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Grêmio vence Coritiba, encerra jejum e respira no Brasileirão

O Grêmio vence o Coritiba por 1 a 0 neste domingo (26), na Arena, e encerra um jejum de cinco rodadas sem vitória no Campeonato Brasileiro. O gol de Gabriel Mec, ainda no primeiro tempo, alivia a pressão sobre o elenco e o técnico Luís Castro.

Fim do jejum sob pressão na Arena

O clima na Arena do Grêmio deixa claro desde o início que a noite não permite tropeço. São 35.443 torcedores empurrando um time que chega pressionado, sem vitória há cinco jogos no Brasileirão e cercado por desconfiança. A resposta vem em forma de intensidade, volume ofensivo e um protagonista improvável no meio-campo: Gabriel Mec.

Luís Castro mexe na escalação e assume o risco. Wagner Leonardo entra na vaga de Gustavo Martins, suspenso. Leo Pérez ganha lugar de Nardoni por opção técnica. As mudanças dão mais energia à saída de bola e aproximam o time do gol desde os primeiros minutos. O Grêmio ocupa o campo ofensivo, roda a bola pelos dois lados e tenta abrir espaços na defesa compacta do Coritiba, que se protege com uma linha de quatro zagueiros e laterais atentos.

O Coritiba mantém a estratégia que tem mostrado longe de casa: espera atrás e acelera em contra-ataques. Breno Lopes desperdiça boa chance após erro de Pavon. Lucas Ronier incomoda por dentro. Pedro Rocha e Tinga testam Weverton, que responde com segurança. O jogo parece equilibrado, mas muda de eixo aos 30 minutos.

Bruno Melo chega atrasado, pisa por trás o calcanhar de Enamorado e vê o cartão vermelho direto. O árbitro Felipe Fernandes, bem posicionado, decide sem recorrer ao VAR. A expulsão desmonta o plano de Fernando Seabra e entrega ao Grêmio a superioridade numérica que o time tanto busca para controlar o jogo sem sobressaltos.

A torcida sente o momento e aumenta o barulho. Carlos Vinícius chega a balançar a rede, depois de bela combinação entre Gabriel Mec e Enamorado. O estádio explode, mas o VAR traça as linhas e aponta impedimento. O grito fica preso na garganta por alguns minutos, até que a dupla volta a aparecer, desta vez em condição legal.

Aos 42, Enamorado recebe pela esquerda, chama a marcação e vê a infiltração de Gabriel Mec pelo meio da área. O passe rasga a defesa, Mec chega batendo de canhota, de primeira, e coloca a bola no canto: 1 a 0. O meia corre para a bandeirinha, abraçado pelos companheiros, enquanto a Arena vibra com o primeiro gol do jovem na competição. “Feliz pelo primeiro gol, sempre vim buscando, em todos os jogos”, diz o camisa do meio-campo, ainda ofegante, na saída para o intervalo.

Controle com um a mais e riscos calculados

O segundo tempo começa com uma sinalização clara de Luís Castro. Leo Pérez, amarelado, fica no vestiário. Noriega entra para reforçar a proteção à frente da zaga. O recado é simples: a vantagem no placar e em número de jogadores precisa ser administrada com menos exposição, ainda que isso reduza o ímpeto ofensivo.

O Grêmio diminui a velocidade, cadencia a troca de passes e evita se lançar com muita gente. A escolha, no entanto, abre espaço para um jogo perigoso. Enquanto o time controla a posse, o Coritiba passa a acreditar no empate, mesmo com dez em campo. Lucas Ronier encontra um espaço na intermediária, arrisca e chuta por cima, assustando a torcida que já mostrava impaciência com a falta de um segundo gol.

Tetê entra e mantém o padrão que apresenta desde a chegada. Participa, se mexe, aparece para receber, mas as finalizações não encontram o alvo. Arthur dá lugar a Riquelme, Carlos Vinícius é substituído por Braithwaite. As trocas renovam o fôlego, mas não mudam o desenho da partida. O Grêmio segue com a bola, sem transformar o domínio em vantagem mais confortável.

O final guarda doses extras de tensão. Aos 42 minutos, Wagner Leonardo completa para o gol após bola levantada na área, mas o lance é anulado por impedimento. Quatro minutos depois, Nardoni, que entra no lugar de Gabriel Mec, também marca. O bandeira ergue a bandeira, o VAR confirma a irregularidade, e a irritação toma conta do banco gremista.

Luís Castro parte para reclamações ostensivas e recebe cartão vermelho. O técnico atravessa o campo lentamente, sob aplausos de parte da torcida e críticas de outra. O recado da arbitragem é duro, mas não encerra o enredo dos cartões. Nos acréscimos, Jacy acerta falta forte em Amuzu e também é expulso, deixando o Coritiba com nove jogadores e sem força para uma última investida.

O apito final confirma não apenas a vitória por 1 a 0, mas um alívio que transparece no semblante dos jogadores. O jejum de cinco partidas sem vencer chega ao fim, a renda de R$ 2.013.590,62 reflete a confiança da torcida em noite de casa cheia, e o time ganha oxigênio num momento em que a temporada ameaça desandar.

Confiança recuperada e próximos desafios

O resultado muda a atmosfera no clube. A sequência sem vitórias no Brasileirão alimentava críticas ao trabalho de Luís Castro e colocava o elenco sob cobrança diária. A vitória sobre o Coritiba, somada ao desempenho consistente com um jogador a mais, devolve parte da confiança e dá margem para ajustes com menos turbulência.

Na tabela, o impacto é imediato. A pontuação se aproxima do bloco intermediário, reduz a pressão por resultados urgentes e evita que o time se aproxime da zona de rebaixamento neste início de campeonato. Em um torneio de pontos corridos, interromper uma série negativa com apoio em casa costuma marcar viradas de trajetória. A Arena volta a ser um ativo, não um palco de ansiedade.

O Coritiba deixa Porto Alegre com a sensação de ter desperdiçado o plano de jogo. A estratégia de contra-atacar funciona enquanto o time está completo. A expulsão de Bruno Melo, porém, condiciona todo o restante da partida e obriga Seabra a redesenhar o sistema defensivo. Com Jacy expulso no fim, a equipe encerra a noite com dois cartões vermelhos, sem pontuar e sem a chance de testar o Grêmio em igualdade numérica até o fim.

O peso do triunfo gremista vai além dos três pontos. A atuação segura de Weverton, a firmeza de Wagner Leonardo na defesa e o protagonismo de Gabriel Mec reforçam opções para a sequência da temporada. Em um elenco que procura lideranças técnicas, a aparição do jovem meia como definidor do placar ganha relevância interna.

A agenda não permite comemoração longa. Na quarta-feira, o Grêmio viaja ao Chile para enfrentar o Palestino pela Copa Sul-Americana, em confronto que pode direcionar o futuro do clube no torneio continental. No sábado, volta ao Brasileirão para encarar o Athletico, fora de casa, em teste imediato da recuperação emocional e tática mostrada na Arena.

A vitória sobre o Coritiba não resolve todos os problemas, mas oferece uma base mais sólida. O desafio de Luís Castro a partir de agora é transformar um jogo de alívio em ponto de virada, manter a equipe competitiva com e sem a bola e evitar que outro jejum volte a ameaçar a confiança construída nesta noite em Porto Alegre.

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