Deco admite sondagens por João Pedro e Julián Álvarez para 2025-26
O diretor esportivo do Barcelona, Deco, admite que o clube já conversa com João Pedro e Julián Álvarez para a temporada 2025-26, mas ainda sem negociar com Chelsea e Atlético de Madri. As tratativas seguem em estágio preliminar, restritas a sondagens com jogadores e agentes.
Barça abre jogo sobre mapeamento do ataque
O movimento do Barcelona expõe, com meses de antecedência, a prioridade do clube para o próximo ciclo: reforçar o ataque com jogadores em idade de auge. Em entrevista ao jornal espanhol Marca, Deco descreve um trabalho de bastidor intenso, mas ainda discreto, para entender a real disponibilidade de alvos no mercado europeu.
João Pedro, atacante brasileiro do Chelsea, surge como uma das opções principais nesse desenho. O dirigente admite a proximidade com pessoas ligadas ao jogador, o que facilita a leitura de cenário, mas coloca freio em qualquer leitura de acerto iminente. “Por enquanto, não podemos dizer nada, há muitos jogadores com quem falamos um pouco com o entorno para ver o que vai acontecer. Ainda não falamos com os clubes… estamos trabalhando”, afirma.
A escolha pelas palavras mostra o equilíbrio entre transparência e cautela. Ao reconhecer contatos informais, Deco sinaliza ao mercado que o Barcelona está ativo e tem plano, sem criar expectativa contratual que não existe. Sobre João Pedro, ele vai até onde considera seguro: “Eu conheço bastante o entorno de João Pedro, mas não quero aprofundar no assunto”.
O tom muda quando surge o nome de Julián Álvarez, hoje no Atlético de Madri. A resposta é curta, quase automática: “Vamos ver, vamos ver”. A frase, de três palavras repetidas, mantém todas as portas abertas e, ao mesmo tempo, evita qualquer conflito institucional com o clube rival, que convive com o Barcelona na mesma liga e na mesma faixa de ambição esportiva.
Mercado, pressão esportiva e disputa por protagonismo
A antecipação do planejamento para 2025-26 não ocorre no vazio. O Barcelona vive pressão esportiva e financeira desde a saída de Lionel Messi em 2021, tenta se manter competitivo em La Liga e na Liga dos Campeões e precisa acertar mais nas contratações. Cada erro caro reduz a margem de manobra num orçamento já comprimido por teto salarial e por acordos recentes com La Liga.
Ao mirar jogadores como João Pedro, de 23 anos, e Julián Álvarez, de 25, o clube busca um equilíbrio entre idade, potencial de revenda e capacidade de decidir jogos grandes. Trata-se de um perfil que, em transferências recentes, costuma movimentar cifras na casa de dezenas de milhões de euros, num mercado em que negócios acima de 60 milhões se tornam cada vez mais frequentes entre gigantes europeus.
Deco descreve uma estratégia em duas etapas. A primeira, em curso, passa por conversas com atletas e representantes. Só depois, se houver sinal verde, o clube avança para tratativas formais com Chelsea, Atlético de Madri ou qualquer outro envolvido. Essa engenharia tenta reduzir o risco de negociações longas e públicas que terminam sem acordo, algo comum em janelas anteriores do futebol europeu.
Hansi Flick, técnico contratado para conduzir o time no médio prazo, pressiona por elenco mais profundo para 2025-26. A comissão técnica vê a próxima temporada como ponto de virada, com a obrigação de disputar La Liga rodada a rodada e brigar ao menos por quartas e semifinais de Champions. A demanda é clara: mais opções ofensivas, com capacidade de jogar em diferentes funções na frente.
A situação de Marcus Rashford, emprestado pelo Manchester United até junho, entra nesse tabuleiro. Deco evita qualquer indicação pública sobre compra em definitivo ou novo empréstimo. O silêncio calcula o impacto em três frentes: vestiário, negociação com o United e percepção de mercado, já que cada declaração pode mexer em valores, bônus e prazo de contrato.
Disputa por espaço, torcedor em alerta e próximos passos
A revelação das sondagens coloca holofote direto sobre o setor ofensivo do Barcelona. Jogadores atuais convivem com a consciência de que o clube observa alternativas. Para alguns, a abertura de concorrência pode significar perda de minutos em campo e eventual saída já na próxima janela. Para outros, funciona como gatilho para elevar rendimento em 2024-25 e se manter no projeto.
No mercado, agentes e clubes rivais tomam nota imediata. Quando um gigante europeu admite interesse em dois atacantes do calibre de João Pedro e Julián Álvarez, possíveis pretendentes aceleram planos. A simples menção pública de Deco é suficiente para inflacionar conversas e antecipar reuniões, numa corrida que envolve salários, tempo de contrato e promessa de protagonismo em campo.
O torcedor, por sua vez, reage com mistura de expectativa e cautela. O Barcelona conviveu, nos últimos cinco anos, com anúncios ruidosos, negociações travadas e saídas traumáticas. O discurso mais contido do diretor esportivo tenta justamente reorganizar essa relação com a opinião pública: menos promessa, mais processo, com foco na janela do meio de 2025, quando a montagem do elenco para 2025-26 entra na fase decisiva.
Deco reforça que o clube trabalha com mais de um alvo para o ataque, numa espécie de lista dinâmica que se ajusta a cada resultado, a cada lesão e a cada movimento de concorrentes. A ideia é chegar à reta final da temporada atual com cenários claros: quem pode sair, quanto é possível investir em reforços e qual perfil de atacante faz mais sentido para Flick em termos táticos.
As próximas semanas tendem a trazer novas pistas, mas poucas certezas. A temporada 2024-25 ainda define vagas em competições europeias, bônus de desempenho e até o humor interno para aprovar grandes operações. O futuro do ataque azul-grená passa por decisões que não se limitam a nomes, e sim a quanto o Barcelona está disposto a gastar, negociar e esperar para transformar sondagens em contratos assinados.
