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Economia

Dólar dispara após eleição de Lula e ameaça encarecer alimentos e financiamentos

Alta do dólar e incertezas sobre o ajuste fiscal aumentam a pressão sobre os juros e podem encarecer alimentos e financiamentos no Brasil.

Dólar dispara após eleição de Lula e ameaça encarecer alimentos e financiamentos

A disparada do dólar após a reeleição de Lula aumentou a preocupação com a economia brasileira. A moeda americana fechou outubro a R$ 5,446, enquanto a Bolsa acumulou queda superior a 17% na semana seguinte à eleição. No centro da turbulência está a pressão do mercado financeiro por um ajuste fiscal e maior controle dos gastos públicos.

O impasse entre o governo e investidores pode afetar diretamente o orçamento das famílias. A combinação de dólar alto, juros elevados e inflação ameaça encarecer alimentos, dificultar financiamentos e reduzir o poder de compra dos brasileiros.

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Enquanto o Ministério da Fazenda, comandado por Dario Durigan, promete diálogo e estuda mecanismos técnicos para garantir a meta fiscal de 2027, a base governista no Congresso trava qualquer conversa sobre um pacote real de corte de despesas. A aposta do Planalto se resume a remanejar cerca de R$ 20 bilhões no Orçamento e buscar receitas extras, empurrando o problema estrutural com a barriga.

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Por que Lula enfrenta pressão do mercado por ajuste fiscal?

A principal divergência envolve os gastos públicos em 2027. Investidores cobram medidas para controlar as despesas e estabilizar a dívida pública. O governo, por sua vez, defende a manutenção dos programas sociais e dos investimentos.

Aliados de Lula criticaram a pressão por cortes, argumentando que o equilíbrio das contas não pode comprometer benefícios destinados à população de baixa renda. O mercado, entretanto, teme que despesas sem financiamento sustentável aumentem o risco fiscal e pressionem os juros.

Por que o PT resiste tanto a cortar gastos?

Na visão da cúpula petista e de parlamentares aliados, a reação do mercado financeiro não passa de especulação e tentativa de impor um programa econômico derrotado nas urnas. O argumento do partido é político e social: Lula foi reeleito prometendo ampliar benefícios, e não passar a tesoura no Orçamento.

Para cumprir o que foi dito no palanque, o governo precisa acomodar pautas bilionárias nas contas de 2027.

  • O reajuste prometido para o Bolsa Família exigirá cerca de R$ 24 bilhões extras,
  • O programa Prospera MEI (que perdoa dívidas de microempreendedores) tem impacto estimado em R$ 18,7 bilhões,
  • Há projetos como a tarifa zero no transporte aos fins de semana e o impacto do fim da escala 6×1, que devem aumentar ainda mais a conta.

Para o PT, falar em ajuste fiscal agora seria trair sua base eleitoral antes mesmo de iniciar o novo mandato em janeiro.

Orçamento de 2027 aumenta preocupação com as contas públicas

O projeto do Orçamento de 2027 prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões. Pelo cálculo ajustado às regras fiscais, o resultado estimado chega a R$ 83,4 bilhões. O desafio é cumprir as metas diante do crescimento das despesas obrigatórias e dos compromissos assumidos pelo governo.

Segundo o projeto orçamentário, 91,7% das despesas primárias serão obrigatórias em 2027. Isso reduz a margem para remanejamentos e amplia a pressão por medidas de controle dos gastos.

Sem uma estratégia fiscal considerada consistente, investidores podem exigir juros maiores para financiar o país, aumentando o custo do crédito e a incerteza econômica.

Selic alta pode encarecer cartão e financiamento imobiliário

A taxa Selic está em 13,75% ao ano. Antes da reunião do Copom, marcada para 3 e 4 de novembro, as apostas do mercado indicavam maior probabilidade de manutenção dos juros.

Uma política monetária restritiva pode prolongar o custo elevado dos empréstimos, do cartão de crédito e do financiamento de veículos. Para quem pretende comprar um imóvel, juros de longo prazo mais altos também podem dificultar o acesso ao financiamento da casa própria.

A Selic não determina automaticamente todas as taxas imobiliárias, mas influencia o custo do dinheiro e as condições oferecidas pelos bancos.

Dólar alto pode aumentar preço dos alimentos

A valorização da moeda americana também preocupa porque diversos setores dependem de insumos importados. Fertilizantes, defensivos agrícolas, combustíveis e componentes industriais podem ficar mais caros com a alta do câmbio.

Esse movimento pode chegar ao preço dos alimentos no supermercado e reduzir o poder de compra dos salários. O repasse, porém, depende também das safras, dos estoques, dos custos de produção e dos preços internacionais.

O que acontece se o governo não controlar os gastos?

A falta de medidas fiscais consideradas suficientes pode prolongar a pressão sobre o dólar, dificultar a queda dos juros e aumentar as expectativas de inflação. Pequenas empresas também podem adiar investimentos e contratações diante do crédito caro.

O desafio de Lula será conciliar responsabilidade fiscal, crescimento econômico e programas sociais. Para os brasileiros, o resultado dessa disputa poderá aparecer no supermercado, nas parcelas do financiamento e nas despesas do mês.

Quando o governo anuncia dezenas de bilhões em novos gastos sem mostrar de onde vai tirar o dinheiro ou o que vai cortar para compensar, a confiança evapora. Não se trata de “maldade” do mercado financeiro, mas de autoproteção de quem empresta dinheiro ao país. Se o Estado gasta mais do que arrecada e sinaliza que continuará fazendo isso, o risco de calote ou de descontrole inflacionário dispara. Atacar o mensageiro e culpar o Banco Central não resolve o rombo das contas públicas.