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Zema defende prisão de Toffoli e Moraes e eleva tensão com STF

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo, defende o afastamento e a prisão dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A declaração ocorre em 13 de abril de 2026, durante encontro com lideranças políticas em São Paulo, e amplia o confronto entre parte da classe política e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Ataque direto ao Supremo em evento empresarial

Diante de empresários e dirigentes da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Zema abandona o tom institucional que costuma marcar encontros desse tipo. Ele afirma que o Brasil vive “a maior crise moral da história” e escolhe o STF como alvo principal. “Dias Toffoli e Alexandre de Moraes não merecem só processo de impeachment, merecem prisão”, diz, sob aplausos de parte da plateia.

O discurso ocorre a pouco menos de seis meses do primeiro turno das eleições municipais e a cerca de um ano e meio da disputa presidencial de 2028, para a qual Zema se apresenta como alternativa liberal ao governo federal e à oposição tradicional. A fala, registrada em vídeo por presentes, circula nas redes sociais ainda na tarde desta segunda-feira e ganha reação imediata de aliados e críticos do Supremo.

Crise moral, STF na mira e cálculo eleitoral

Ao longo de quase 40 minutos de apresentação, Zema repete o diagnóstico de que há uma “farra dos intocáveis” em Brasília. Sem apresentar provas ali, ele insinua corrupção e falta de ética entre ministros da Corte. “O STF era um lugar que nós tínhamos uma certa confiança, mas já estava cheirando mal há alguns anos. Agora, realmente, aflorou toda a podridão que está lá dentro”, afirma, reforçando a ideia de que a Suprema Corte abriga “criminosos”.

O ex-governador tenta encaixar o ataque ao Judiciário em um enredo mais amplo, de repúdio à elite política. Ele fala em indignação crescente no país e sugere que o clima é mais tenso que em crises recentes, como o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 ou a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva em 2018. “Nós estamos assistindo lá em Brasília a farra dos intocáveis. Na minha opinião, daqueles que se consideram intocáveis”, diz, ao comparar a atual conjuntura a momentos de ruptura institucional.

Zema também critica a proposta conhecida como “6×1” e classifica a agenda trabalhista do governo como “populismo do PT”, defendendo uma alternativa à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em vigor desde 1943. A estratégia mira o eleitorado empresarial e liberal, historicamente concentrado em grandes centros como São Paulo, mas hoje disputado por diferentes legendas de direita e centro-direita.

Impacto sobre STF, instituições e disputa eleitoral

As declarações tocam em um ponto sensível do debate público: os limites da crítica a ministros do Supremo em um ambiente de tensão institucional. Desde 2019, quando decisões do STF passam a ser alvo constante de ataques de grupos bolsonaristas, a Corte reage com inquéritos sobre fake news e ataques à democracia. As novas falas de Zema tendem a ser usadas tanto por apoiadores, que veem no Judiciário um poder politizado, quanto por adversários, que o acusam de inflamar discursos contra as instituições.

Na prática, um pedido de afastamento ou prisão de ministros do Supremo não depende da vontade de um futuro presidente. A Constituição de 1988 prevê que cabe ao Senado julgar pedidos de impeachment de integrantes da Corte, e decisões criminais contra ministros passam pelo próprio STF. Ao defender prisão imediata, Zema tensiona esse desenho institucional e se apropria de um discurso que, desde 2020, ganha espaço em manifestações de rua e em redes sociais, mas ainda encontra resistência em partidos de centro e em parte do empresariado.

Líderes políticos ouvidos reservadamente avaliam que a escalada retórica pode redesenhar alianças. Setores tradicionais da direita, interessados em manter pontes com o Judiciário, tendem a se afastar de propostas de ruptura. Já siglas menores, que apostam em narrativas de confronto com Brasília para superar a cláusula de barreira, veem espaço para colar sua imagem à do ex-governador mineiro. O ambiente torna mais difícil a construção de pactos em torno de uma eventual reforma do STF, tema que ganha força desde pelo menos 2022.

Próximos capítulos e testes nas urnas

Zema encerra o discurso indicando que espera das urnas a resposta para o que chama de “crise moral”. “As urnas vão responder em outubro. Nós vamos ter, se não tivermos até outubro, mudanças. [Se não tivermos até outubro] Vamos ter ano que vem. O clima de indignação que eu percebo nunca esteve tão grande”, afirma. A aposta é converter a insatisfação com o STF e com o governo federal em capital eleitoral, primeiro nas eleições municipais de 2026 e, depois, na corrida presidencial.

A fala deixa em aberto quais propostas concretas o pré-candidato pretende defender para alterar o funcionamento do Supremo, além de punir ministros específicos. Uma reforma que atinja idade de aposentadoria, mandatos, forma de indicação ou limites de atuação exigiria maioria qualificada no Congresso e negociação com o próprio Judiciário. Até lá, a ofensiva verbal de Zema ajuda a organizar um campo político em torno da crítica ao STF, mas também testa até onde o eleitor está disposto a ir quando o embate com as instituições deixa o terreno da retórica e entra no da responsabilidade de governar.

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