Neymar revela condição a CBF e banca presença na Copa de 2026
Neymar garante ao presidente da CBF que estará em campo na Copa do Mundo de 2026, mesmo com lesão de grau 2 na panturrilha direita. A conversa ocorre às vésperas do embarque da seleção para os Estados Unidos, nesta segunda-feira (1º).
Otimismo direto ao topo da CBF
O camisa 10 chega ao centro de treinamento da seleção cercado por dúvidas sobre a panturrilha direita. A resposta, porém, sai da boca do próprio jogador, em tom quase desafiador. Ao ser questionado pelo presidente da CBF sobre a real condição para o Mundial, Neymar não hesita. Diz, em clima de bastidor revelado agora, que só precisa de tempo. “Vai dar, vai dar, óbvio”, afirma ao dirigente, repetindo o mantra que compartilha com a comissão técnica e com os colegas mais próximos.
A cena ocorre em meio a exames diários, fisioterapia intensa e um cronograma milimétrico traçado pela comissão médica. O diagnóstico, um edema de grau 2 na panturrilha direita, surge depois do jogo do Santos contra o Coritiba, em 17 de maio. A partida, no meio da maratona pré-convocação, expõe o risco que rondava o principal nome da seleção às vésperas da Copa. Nem o susto, porém, altera o discurso do atacante. “Foi difícil, mas valeu à pena, né?”, resume, ao falar da caminhada até a convocação.
O presidente da CBF ouve o relato do departamento médico, acompanha o otimismo do atleta e faz a pergunta que domina o país: Neymar chega ou não chega à Copa? O atacante responde com números do próprio corpo. “Hoje estou no meu peso”, diz, antes de completar, quase em tom de correção a um comentário sobre forma física. “Não, pô! Tô com 68.” A frase, aparentemente banal, é tratada como sinal de disciplina e confiança por quem acompanha de perto a rotina do jogador.
A longa travessia até a última Copa
A convocação de Neymar para o Mundial de 2026 não nasce de um gesto de gratidão. O atacante de 34 anos enfrenta uma sequência de problemas físicos, vê o debate sobre sua presença dominar programas esportivos por meses, mas oferece números que pesam na balança. Entre o final de 2025 e o início de 2026, consegue 15 participações em gol pelo Santos, com 11 gols e 4 assistências em 18 partidas. O rendimento convence Carlo Ancelotti de que ainda vale apostar em seu camisa 10.
O técnico italiano observa Neymar de perto, faz cobranças sobre condicionamento e intensidade, e recebe de volta um jogador disposto a encaixar-se em um time mais coletivo. O próprio atacante admite, em conversas com a comissão, que o Mundial dos Estados Unidos, Canadá e México é a última chance. Em janeiro de 2025, ele já havia declarado publicamente que 2026 seria sua despedida de Copas. A trajetória ajuda a dimensionar o peso de cada exame, cada treino e cada dor relatada neste momento.
A memória recente das lesões amplia a tensão. Em 2014, uma joelhada nas costas tira Neymar da semifinal contra a Alemanha e marca a campanha do 7 a 1. Em 2018, os problemas no pé direito e a eliminação para a Bélgica nas quartas alimentam a narrativa de uma estrela que não consegue decidir na reta final. Em 2022, a torção no tornozelo e a queda para a Croácia, também nas quartas, reforçam o rótulo de Copa inacabada. Agora, em 2026, ele insiste em virar a chave e transformar a história em desfecho.
O diálogo com o presidente da CBF funciona como espécie de pacto. De um lado, a entidade mantém o jogador na lista mesmo com o edema confirmado. Do outro, o camisa 10 assume o compromisso de chegar em condição de competir. O trabalho diário, segundo pessoas próximas ao estafe, inclui sessões de fisioterapia em três períodos, reforço muscular específico para a panturrilha e monitoramento de carga em todos os movimentos de arrancada e mudança de direção.
Impacto no elenco e na estratégia de Ancelotti
A decisão de manter Neymar na convocação mexe com toda a dinâmica da seleção. Carlo Ancelotti monta o plano tático contando com o craque ao menos a partir da fase de mata-mata. A presença do camisa 10 obriga a comissão a preparar dois roteiros. Em um, Neymar inicia o Mundial em campo, ainda sob controle rígido de minutos. No outro, começa no banco, entra em doses calculadas e ganha espaço conforme a panturrilha responde.
O impacto não é só médico. A hierarquia do elenco passa, inevitavelmente, pelo jogador que carrega a 10 da seleção há mais de uma década. Jovens como Vinícius Júnior e Rodrygo já assumem protagonismo técnico, mas ainda olham para Neymar como referência em jogos de peso. A frase otimista ao presidente da CBF circula entre os companheiros e ajuda a sustentar um clima de confiança às vésperas dos amistosos. Internamente, a sensação é de que, se ele está disposto a ir ao limite físico, o grupo precisa acompanhar.
Os clubes brasileiros também sentem reflexos diretos. O Santos, que convive com o risco de perder o principal jogador em um momento crucial da temporada, enxerga ao mesmo tempo vitrine e preocupação. Uma Copa forte de Neymar projeta o clube internacionalmente e valoriza o elenco, mas aumenta o risco de desgaste e de nova lesão na volta. A CBF negocia com o departamento médico santista cada passo do tratamento, ciente de que qualquer agravamento recairá sobre sua própria gestão.
Nos bastidores, o cálculo político também entra em campo. Um Mundial sem Neymar teria peso simbólico enorme para a atual direção da confederação. A manutenção do camisa 10 na lista, mesmo lesionado, reforça a aposta em um rosto conhecido para liderar o projeto de título. Ao mesmo tempo, a decisão abre espaço para críticas sobre o espaço reservado a veteranos em detrimento de jogadores fisicamente inteiros.
Corrida contra o relógio e a última chance de um título
A seleção embarca para os Estados Unidos nesta segunda-feira (1º) com o cronômetro ligado para Neymar. Os médicos trabalham com um prazo de recuperação que vai até a estreia no Mundial, em 11 de junho, mas evitam garantir presença em 100% das condições. O próprio atacante sabe que dificilmente alcançará a forma ideal logo no primeiro jogo. A meta interna é estar pronto para os momentos decisivos, a partir das oitavas de final.
O roteiro de superação, repetido em outras Copas, ganha contornos finais agora. Neymar disputa o quarto Mundial e busca o primeiro título com a camisa da seleção principal. A frase ao presidente da CBF, “Vai dar, vai dar, óbvio”, ressoa como compromisso público, mesmo dita em ambiente privado. O país volta a acompanhar boletins médicos, imagens de treinos controlados e cada passo do camisa 10 no gramado americano.
O que acontece nas próximas semanas define não só a campanha de 2026, mas também o capítulo final da relação entre Neymar e a seleção brasileira. A recuperação completa o coloca, mais uma vez, no centro de um possível título. Uma recaída, por outro lado, reabrirá o debate sobre como o Brasil lida com seus craques na reta final da carreira. Até que a bola role na Copa, a pergunta continua sem resposta definitiva: o corpo de Neymar acompanhará a promessa feita ao presidente da CBF?
