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Papa renova apelo por Terço da Paz em meio a novos conflitos

O papa renova neste sábado, 30 de maio de 2026, o convite para que o mundo reze o Terço da Paz. A oração parte da Gruta de Nossa Senhora e envolve santuários nos cinco continentes, em meio à escalada de conflitos globais.

Apelo que atravessa fronteiras

O convite, reiterado a poucos dias do início de novas rodadas diplomáticas em zonas de guerra, coloca a oração no centro de um esforço simbólico por desarmar discursos e gestos de ódio. A partir da Gruta de Nossa Senhora, um dos espaços de maior devoção mariana, o pontífice pede que fiéis se unam em um mesmo horário, criando uma corrente de súplica pela paz que cruza fusos, línguas e fronteiras.

O Vaticano estima que dezenas de milhões de católicos acompanhem a recitação do terço em transmissões de TV aberta, rádios, plataformas digitais e redes sociais. Santuários marianos de ao menos 30 países confirmam participação, entre eles Fátima, Aparecida, Lourdes e Guadalupe. Em cada um deles, bispos e reitores se organizam para alinhavar o horário local com o momento de oração na Gruta, reforçando a ideia de um único gesto global.

Oração em meio a guerras e deslocamentos

O gesto do papa ganha peso em um cenário em que conflitos se multiplicam e se prolongam. Em 2025, organismos internacionais registram mais de 110 conflitos ativos e cerca de 90 milhões de deslocados forçados, entre refugiados e deslocados internos. Ao convocar o Terço da Paz, o pontífice volta a insistir que a fé não pode se acomodar diante de massacres, perseguições religiosas e crises humanitárias que se arrastam por anos.

Em mensagens recentes, o papa alerta que a humanidade corre o risco de se acostumar às imagens de cidades em ruínas, crianças em abrigos e corredores humanitários bloqueados. “Não podemos virar o rosto diante do sofrimento de populações inteiras presas na lógica da guerra”, afirma em uma de suas homilias mais recentes sobre o tema. A nova convocação para o terço funciona como um lembrete de que a oração, para ele, precisa caminhar junto com o compromisso concreto com quem está sob bombardeios ou fome.

Santuários como megafone da paz

Ao pedir explicitamente que todos os santuários se unam à iniciativa, o papa aciona uma rede que se estende da América Latina ao Oriente Médio, passando pela África, Ásia e Europa. Muitos desses locais recebem, todos os anos, mais de 1 milhão de peregrinos. Em Aparecida, por exemplo, o fluxo anual gira em torno de 8 milhões de visitantes. Essa capilaridade transforma o Terço da Paz em uma espécie de megafone espiritual, com repercussão bem além dos muros do Vaticano.

Reitores de santuários relatam a preparação de vigílias, mutirões de confissão, coletas especiais para vítimas de guerras e ações de acolhimento a migrantes. A ideia é que cada Igreja local traduza o apelo pela paz em gestos concretos, da mediação de conflitos em comunidades até o apoio a famílias refugiadas. Em muitos países, movimentos sociais e organizações de direitos humanos veem na mobilização uma oportunidade para pressionar governos a priorizar negociações e cessar-fogos duradouros.

Fé, pressão moral e diplomacia

A convocação do Terço da Paz não altera diretamente mapas militares, mas reforça a pressão moral sobre lideranças políticas. Em encontros com chefes de Estado, o papa volta a defender a retomada de canais de diálogo congelados há anos e condena o aumento de gastos militares. Em discursos recentes, cita números que chamam atenção: o mundo gasta mais de US$ 2,4 trilhões por ano em armamentos, enquanto apelos humanitários seguem subfinanciados.

A iniciativa fortalece ainda a articulação entre grupos religiosos que atuam em zonas de tensão. Comunidades cristãs, muçulmanas e judaicas, por exemplo, encontram em orações públicas pela paz um espaço comum, mesmo quando discordam em questões geopolíticas. “A fé não substitui a política, mas pode purificar intenções e abrir portas que a diplomacia, sozinha, não consegue empurrar”, resume um assessor próximo ao pontífice, sob reserva.

O que fica depois do terço

O efeito mais duradouro da convocação pode se manifestar na base, em paróquias e comunidades que decidem transformar a oração ocasional em compromisso permanente. Em alguns países, pastorais da paz e da justiça programam ciclos mensais de terços, formações sobre resolução pacífica de conflitos e campanhas contra discursos de ódio nas redes. A expectativa é que, ao longo dos próximos 12 meses, essa agenda ganhe densidade e se traduza em novas iniciativas de mediação e acolhida.

A partir da Gruta de Nossa Senhora, o gesto do pontífice se espalha como um teste à disposição do mundo de ouvir um apelo que não traz tanques, mas palavras. O Terço da Paz termina em poucos minutos, mas a pergunta que ele deixa no ar é mais longa: que tipo de futuro os líderes e as sociedades querem construir quando as vozes se calam e só resta o eco das escolhas feitas hoje?

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