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Bernal e Savarino voltam, e Millán pressiona por vaga no Fluminense

Fluminense recebe a Chapecoense neste domingo (26), às 20h30, no Maracanã, pela 13ª rodada do Brasileirão, com reforço de titulares e disputa acirrada na zaga. Luis Zubeldía recoloca Facundo Bernal e Savarino entre os onze e avalia se mantém Freytes ou promove Millán após boa estreia.

Retorno dos preservados muda o desenho do time

O jogo no Rio marca a volta de uma base considerada próxima da força máxima tricolor. Bernal, volante de maior capacidade de organização, e Savarino, meia ofensivo responsável por acelerar as ações, ficam fora do empate por 0 a 0 com o Operário, na última quinta-feira, em Ponta Grossa, por controle de carga física. Dois dias depois, treinam normalmente nas Laranjeiras e são liberados para iniciar a partida contra a Chapecoense.

A reentrada da dupla reorganiza o meio-campo e o setor de criação, justamente em um momento em que o time sente a ausência de um camisa 10 clássico. Nos últimos jogos, o Fluminense cai de rendimento quando precisa furar defesas fechadas, como aconteceu no gramado irregular do Germano Krüger, e depende mais de bolas longas e jogadas individuais. Com Bernal na saída de bola e Savarino mais à frente, Zubeldía busca recuperar a fluidez que marca os melhores momentos da equipe no campeonato.

Nas laterais, Guga e Guilherme Arana também retornam depois de serem poupados pela comissão técnica na Copa do Brasil. A decisão faz parte de uma gestão de elenco que tenta equilibrar o calendário apertado de Brasileirão e mata-mata sem perder competitividade. O treinador volta a contar com a linha de quatro que considera mais confiável para jogos de maior peso técnico e emocional.

Millán ganha espaço e eleva a pressão sobre Freytes

A principal dúvida está no miolo de zaga. Millán aproveita a chance antecipada em Ponta Grossa, rende bem nos 90 minutos e vira opção real para desbancar Freytes, defensor de confiança da comissão. Internamente, o planejamento indica que a estreia ideal do colombiano seria justamente neste domingo, em casa, contra a Chapecoense. A necessidade de rodar o time antecipa o plano, e a resposta em campo abre um dilema para Zubeldía.

O treinador observa em Millán um zagueiro com saída de bola mais limpa e boa leitura de cobertura, características valiosas para um time que gosta de controlar a posse. Freytes, por outro lado, oferece segurança no jogo aéreo e conhece melhor os movimentos defensivos exigidos pelo técnico. A escolha passa menos por uma simples troca de peças e mais por qual perfil combina melhor com o contexto da partida.

A tendência, até a véspera do jogo, é de manutenção de Freytes, mas a disputa fica aberta. Millán corre por fora, com a leitura de que sua ascensão pode mudar a hierarquia da defesa nas próximas semanas. O cenário sinaliza uma comissão técnica disposta a promover renovação gradual, sem romper de imediato com referências consolidadas no elenco.

No desenho projetado, o time deve ir a campo com Fábio; Guga, Jemmes, Freytes ou Millán e Arana; Bernal, Hércules e Savarino; Canobbio, Serna e John Kennedy, com Castillo como alternativa no ataque. A formação reforça a ideia de três homens de frente com capacidade de pressionar a saída de bola e atacar em velocidade, sobretudo pelos lados.

Jogo vale vice-liderança e pressão sobre rivais

O duelo com a Chapecoense carrega peso direto na tabela. O Fluminense soma 23 pontos em 12 rodadas, ocupa a terceira posição e observa o Flamengo, também com 23, e o líder Palmeiras, com 29, à frente. Uma vitória no Maracanã, combinada a um tropeço rubro-negro diante do Atlético-MG, pode levar o time de Zubeldía à vice-liderança, encurtando a distância para a ponta.

A combinação de objetivos deixa pouco espaço para margem de erro. O empate sem gols com o Operário, pela ida da 5ª fase da Copa do Brasil, não altera a vantagem no mata-mata, já que a vaga será decidida apenas no jogo de volta, em 12 de maio, no Maracanã. No Brasileirão, cada ponto perdido pesa mais. A partida deste domingo funciona como termômetro da capacidade do elenco de responder rápido após uma atuação abaixo do esperado.

Entre os jogadores, o discurso é de recuperação imediata. Nos bastidores, a leitura é de que a equipe sofre sem um articulador típico, mas ganha corpo quando o meio-campo consegue pressionar alto e recuperar a bola no campo ofensivo. O retorno de Bernal e Savarino encaixa nesse desenho e reduz a necessidade de improvisar funções que, nas últimas semanas, expõem limitações do elenco.

Para a torcida, o jogo oferece mais do que três pontos. O Maracanã volta a receber o time em clima de expectativa elevada, com a possibilidade de ver a equipe assumir novamente o papel de principal perseguidora dos líderes. Os 23 pontos conquistados até aqui sustentam a ideia de um Fluminense competitivo, mas a oscilação em partidas recentes mantém dúvidas sobre a consistência ao longo de 38 rodadas.

Calendário apertado e decisões à vista para Zubeldía

As escolhas de Zubeldía diante da Chapecoense apontam para questões que vão além da 13ª rodada. Se optar por Millán, o treinador indica disposição para acelerar a renovação da zaga e mexer em uma estrutura estabelecida. Se mantiver Freytes, reforça a ideia de transição mais lenta, com inserção gradual dos recém-chegados, mas corre o risco de adiar uma movimentação que parte da torcida já considera inevitável.

O calendário empilha decisões. Após a Chapecoense, o Fluminense segue em maratona que combina viagens, confrontos diretos pelo topo da tabela e a definição na Copa do Brasil em 12 de maio. A gestão de minutos, que já leva a preservações pontuais como as de Bernal, Savarino, Guga e Arana, tende a se intensificar, exigindo do técnico precisão nas rotações para não perder desempenho nem atletas por desgaste.

A noite deste domingo, no Maracanã, pode redefinir o fôlego tricolor para o mês de maio. Uma vitória com atuação convincente reduz ruído, reforça a confiança em Zubeldía e consolida a imagem de um elenco mais profundo, capaz de suportar a temporada longa. Um tropeço reacende desconfianças e prolonga a sensação de que o time ainda precisa provar que tem regularidade para brigar até o fim pelo topo do Brasileirão.

Entre o retorno de titulares, a briga silenciosa na zaga e a chance de encostar de vez na liderança, o Fluminense chega ao Maracanã com mais perguntas do que respostas. A Chapecoense, em posição mais modesta, encontra um rival pressionado a se impor em casa. O campo dirá se a reorganização promovida por Zubeldía é suficiente para transformar potencial em pontuação e deixar o Tricolor onde a torcida espera vê-lo na tabela.

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