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Passageira morre após cair de escada de avião em Congonhas

Uma passageira do voo LA3785 da Latam morre após cair da escada do avião durante desembarque no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na sexta-feira (29). A queda ocorre depois da chegada da aeronave vinda de Ribeirão Preto e acende novo alerta sobre segurança em operações em solo.

Acidente em um dos aeroportos mais movimentados do país

O acidente acontece no fim de tarde de uma sexta-feira de fluxo intenso em Congonhas, um dos aeroportos mais movimentados do Brasil, que em 2023 registra mais de 22 milhões de passageiros. A aeronave da Latam pousa após o trajeto entre Ribeirão Preto e São Paulo, rota de negócios e de conexões para outras capitais. Durante o desembarque pela escada móvel, a passageira se desequilibra, cai de uma altura suficiente para causar ferimentos graves e precisa de atendimento imediato da equipe médica.

Profissionais de emergência do aeroporto são acionados por volta do horário de desembarque e prestam os primeiros socorros ainda na pista. De acordo com a Latam, uma ambulância remove a vítima para atendimento em unidade de saúde da região sul da capital, a UPA Jabaquara, administrada pela prefeitura de São Paulo. Uma funcionária da companhia acompanha a passageira até a chegada dos familiares, em um esforço para dar suporte no momento mais crítico.

Versões oficiais e rotina de segurança em xeque

Em nota, a Latam afirma que lamenta o ocorrido e diz seguir os protocolos previstos para casos de acidente com passageiro em solo. “A LATAM lamenta profundamente o falecimento da passageira e é solidária com seus familiares. A companhia ressalta que segue todos os protocolos previstos para esse tipo de situação, reiterando que adota todas as medidas de segurança possíveis, técnicas e operacionais, para garantir uma viagem segura para todos”, informa a empresa. A declaração procura mostrar que o episódio é tratado como exceção em uma rotina que envolve milhares de pousos e decolagens mensais.

A Aena, concessionária espanhola que administra Congonhas e outros 16 aeroportos no Brasil desde 2022, também se manifesta. Em comunicado, relata o acionamento das equipes médicas para atender a passageira no momento da queda. “A Aena informa que as equipes médicas do Aeroporto de Congonhas foram acionadas na última sexta-feira para atendimento a uma passageira que sofreu uma queda ao descer a escada durante o desembarque do voo. Após os primeiros socorros, a passageira foi removida para a UPA Jabaquara. A Aena lamenta profundamente o falecimento da passageira e expressa solidariedade aos familiares e amigos”, diz a nota. As empresas evitam, por ora, detalhar as circunstâncias da queda, como o tipo de escada utilizada, a presença de agentes de solo na base da estrutura ou eventuais sinais de interdição da área.

Impacto sobre protocolos e rotina de embarque

O caso reacende o debate sobre o uso de escadas móveis em aeroportos de grande porte, em especial sob chuva, vento forte ou à noite, quando a visibilidade é reduzida. Em Congonhas, parte dos voos utiliza pontes de embarque, conhecidas como fingers, enquanto outra parcela opera com escadas externas que exigem deslocamento a pé pela pista. A regulamentação prevê que equipes de solo orientem o fluxo e que corrimãos, sinalização e calçamento estejam em boas condições. Mesmo assim, o risco de queda permanece, sobretudo para passageiros idosos, com mobilidade reduzida ou que carregam bagagens de mão pesadas.

A morte da passageira pressiona companhias aéreas, concessionárias e órgãos públicos a revisarem rotinas. Em operações que movimentam dezenas de milhares de pessoas por dia, um único erro de procedimento, uma superfície escorregadia ou uma distração de segundos podem resultar em trauma grave. A responsabilidade civil em casos como esse costuma ser compartilhada, a depender de laudos técnicos e de eventuais investigações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Polícia Civil. A família da vítima pode recorrer à Justiça em busca de indenização por danos materiais e morais, processo que, em disputas semelhantes, se arrasta por anos.

O que pode mudar após a tragédia

A morte em Congonhas tende a provocar uma revisão interna de procedimentos na Latam e na Aena. Em episódios anteriores de acidente em solo, empresas adotam medidas como reforço de treinamento de equipes, revisão de escadas e piso, checagem de iluminação e aumento da presença de funcionários em momentos de embarque e desembarque. Nos bastidores do setor aéreo, acidentes fatais envolvendo escadas são raros, mas quedas com fraturas e contusões aparecem com frequência em relatos de comissários e agentes de rampa.

O caso também pode levar a novos questionamentos sobre a capacidade de infraestrutura de Congonhas e de outros terminais regionais em acompanhar o crescimento da demanda. Em 10 anos, o transporte aéreo doméstico aumenta em milhões de passageiros, enquanto parte das pistas e pátios permanece com limitações físicas. Uma investigação deve apontar se houve falha individual, problema estrutural ou combinação dos dois fatores. Até lá, a tragédia deixa uma pergunta incômoda para companhias, concessionárias e reguladores: que tipo de risco os passageiros ainda enfrentam ao deixar o assento do avião e pisar no solo do aeroporto?

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