Lesão grave tira Éder Militão da Copa do Mundo de 2026
Éder Militão está fora da Copa do Mundo de 2026. O zagueiro de 28 anos do Real Madrid sofre lesão grave no tendão do bíceps femoral da perna esquerda, detectada em 21 de abril, e passa por cirurgia que o afasta do Mundial.
Da dor em campo à mesa de cirurgia
O roteiro da lesão começa na vitória do Real Madrid sobre o Alavés, em 21 de abril, pelo Campeonato Espanhol. Militão sente um incômodo forte na parte posterior da coxa esquerda ainda no primeiro tempo e deixa o gramado com expressão de dor, sob aplausos da torcida merengue. Exames realizados logo depois confirmam o problema no tendão do bíceps femoral, músculo fundamental para arranque, salto e mudanças bruscas de direção.
O clube e o estafe do jogador optam por uma solução rápida e agressiva. Militão viaja à Finlândia para ser operado por Lasse Lempainen, médico conhecido por tratar lesões semelhantes em atletas de alto rendimento. O procedimento acontece poucos dias após o jogo contra o Alavés e é considerado bem-sucedido. A recuperação, porém, exige meses de fisioterapia intensa e afasta o defensor de qualquer possibilidade de disputar a Copa do Mundo pela seleção brasileira.
O caso acende um alerta sobre a sequência de problemas físicos do zagueiro. Desde a Copa do Mundo do Catar, em 2022, esta é a terceira cirurgia pela qual o defensor passa. A sobrecarga de jogos por Real Madrid e seleção, com calendários que se estendem por quase 11 meses por ano, entra de vez no centro do debate. A lesão atual nasce de um quadro de esforço acumulado e é agravada no duelo contra o Alavés, quando as dores se tornam impossíveis de ignorar.
No Real Madrid, Militão é peça central da defesa e também atua como lateral direito quando necessário. A versatilidade agrada a técnicos e dirigentes, mas cobra preço alto do corpo. O próprio Carlo Ancelotti, em entrevistas recentes, elogia a capacidade do brasileiro de “jogar por dois setores” e destaca que o elenco se organiza contando com essa dupla função.
Baixa pesada para a seleção e para o Real Madrid
A ausência de Militão muda o tabuleiro para a seleção brasileira às vésperas do Mundial de 2026. O zagueiro se consolida nos últimos anos como um dos pilares da defesa, capaz de atuar tanto pelo lado direito da zaga quanto aberto, quase como lateral. O plano inicial de Carlo Ancelotti, agora à frente do Brasil, é ter o jogador como solução híbrida em jogos mais duros.
Sem ele, o treinador é obrigado a redesenhar a defesa. Nos amistosos recentes contra França e Croácia, já sem poder contar com o camisa 3, Ancelotti testa o zagueiro Ibañez improvisado na lateral direita na vitória por 3 a 1 sobre os croatas. A experiência indica o caminho provável para a Copa, mas também expõe a dependência da seleção de jogadores multifuncionais em um torneio de apenas 26 vagas.
A situação se agrava com a confirmação de que Rodrygo, também do Real Madrid, fica fora do início da temporada da seleção em 2026. O atacante passa por cirurgia no joelho direito e só deve voltar a jogar no segundo semestre. A combinação das duas ausências desmonta parte do eixo montado por Ancelotti, que contava com Militão na base defensiva e com Rodrygo como peça móvel no ataque.
No clube espanhol, o impacto não é menor. Militão é um dos titulares mais utilizados nas últimas temporadas, seja na dupla de zaga, seja como lateral em jogos de maior exigência física. A lesão no tendão do bíceps femoral, que costuma exigir ao menos três a quatro meses de recuperação em casos graves, obriga o Real Madrid a replanejar o elenco para a fase decisiva de LaLiga e da Champions League.
Dirigentes e comissão técnica tratam o tema com cautela, mas o cenário é de preocupação. A terceira cirurgia em quatro anos levanta dúvidas sobre a capacidade do defensor de manter a mesma intensidade que o consagra como um dos zagueiros mais dominantes da Europa. Fisiologistas alertam que lesões em cadeia, especialmente em músculos da coxa, podem alterar padrões de movimento e exigir adaptações permanentes.
Calendário, futuro e uma defesa em reconstrução
A lesão de Militão reacende o debate sobre o limite físico dos jogadores de elite. Desde 2022, o defensor atravessa maratonas de jogos por clube, seleção, Liga dos Campeões, Mundial de Clubes e Data Fifa, com poucas janelas reais de descanso. A cirurgia no tendão do bíceps femoral funciona como freio forçado nessa sequência e deixa uma pergunta incômoda para cartolas e treinadores: até onde é possível esticar o corpo sem quebrar?
No curto prazo, a seleção precisa encontrar respostas dentro do próprio elenco. Ibañez ganha espaço como opção pelo lado direito, enquanto outros zagueiros disputam vaga para herdar o posto deixado por Militão. O sistema defensivo, que tinha no jogador do Real Madrid um ponto de segurança e saída de bola qualificada, entra em fase de testes a poucas semanas do início da Copa.
Para Militão, o desafio é reconstruir a carreira em meio a sucessivas intervenções médicas. A recuperação na Finlândia, sob supervisão de Lasse Lempainen, marca o início de um processo longo, que exige paciência, disciplina e alguma dose de sorte. A meta imediata deixa de ser a Copa e passa a ser voltar a atuar em alto nível pelo Real Madrid e, depois, brigar novamente por espaço na seleção.
O desfecho ainda está em aberto. A lesão que o tira do Mundial pode virar ponto de virada na forma como o futebol administra a saúde de seus protagonistas ou apenas mais um alerta ignorado. Enquanto o Brasil refaz planos sem um de seus principais defensores, o futuro de Éder Militão passa a depender menos do calendário e mais de como o corpo responde ao terceiro grande reparo em quatro anos.
