São Paulo vence Mirassol, respira no Brasileirão e alivia pressão sobre Roger
O São Paulo vence o Mirassol por 1 a 0 neste sábado (25), em São Paulo, e ameniza a pressão sobre o técnico Roger Machado. O gol de Luciano, aos 30 minutos do segundo tempo, encerra a sequência de duas derrotas no Brasileirão e dá fôlego ao treinador, vaiado antes de a bola rolar.
Vitória sob vaias e necessidade de resposta imediata
O clima no Morumbi antes do apito inicial expõe o tamanho da cobrança. Parte da torcida recebe Roger Machado com vaias, alimentadas por derrotas recentes para Vitória e Vasco e por um desempenho irregular nas primeiras 13 rodadas do Campeonato Brasileiro. O 1 a 0 sobre o Mirassol não resolve todos os problemas, mas interrompe a curva de queda e reduz, ao menos por alguns dias, o barulho em torno do comando técnico.
O jogo começa com o São Paulo tentando tomar a iniciativa. A equipe marca alto, circula a bola com rapidez e finaliza com frequência, mas peca na definição. As chegadas de Luciano e Lucca esbarram ora na pontaria, ora na defesa do Mirassol, que se fecha bem e aposta nas transições rápidas. Em uma dessas escapadas, o time do interior chega a balançar a rede, mas o assistente aponta impedimento e o gol é anulado, mantendo o placar zerado.
O primeiro tempo expõe o dilema que acompanha Roger nas últimas semanas. O São Paulo produz, cria volume, mas não traduz superioridade em gols. Cada ataque desperdiçado aumenta o nervosismo nas arquibancadas. A vitória recente sobre o Juventude, pela Copa do Brasil, não é suficiente para blindar o treinador, que ainda tenta consolidar uma ideia de jogo após a saída de Hernán Crespo, responsável por levar o clube às primeiras posições antes de deixar o cargo.
Desde que assume o time, Roger acumula 12 partidas, com sete vitórias, um empate e quatro derrotas, aproveitamento de 61%. O número é razoável, mas o recorte recente pesa mais que a estatística. As duas derrotas seguidas no Brasileiro, somadas a atuações oscilantes, alimentam a desconfiança de parte da torcida e de setores da diretoria. A partida contra o Mirassol se transforma, assim, em um teste de sobrevivência precoce na temporada.
Gol de Luciano destrava jogo travado e muda o roteiro da noite
O segundo tempo começa mais amarrado, com o Mirassol subindo a marcação e forçando erros na saída de bola são-paulina. O cansaço aparece, os espaços diminuem e o jogo fica truncado no meio-campo. Roger demora a mexer, segura substituições e observa o time tentar encontrar soluções dentro de campo. A paciência nas arquibancadas, porém, tem limite claro.
O roteiro muda aos 30 minutos. Luan recupera a bola na intermediária, conduz em direção à área e toca para Lucca, aberto pela esquerda. O atacante encontra Wendell infiltrando em velocidade. O lateral domina e cruza na medida para Luciano, que se antecipa à zaga e cabeceia firme para o fundo da rede. O gol define o placar e funciona como catarse. Parte da torcida, que minutos antes resmungava, explode em gritos de alívio.
O próprio clube registra o lance nas redes sociais e celebra a assistência do lateral. Em vídeo divulgado logo após a partida, o São Paulo destaca o gol de Luciano “após linda assistência de Wendell” e reforça o caráter coletivo da jogada. O lance simboliza o que Roger tenta construir: um time compacto, com volantes participando da criação, pontas em mobilidade e laterais agressivos no apoio.
O Mirassol não se entrega depois de sofrer o gol. A equipe adianta as linhas e passa a rondar a área são-paulina. A melhor chance surge já perto do fim, quando Tiquinho Soares aparece livre na pequena área e finaliza para fora, desperdiçando o empate. O lance provoca um misto de silêncio e suspiro de alívio entre os são-paulinos, conscientes de que o resultado ainda está por um detalhe.
O apito final confirma a vitória e um efeito imediato na tabela. O São Paulo volta a pontuar após duas derrotas seguidas e afasta, ao menos temporariamente, o risco de queda brusca na classificação. O Mirassol, por sua vez, lamenta a chance perdida e vê escapar um ponto importante fora de casa no meio de um campeonato apertado, em que pequenas sequências positivas ou negativas mudam a rota de um clube.
Fôlego para Roger e um Brasileirão cada vez mais pressionado
O resultado contra o Mirassol transforma a noite de Roger Machado. O treinador não está livre de críticas, mas ganha tempo para trabalhar. O aproveitamento de 61%, com 15 gols marcados e nove sofridos desde a sua chegada, agora vem acompanhado de um jogo que quebra a escrita recente de tropeços. A combinação de desempenho razoável com vitória em confronto direto diminui o debate imediato sobre troca de comando.
A pressão, porém, não é exclusividade do São Paulo. A mesma rodada do Brasileiro registra um empate entre Bahia e Santos que pode empurrar o time paulista para a zona de rebaixamento, o Z4, dependendo da sequência dos resultados. Em outra frente, o Cruzeiro vence o Remo fora de casa, com gol decisivo de Arroyo, e reforça a disputa acirrada na parte intermediária da tabela. Em Brasília, Botafogo e Internacional protagonizam empate com reviravoltas, retrato de um campeonato em que ninguém consegue se desgarrar com facilidade.
A 13ª rodada do Campeonato Brasileiro termina neste domingo (26), com seis jogos ainda em aberto e efeito direto na zona de classificação para torneios continentais e na briga contra o rebaixamento. Cada ponto passa a ter peso maior em um calendário apertado, que mistura viagens longas, Copa do Brasil e tensão por resultados imediatos. Técnicos convivem com a perspectiva de demissões rápidas, e elencos sentem o impacto emocional de cobranças constantes.
Próximos desafios e a disputa por estabilidade
O São Paulo volta ao centro do debate nas próximas rodadas. A vitória sobre o Mirassol oferece respiro, mas também eleva a régua para o desempenho futuro. Roger ganha um vestiário mais leve, um ambiente de treino menos tenso e a possibilidade de ajustar detalhes sem o fantasma imediato da troca de comando. O desafio agora é transformar o alívio de uma noite em sequência sólida ao longo do campeonato.
O clube ainda busca uma identidade estável após a saída de Hernán Crespo, que deixa como legado recente a briga na parte de cima da tabela. A comparação é inevitável e ajuda a explicar a impaciência de parte da arquibancada com qualquer sinal de queda de rendimento. A rodada 13 termina, o Brasileirão segue aberto e a pergunta permanece: o gol de Luciano será o ponto de virada de Roger Machado no São Paulo ou apenas uma pausa em uma pressão que tende a voltar na próxima atuação abaixo da média?
