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Flamengo atropela Atlético, relança Plata e ouve elogios a Victor Hugo

O Flamengo atropela o Atlético por 4 a 0 na noite deste domingo (26), na Arena MRV, pela 13ª rodada do Brasileiro, com atuação dominante e gols de Pedro, Plata e Arrascaeta. O resultado mantém o time de Leonardo Jardim na perseguição ao líder Palmeiras e recoloca o equatoriano em cena após um período de afastamento por indisciplina e questões médicas.

Recomeço de Plata e noite de controle rubro-negro

O placar elástico em Belo Horizonte expõe o abismo entre as propostas em campo. O Flamengo dita o ritmo desde os primeiros minutos, ocupa o campo ofensivo e desarma a tentativa de pressão alta do Atlético com passes curtos e saídas bem coordenadas. Pedro aproveita duas chances claras ainda no primeiro tempo, transforma em gols e esvazia o ambiente na Arena MRV antes do intervalo.

Plata assume o protagonismo que parecia distante há poucos meses. Afastado por problemas de disciplina e desencontros médicos, ele volta ao time com minutagem crescente e, em Belo Horizonte, entrega a atuação que o técnico aguardava. Recebe aberto pela direita, encara a marcação, corta para dentro e acerta o canto em jogada individual que silencia o estádio. O lance lembra o torcedor atleticano de 2024, quando o equatoriano marca o gol do título da Copa do Brasil, também na Arena MRV, contra o mesmo rival.

Leonardo Jardim não esconde a satisfação com a resposta do atacante. Depois do jogo, o português trata de separar talento de comportamento e explica o que muda nos bastidores. “Já falei anteriormente das qualidades do Plata e também que a integração dele não estava dentro daquilo que a gente pretendia. Desde o momento em que ele integrou as ideias do grupo em termos de trabalho e de atitude, o talento está lá”, afirma. Ele lembra que acompanha o jogador desde a época de Sporting, em Portugal, e destaca o compromisso tático. “Ajudou muito o Varela, e isso foi importante para mantermos os corredores equilibrados.”

A noite se completa com Arrascaeta, que fecha o marcador e costura o meio-campo entre as linhas atleticanas. O uruguaio dita a cadência, alterna passes verticais com inversões de jogo e encontra Pedro e Plata em condições de finalizar. O 4 a 0 não nasce de um acidente, mas de uma superioridade construída ataque após ataque, com o Flamengo ocupando o campo adversário e o Atlético correndo atrás da bola.

Pressão na liderança e sinais opostos para Flamengo e Atlético

A vitória leva o Flamengo aos 26 pontos, seis atrás do Palmeiras, que soma 32 e segue na liderança. O recorte da 13ª rodada mantém o campeonato aberto na parte de cima da tabela, com o time carioca consolidado como principal perseguidor. O saldo expressivo pesa na disputa direta, melhora os números defensivos e reforça a confiança de uma equipe que já se acostuma a jogos grandes longe do Maracanã.

O impacto interno talvez seja ainda mais relevante do que a tabela. Plata transforma um retorno tenso em recomeço promissor. O jogador passa de ponto de interrogação a solução concreta para o setor ofensivo, ao lado de Pedro e Arrascaeta. O encaixe com o lateral Varela oferece a Jardim uma dupla forte pelo lado direito, algo que o treinador vinha buscando desde o início da temporada. A resposta em campo reduz ruídos de vestiário e fortalece o discurso de meritocracia, vitrine importante em um elenco repleto de alternativas.

Do outro lado, o Atlético soma mais uma noite frustrante diante de sua torcida na Arena MRV. A derrota por 4 a 0 aprofunda a sensação de instabilidade em um time que alterna bons momentos com apagões coletivos. O clube mineiro já sente na pele a diferença entre competir com o topo da tabela e apenas sobreviver no meio dela. Contra um rival direto por protagonismo nacional, a distância fica nítida no placar e na execução de ideias.

Mesmo assim, Leonardo Jardim chama atenção para um nome do adversário. O meia Victor Hugo, revelado pelo próprio Flamengo e contratado pelo Atlético neste ano, aparece como ponto de luz em meio ao cenário cinza. “Acho que eles apresentaram uma equipe muito mais agressiva em termos de pressão. Eles tentaram nos pressionar mais com os jogadores que jogaram na frente, com o Cassierra, com o miúdo que era do Flamengo, que fez um grande jogo, o Victor Hugo”, analisa o treinador. Ao fim da partida, o técnico cruza o campo para cumprimentar pessoalmente o jogador. “Quando acabou o jogo, fui dar os parabéns para esse miúdo porque fez um grande jogo.”

Projeções para a sequência e personagens em ascensão

O cenário que se desenha após a goleada aponta caminhos distintos. O Flamengo entra na parte decisiva do primeiro turno com moral em alta, elenco encorpado e um ataque que volta a ter peças em ascensão. Pedro confirma a condição de referência com dois gols em um jogo grande. Arrascaeta mantém o papel de cérebro da equipe. Plata apresenta a combinação de drible, velocidade e obediência tática que qualquer treinador busca em um ponta. O trio oferece a Jardim variações para enfrentar defesas mais fechadas nas próximas rodadas.

O Atlético, por sua vez, precisa transformar o destaque individual de Victor Hugo em lastro coletivo. O jovem meia se consolida como organizador das jogadas, mas ainda carece de um ambiente mais estável ao redor. A tentativa de pressionar a saída rubro-negra funciona em alguns momentos, como reconhece Jardim, porém se desfaz diante da precisão carioca na última parte do campo. A comissão técnica alvinegra sai obrigada a rever equilíbrio defensivo, distância entre setores e aproveitamento ofensivo para evitar que derrotas largas se tornem padrão.

A 13ª rodada não decide o campeonato, mas redesenha forças. O Flamengo mostra que mantém repertório para brigar ponto a ponto com o Palmeiras até dezembro. O Atlético encara o desafio de não deixar que o peso de uma goleada contamine o restante da campanha. Entre a pressão da tabela e a necessidade de respostas rápidas, a pergunta que fica é se o brilho isolado de personagens como Plata e Victor Hugo será suficiente para empurrar seus clubes a patamares mais altos ou se a noite deste domingo ficará marcada apenas como um ponto fora da curva.

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