes de chegar à produção industrial, as formulações passam por testes para identificar como os ingredientes se comportam em cada alimento.

Entre os aspectos analisados estão solubilidade, sabor, textura, aparência, estabilidade e prazo de conservação.

As pesquisas também podem avançar para plantas-piloto, estruturas utilizadas para testar processos próximos aos de uma fábrica.

Segundo a diretora de Pesquisa, Saúde e Nutrição da JBS, Vivian Zague, adicionar proteína a um produto exige avaliações específicas para cada formulação.

“Não basta acrescentar proteína a uma formulação. Cada alimento ou bebida tem características próprias e o ingrediente precisa funcionar dentro daquela matriz.”

Mercado de proteínas pode movimentar US$ 101,6 bilhões

A expansão da JBS acompanha o crescimento da procura por alimentos com maior concentração de proteínas.

Produtos que antes eram encontrados principalmente em lojas de suplementos passaram a ganhar espaço em supermercados, padarias e outros estabelecimentos.

Entre as opções disponíveis no mercado estão iogurtes, bebidas prontas, barras e refeições com quantidades adicionais do nutriente.

Segundo projeção da Grand View Research divulgada pela companhia, o mercado global de proteínas poderá alcançar US$ 101,62 bilhões até 2030.

A estimativa considera uma expansão média anual de 6,2%.

Esse valor representa uma projeção para o mercado mundial, e não uma previsão de faturamento da JBS.

A empresa não informou quanto pretende investir especificamente na Genu-in Solutions nem qual receita espera obter com a nova operação.

Estratégia amplia diversificação da JBS

A criação da Genu-in Solutions faz parte de um movimento de diversificação das atividades da companhia.

Tradicionalmente associada à produção de carne bovina, suína e de frango, a JBS também atua em alimentos processados, produtos preparados, ingredientes e outras atividades industriais.

Em junho, a empresa anunciou uma redução de aproximadamente US$ 400 milhões nos investimentos previstos para 2026, acompanhada de maior foco em produtos de valor agregado e eficiência operacional.

A estratégia inclui ampliar a participação de alimentos industrializados e de marcas próprias no faturamento do grupo.

Com a nova operação, a JBS busca aproveitar sua experiência com proteínas e colágeno para oferecer soluções a fabricantes de diferentes segmentos.

O modelo também permite à empresa participar do desenvolvimento de produtos que serão comercializados por outras marcas.

Segundo Ricardo Gelain, presidente da JBS Novos Negócios, a proposta é integrar pesquisa, tecnologia e desenvolvimento para facilitar a chegada de novas formulações ao mercado.

“É uma forma de acelerar a inovação e, ao mesmo tempo, reduzir riscos para nossos parceiros.”

O que muda para os consumidores?

A expansão poderá aumentar a variedade de alimentos enriquecidos com proteína disponíveis no mercado, caso os produtos desenvolvidos avancem para a comercialização.

Entretanto, a presença de proteína adicional não significa, automaticamente, que um alimento seja mais saudável.

O valor nutricional depende da composição completa do produto, incluindo a quantidade de proteínas, açúcares, sódio, gorduras e outros ingredientes.

Também é importante considerar as necessidades individuais de cada consumidor, já que uma alimentação equilibrada pode fornecer quantidades adequadas de proteína sem a necessidade de produtos enriquecidos.

Para a indústria, a principal mudança será a possibilidade de contratar a estrutura da JBS para criar novas formulações e ampliar linhas de alimentos.

Para os consumidores, os efeitos dependerão dos lançamentos efetivamente realizados, dos preços e da disponibilidade dos produtos nos pontos de venda.

Próximos passos

A JBS deverá avançar na oferta dos serviços da Genu-in Solutions para empresas interessadas em desenvolver alimentos e bebidas com maior teor proteico.

O salgadinho com 44% de proteína está preparado para a etapa de comercialização, mas ainda não possui data de lançamento confirmada.

A companhia também continuará trabalhando em formulações de bebidas prontas e produtos com colágeno.

O desempenho da nova operação dependerá da adesão de outras indústrias, da viabilidade dos produtos e da resposta dos consumidores a essa categoria de alimentos.