Corpo é encontrado em Ilhabela durante buscas por homem desaparecido
Um corpo é encontrado neste domingo (1º) durante as buscas por Dheorge, desaparecido há uma semana após um acidente com moto aquática em Ilhabela, no litoral norte paulista. As autoridades ainda não confirmam a identidade e encaminham o corpo para o Instituto Médico Legal (IML). A descoberta amplia a angústia de familiares e amigos, que aguardam respostas desde 24 de maio.
Corpo achado após uma semana de buscas no mar
Equipes do Grupo de Bombeiros Marítimo e o helicóptero Águia, da Polícia Militar, concentram o sétimo dia seguido de buscas quando localizam um corpo no mar de Ilhabela. A procura se volta a Dheorge, desaparecido desde a tarde de 24 de maio, após o afundamento da moto aquática em que estava com a amiga Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos.
O corpo é retirado da água e levado para a costa sob forte mobilização das equipes de resgate. Bombeiros e policiais evitam qualquer antecipação de informação e reforçam, em nota, que só a perícia técnica pode confirmar se se trata do homem procurado. A identificação depende de exames no IML, em São Paulo, que ainda não têm prazo divulgado para conclusão.
A suspeita de que o corpo possa ser de Dheorge se baseia apenas no local da localização, próximo à área onde o jet ski afunda e onde, nos últimos dias, os bombeiros encontram partes da moto aquática e um colete salva-vidas. O equipamento é reconhecido como pertencente a ele pelo Grupamento de Bombeiros Marítimo na última quinta-feira (28).
Enquanto a perícia não confirma a identidade, as buscas oficiais não são formalmente encerradas. A Marinha, os bombeiros e a Polícia Militar mantêm equipes de prontidão, monitorando a região do acidente e trechos do litoral entre Ilhabela, a Ilha de Búzios e a Ilha do Tamanduá, área onde a sobrevivente é encontrada.
Acidente de jet ski leva dupla ao mar aberto
O acidente ocorre no domingo, 24 de maio, por volta das 16h, durante uma confraternização de amigos em uma praia de Ilhabela. O grupo se reúne na faixa de areia quando Dheorge e Bruna decidem sair para um passeio de moto aquática, sem avisar um destino definido. Pouco depois, os dois deixam de ser vistos.
Antes de desaparecer, Dheorge publica nas redes sociais um vídeo pilotando o jet ski, em clima de lazer. As imagens viralizam nos dias seguintes, quando o sumiço se torna público e o caso passa a mobilizar moradores, turistas e equipes de resgate. O passeio rápido, planejado para durar poucos minutos, acaba em uma operação de busca que entra no oitavo dia.
Relatos de Bruna, divulgados em comunicado nas redes sociais, ajudam a reconstruir as últimas horas antes do desaparecimento do amigo. Ela conta que uma correnteza forte arrasta os dois para o mar aberto, longe da costa e da visão da praia. A moto aquática começa a afundar e deixa de servir como apoio.
“Ficamos juntos em todo momento até terça-feira (26) de madrugada. Meu colega não tirou o colete e eu não vi ele afundando”, relata. A jovem afirma que permanece com Dheorge em alto-mar por quase dois dias, agarrados aos coletes e tentando se manter à tona em meio à escuridão e ao frio. Em algum momento da madrugada, perde o contato visual com o amigo.
Bruna é localizada apenas no dia 26, cerca de 42 horas após o acidente, entre a Ilha de Búzios e a Ilha do Tamanduá, a aproximadamente 18 a 22 quilômetros do ponto de partida. Os bombeiros relatam que ela está debilitada, com quadro de hipotermia, mas consciente. Após atendimento médico, recebe alta hospitalar.
Nas redes sociais, ela explica o silêncio inicial sobre o caso. Diz que precisa de tempo para se recuperar e para organizar as lembranças do que considera um trauma extremo. “Ainda não tive a oportunidade de conversar com a família do meu colega, pois eu estava/estou me recuperando e não tinha cabeça para voltar toda a situação que aconteceu”, desabafa. Segundo ela, todas as informações relevantes já são repassadas às autoridades.
Comoção em Ilhabela e alerta sobre segurança no mar
O desaparecimento de Dheorge e o resgate dramático de Bruna expõem, mais uma vez, os riscos de passeios recreativos no mar em condições adversas. Ilhabela é um dos destinos náuticos mais procurados do estado de São Paulo e registra aumento de circulação de lanchas, veleiros e motos aquáticas em fins de semana e feriados prolongados.
Especialistas em segurança náutica ouvidos por autoridades locais destacam a importância do uso correto de coletes salva-vidas, do planejamento prévio da rota e da checagem de previsão do tempo e de correntes marítimas. No caso de Ilhabela, as correntes podem ser intensas e levar embarcações leves rapidamente para áreas de mar aberto, como relatado por Bruna.
A operação que busca Dheorge envolve o helicóptero Águia, embarcações de bombeiros e da Marinha e apoio de pescadores e moradores. Ao longo da semana, as equipes revistam faixas extensas do litoral norte, ajustando a área de varredura conforme surgem novos indícios. A localização do jet ski afundado na segunda-feira (25) ajuda a delimitar um perímetro mais preciso para os mergulhadores.
Com a confirmação de que o colete encontrado pertence a Dheorge, a partir de quinta-feira (28), os trabalhos se concentram ainda mais em torno da rota provável levada pela correnteza. O corpo encontrado neste domingo entra nessa mesma lógica de busca, mas só a perícia vai dizer se a procura por ele chega ao fim ou se as equipes terão de estender o trabalho por mais dias.
Para a comunidade local, o caso reforça o debate sobre fiscalização de motos aquáticas e exigência de habilitação e treinamento dos condutores. A possibilidade de novas regras municipais e campanhas educativas ganha força em conversas entre comerciantes, operadores de turismo e autoridades. A expectativa é de que o episódio se converta em medidas concretas de prevenção, especialmente antes da alta temporada de verão.
Perícia define identidade e próximos passos da investigação
A confirmação da identidade do corpo encontrado depende dos exames do IML, que podem incluir análise de características físicas, arcada dentária e, se necessário, teste de DNA. Só depois desse laudo as autoridades devem se pronunciar oficialmente e decidir se encerram a fase de buscas no mar.
A Polícia Civil mantém um inquérito para esclarecer as circunstâncias do acidente com a moto aquática. Investigadores vão cruzar o relato de Bruna, dados de previsão do tempo, registros de navegação e eventuais imagens de câmeras de segurança em marinas e pontos de embarque. O objetivo é entender se houve falha humana, imprudência, problema mecânico ou combinação de fatores.
Enquanto a investigação avança, familiares de Dheorge vivem a espera por uma confirmação que pode significar tanto alívio quanto luto definitivo. O drama pessoal, exposto ao longo de oito dias, se mistura ao debate público sobre segurança aquática e sobre a estrutura das forças de resgate no litoral paulista.
O laudo do IML e as conclusões do inquérito policial devem orientar eventuais mudanças em regras locais de navegação e em campanhas educativas voltadas a turistas e moradores. A cada temporada, o desafio das autoridades será transformar casos como o de Ilhabela em alertas permanentes, para que um passeio de fim de tarde não termine novamente em buscas e indefinição.
