Esportes

Zenit fixa preço de 20 milhões de euros e trava investida do Palmeiras por Nino

O Zenit exige 20 milhões de euros, cerca de R$ 117 milhões, para liberar o zagueiro Nino ao Palmeiras. O clube paulista oferece 15 milhões de euros e tenta avançar ainda nesta janela.

Negociação entra em fase sensível entre Brasil e Rússia

A tratativa pelo ex-zagueiro do Fluminense ganha corpo no fim de abril de 2026 e expõe a distância entre o desejo do Palmeiras e a avaliação do Zenit. O clube russo, que contratou Nino no início da temporada europeia, indica que não pretende abrir mão do defensor por menos de 20 milhões de euros em um primeiro momento.

O Palmeiras apresenta uma proposta de 15 milhões de euros, algo em torno de R$ 87,5 milhões, por valores fixos, segundo informou a ESPN. A oferta representa um dos maiores investimentos recentes do clube em um jogador de defesa e mostra a disposição da diretoria em reforçar o elenco para o segundo semestre, período decisivo de Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro.

O Zenit responde com firmeza. O clube de São Petersburgo, campeão recorrente do Campeonato Russo, comunica aos brasileiros que só aceita negociar por 20 milhões de euros, aproximadamente R$ 117 milhões. A cifra coloca Nino em um patamar de transferência compatível com jogadores de Seleção e zagueiros em auge no mercado europeu.

O impasse ocorre em meio à reta final da temporada europeia 2025/26. A direção russa avalia desempenho esportivo, situação nas competições continentais e o peso de uma eventual venda no planejamento financeiro do próximo ano. Internamente, a leitura é de que o defensor ainda pode valorizar, o que explica a resistência em reduzir a pedida.

Valor alto expõe força do mercado e pressiona planejamento alviverde

A negociação por Nino sintetiza um movimento crescente: clubes brasileiros voltam a mirar atletas que deixaram o país há pouco tempo, mesmo a preços próximos aos praticados na Europa. A avaliação é que, com receitas de bilheteria, direitos de transmissão e acordos comerciais em alta, times como o Palmeiras conseguem competir em algumas faixas de mercado.

No caso específico do zagueiro, o Zenit se apoia em dois fatores. O primeiro é o histórico recente de Nino, campeão da Libertadores e da Recopa Sul-Americana pelo Fluminense, além de participação na Seleção olímpica campeã em Tóquio. O segundo é a leitura de que o defensor atinge o auge físico e técnico aos 29 anos, idade que costuma ser a de maior regularidade para jogadores da posição.

O Palmeiras trabalha com teto orçamentário para contratações, mas sabe que o setor defensivo exige reposição de alto nível para manter o padrão competitivo. Um investimento de 15 milhões de euros já rompe a barreira dos R$ 80 milhões e se aproxima de transferências históricas do clube. A diferença de 5 milhões de euros, cerca de R$ 29,5 milhões, transforma a negociação em questão de prioridade esportiva e financeira.

A postura do Zenit também revela um mercado mais rígido na Rússia. Com menos poder de barganha em ligas centrais da Europa, clubes russos buscam maximizar ganhos em negócios com centros emergentes, como o Brasil. O recado enviado ao Palmeiras — e a outros interessados — é direto: quem quiser tirar Nino de São Petersburgo precisa pagar preço de titular consolidado.

O próprio zagueiro, porém, interfere no tabuleiro. De acordo com informações de bastidores, Nino vê com bons olhos o retorno ao Brasil ainda em 2026. O desejo pessoal costuma pesar nesse tipo de tratativa, principalmente quando o jogador deixa claro que está disposto a alinhar salários e prazos de contrato para viabilizar o acordo.

Desejo de Nino, reta final na Europa e próximos capítulos

O futuro da negociação passa por três pontos centrais: o desempenho do Zenit nas últimas semanas da temporada europeia, a pressão do jogador pela volta e o limite financeiro do Palmeiras. Se o clube russo ficar aquém dos objetivos esportivos, a tendência é que a diretoria reveja prioridades e considere reduzir a pedida para algo mais próximo da oferta brasileira.

O clube paulista, por sua vez, precisa decidir se estica a corda e se aproxima dos 20 milhões de euros ou se mantém a posição e busca alternativas no mercado. O tempo de janela pesa. A diretoria não quer chegar à metade do Campeonato Brasileiro e às fases agudas da Libertadores sem uma definição para a zaga.

O desejo de Nino pode funcionar como argumento extra na negociação. Se o jogador explicita à direção russa a preferência por voltar ao país, o Zenit passa a avaliar também o risco esportivo de manter um atleta insatisfeito. Em casos recentes, esse tipo de cenário costuma acelerar saídas e derrubar valores iniciais.

O capítulo seguinte dessa disputa, portanto, depende menos de uma proposta isolada e mais do jogo de forças entre três lados. O Palmeiras tenta conciliar ambição esportiva e responsabilidade financeira. O Zenit segura o ativo e mira lucro máximo em uma janela estratégica. Nino observa à distância e aguarda o momento de definir onde vai jogar na segunda metade de 2026.

A negociação, ainda em andamento, tende a servir de termômetro para o mercado brasileiro na próxima janela. Se o negócio sair próximo dos 20 milhões de euros, o recado para outros clubes será claro: para repatriar jogadores em auge, será preciso pagar preço de Europa. Se o valor cair, abre-se espaço para novas investidas em nomes do mesmo perfil. A resposta, por enquanto, está no cofre russo.

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