Petrobras aumenta querosene de aviação em 7,2% e pode pressionar preço das passagens
Reajuste entrou em vigor neste domingo (1º) e representa acréscimo de R$ 0,45 por litro para as distribuidoras; combustível já havia registrado alta em outubro

O custo das operações aéreas deve enfrentar uma nova pressão a partir deste mês. A Petrobras anunciou um reajuste de 7,2% no preço médio do querosene de aviação (QAV) comercializado com distribuidoras. O aumento corresponde a R$ 0,45 por litro e começou a valer neste domingo (1º).
LEIA MAIS
Leia também: Caixa Tem mantém conta ativa sem uso por tempo ilimitado, entenda
Petrobras confirma terceira descoberta de petróleo no Amapá e encerra perfuração do poço
A nova elevação ocorre depois de outro aumento registrado em outubro, quando o combustível ficou 11,76% mais caro. Considerando os dois reajustes consecutivos, a alta acumulada nos últimos dois meses chega a aproximadamente 19,8%.
Petrobras explica motivos do reajuste
Segundo a estatal, a decisão acompanha a valorização das cotações internacionais do querosene de aviação. Entre os fatores apontados estão o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, em consequência da guerra entre os dois países.
Essas condições afetam a oferta internacional de combustíveis e pressionam os preços praticados no mercado global.
A Petrobras também informou que a formação dos preços no Brasil segue uma fórmula prevista em contrato, com reajustes mensais. O mecanismo funciona como um amortecedor das oscilações de curto prazo, diferentemente de mercados internacionais nos quais os valores podem sofrer alterações diariamente.
De acordo com a empresa, desde o início das tensões no Oriente Médio, a valorização acumulada do QAV no mercado brasileiro permanece abaixo da registrada internacionalmente.
Aumento pode afetar passagens aéreas
O querosene de aviação está entre os principais componentes das despesas das companhias aéreas. Com os reajustes consecutivos, a participação do combustível nos custos operacionais das empresas passou de 32% para aproximadamente 45%, segundo representantes do setor.
A elevação pode aumentar a pressão sobre as tarifas cobradas dos passageiros, já que as empresas precisam lidar com despesas maiores para manter as operações.
Em outubro, as passagens aéreas registraram alta de 9,66%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados pelo IBGE. No mesmo mês, a inflação oficial ficou em 0,82%.
Apesar da possibilidade de novos repasses, o aumento de 7,2% no querosene não significa que os bilhetes ficarão automaticamente mais caros na mesma proporção. Os preços também dependem da demanda, da concorrência, da disponibilidade de assentos e das estratégias comerciais das companhias.
A nova elevação, entretanto, representa mais um desafio para o setor aéreo, que enfrenta o encarecimento de um dos principais insumos utilizados nas operações.


