Mulher cai de hotel em São Luís; janela é periciada pela polícia
Investigação apura se falha estrutural na janela contribuiu para a queda fatal de jovem em hotel de São Luís.

Velada e sepultada nesta quinta-feira em Ananindeua, na Grande Belém, a paraense Renata Rebeca Negrão Saldanha dos Santos, de 26 anos, morreu após cair do 7º andar do Rio Potty Hotel, em São Luís, em uma queda provocada pelo desprendimento da estrutura de alumínio de uma janela de corredor que agora é alvo de perícia da Polícia Civil.
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Polícia apura falha na janela após queda de jovem em hotel
A queda aconteceu na madrugada de terça-feira, por volta de 1h30, em um corredor do hotel na capital maranhense. Imagens de câmera de segurança mostram Renata e o namorado, Leonardo Augusto Pinto França, parados em frente ao quarto, possivelmente procurando a chave. Em determinado momento, Leonardo esbarra na janela, que se abre parcialmente. Com uma mochila nas mãos, Renata se senta em um tipo de batente junto à abertura e se apoia na parte de alumínio da janela.
De acordo com o delegado George Marques, da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), essa estrutura se solta em seguida. “Renata se sentou em uma espécie de batente e se encostou em uma estrutura de alumínio da janela”, descreveu o delegado. Ao se desprender, a peça teria tirado o apoio da jovem, que perde o equilíbrio e cai do 7º andar.
Leonardo aparece nas imagens tentando entender o que ocorreu, enquanto um funcionário do hotel chega ao corredor logo depois. O namorado foi levado à delegacia, prestou depoimento e foi liberado. A Polícia Civil trata o caso como acidente, mas investiga se houve falha estrutural ou negligência na manutenção da janela do corredor.
Peritos analisam a peça de alumínio e o sistema de fixação da janela para identificar o que provocou o desprendimento. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que, por enquanto, não há laudo conclusivo sobre a causa da falha nem indicação formal de irregularidades por parte do hotel.
Família cobra justiça e responsabilização do hotel
O corpo de Renata foi levado de São Luís para Ananindeua, cidade a cerca de 558 km da capital maranhense, onde ela cresceu. O velório aconteceu na casa da família, no bairro do Coqueiro, e o sepultamento foi realizado às 10h desta quinta-feira, em um cemitério particular do município.
Abalada, a mãe da jovem, Bety Negrão, resumiu a dor da família. “A minha filha saiu daqui com vida. É muito triste isso”, disse, ao cobrar respostas das autoridades e do hotel sobre as circunstâncias da queda.
Parentes e amigos questionam a segurança do prédio e afirmam que a estrutura nunca deveria ter cedido ao simples apoio de uma pessoa. “O hotel tem que ser responsabilizado, pois não deveria ter algo provisório ali”, afirmou um parente.
Um amigo da família, que prefere não ser identificado, também critica a manutenção do local, lembrando que o hotel fica próximo ao litoral de São Luís, onde materiais metálicos sofrem maior desgaste. “Por ficar bem próximo ali à praia, acho que a manutenção tem que ser constante, principalmente numa janela que é de alumínio”, disse. Para ele, o risco não se limitava à jovem de 26 anos. “Assim como foi um acidente com a Renata, que ela se encostou e rápido caiu, num piscar de olhos, poderia acontecer com uma criança também, com muito menos força”, alertou.
Além da dor pela perda, familiares relatam insatisfação com o suporte oferecido pelo hotel após a tragédia, afirmando que a assistência não cobriu todas as despesas relacionadas ao traslado e ao sepultamento.
Entenda o contexto
Renata cursava administração no Pará e viajou a São Luís para acompanhar o namorado, que participava de um campeonato de pôquer na cidade. Eles estavam hospedados no Rio Potty Hotel, na região central da capital maranhense. A queda ocorreu em uma área comum, no corredor onde ficam os quartos, e não dentro da suíte.
O caso reacende o debate sobre segurança em prédios de hospedagem em São Luís, capital histórica e turística que convive com edifícios antigos, estruturas expostas à maresia e fluxo intenso de visitantes. Em locais próximos ao mar, como a cidade de São Luís do Maranhão, a corrosão de estruturas metálicas exige manutenção mais frequente para evitar que janelas, parapeitos e grades percam resistência.
Especialistas em engenharia consultados por autoridades deverão avaliar se o sistema de travas e o estado de conservação da janela do hotel eram compatíveis com as normas de segurança. A investigação também deve olhar para a rotina de vistorias internas e eventuais registros de reparos anteriores no mesmo ponto.
Hotel não se manifesta e investigação pode atingir setor
Procurado pela reportagem, o Rio Potty Hotel informou apenas que não vai se manifestar sobre o caso neste momento. Internamente, a administração deverá ser chamada a prestar esclarecimentos à Delegacia de Homicídios de São Luís e à SHPP, que já programam depoimentos de funcionários, responsáveis pela manutenção e gestores do estabelecimento.
Dependendo do que apontarem as perícias, o hotel pode ser alvo de responsabilização civil por danos à família e, em caso de comprovada negligência, de eventual responsabilização criminal de seus responsáveis legais.
A morte de Renata também acende um sinal de alerta para o setor de hospedagem em São Luís, cidade que vive do turismo e cuja segurança de hóspedes influencia diretamente a imagem da capital. Se novas irregularidades forem identificadas em outras estruturas, órgãos de fiscalização podem intensificar inspeções em hotéis e pousadas da região, pressionando por manutenção mais rigorosa em janelas e áreas comuns.
Enquanto a apuração segue em São Luís, a família, em Ananindeua, tenta lidar com a perda e insiste em um ponto: entender exatamente por que uma jovem de 26 anos, apoiada em uma janela de hotel, caiu sete andares abaixo em poucos segundos.


