Fluminense vence, mas atuação contra lanterna acende alerta no Maracanã
O Fluminense vence a Chapecoense por 2 a 1 neste domingo (26), no Maracanã, mantém a terceira posição do Brasileirão, mas sai sob desconfiança da torcida. A vitória vem com gol salvador de John Kennedy nos minutos finais, depois de muito sufoco diante do lanterna.
Vitória com cara de alerta
O placar indica uma tarde tranquila, mas o roteiro em campo conta outra história. Diante da Chapecoense, última colocada do Campeonato Brasileiro, o Fluminense cria muito, desperdiça chances em sequência e transforma um jogo que parecia sob controle em drama até o apito final.
No segundo tempo, o time enfim abre o marcador. Savarino, em cobrança de pênalti, desloca o goleiro e coloca o Fluminense em vantagem, acalmando por alguns minutos os mais de 40 mil tricolores presentes no Maracanã. A sensação é de que o gol destravaria a partida. Não acontece.
A Chapecoense, mesmo afundada na lanterna, reage. Aproveita os espaços deixados na defesa tricolor, empata o jogo e muda o clima no estádio. O que era impaciência com os erros de finalização vira preocupação com a fragilidade defensiva. O Fluminense, que vinha de atuação irregular na temporada, volta a exibir os mesmos defeitos: dificuldade para matar o jogo e falhas de concentração.
Nos minutos finais, a tensão toma conta das arquibancadas. A Chapecoense ronda a área, ganha confiança e faz o torcedor do Fluminense reviver velhos fantasmas. Só quando Alisson encaixa uma bela troca de passes, encontra John Kennedy livre e o centroavante acerta um chute forte, no ângulo, o Maracanã explode em alívio. O 2 a 1 garante três pontos, mas não entrega tranquilidade.
Torcida crítica e pressão por mudanças
O apito final não encerra o debate. Minutos depois, o perfil oficial do Fluminense publica no X a mensagem tradicional comemorando a vitória. Em vez de celebração, a caixa de comentários se enche de cobranças. Torcedores chamam a atuação de “preocupante” e questionam o desempenho contra o time mais fraco da competição até aqui.
Alguns jogadores viram alvo direto. Há críticas à falta de criatividade em certos momentos e à exposição da defesa mesmo diante de um adversário que luta para somar pontos. Outros comentários miram o comando técnico, cobram ajustes táticos imediatos e alertam para o risco de repetir o roteiro em jogos mais pesados. O tom geral é de alerta: vencer, neste momento, não basta, é preciso convencer.
Em meio ao clima de desconfiança, John Kennedy escapa das queixas. Autor do gol decisivo, o atacante recebe elogios em série e tem o nome defendido como titular fixo. Aos 22 anos, já chega a nove gols na temporada, cinco deles garantindo vitórias tricolores. Os números alimentam o argumento de quem pede um time mais agressivo, com o centroavante em campo desde o início.
Os 26 pontos somados até a 13ª rodada mantêm o Fluminense no pelotão de cima. O time ocupa a terceira posição, atrás apenas de Palmeiras e Flamengo, e segue com aproveitamento competitivo no Brasileirão. O recorte recente, porém, mostra oscilações que incomodam. Diante de um calendário que inclui Libertadores, Copa do Brasil e a sequência do Nacional, a margem para atuações instáveis encolhe a cada rodada.
O sentimento nas arquibancadas mistura alívio pelos três pontos e inquietação com o que se vê em campo. O lanterna consegue pressionar nos minutos finais, exige defesas e força a torcida a prender a respiração até o último lance. A cena reforça a percepção de um time que sofre mais do que deveria para controlar partidas teoricamente acessíveis.
Calendário pesado e teste de maturidade
A vitória deste domingo mantém o Fluminense vivo na briga pelo topo, mas expõe uma questão central para o restante de 2026: a consistência. Com Libertadores em andamento e Copa do Brasil no horizonte, o time entra em uma fase em que os erros custam caro. A atuação contra a Chapecoense serve como aviso antes de desafios maiores.
Na quinta-feira, às 19h, o Tricolor encara o Bolívar no estádio Hernando Siles, em La Paz, pela terceira rodada do Grupo C da Libertadores. O jogo em altitude, acima de 3.600 metros, exige físico em dia, concentração alta e um nível de organização tática que a equipe não exibe com regularidade neste fim de abril. A partida ganha contornos de exame de maturidade para um elenco que convive com grande expectativa desde o início da temporada.
O fim de semana seguinte reserva outro teste fora de casa. No domingo, o Fluminense enfrenta o Internacional no Beira-Rio pelo Brasileirão. Em sete dias, o time cruza fronteiras, lida com viagens longas e encara dois adversários de estilos diferentes. A forma como o técnico administra elenco, desgaste e ajustes pontuais pode definir não apenas resultados, mas também o clima no clube até a pausa seguinte do calendário.
Os próximos capítulos dirão se o sufoco diante da Chapecoense funciona como ponto de virada ou como sintoma de problemas mais profundos. A liderança do elenco, a resposta do vestiário às críticas públicas e a capacidade de transformar desempenho irregular em solidez competitiva estão em jogo. A tabela mostra um Fluminense forte; o campo, por enquanto, insiste em lembrar que ainda há muito a ser corrigido.
