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Campanha irregular faz Fluminense perder cerca de R$ 7 mi na Libertadores

O Fluminense deixa de arrecadar cerca de R$ 7 milhões em premiações na fase de grupos da Libertadores de 2026 após uma campanha irregular até aqui. Com apenas uma vitória em cinco jogos, o clube chega à última rodada sob pressão esportiva e financeira no Maracanã.

Vitórias que não vieram e dinheiro que escapa

O time que inicia o ano sonhando alto na América do Sul se vê, em maio, fazendo contas. Em campo, o desempenho é modesto: uma vitória, dois empates e duas derrotas em cinco partidas do Grupo C. Fora dele, a matemática da Conmebol revela o tamanho da frustração.

Cada triunfo na fase de grupos rende 340 mil dólares, cerca de R$ 1,75 milhão na cotação atual. Se tivesse vencido os cinco jogos disputados até agora, o Fluminense teria embolsado cerca de R$ 8,75 milhões apenas em bônus por resultados. Com só um triunfo, o clube arrecada perto de R$ 1,75 milhão nesse item e deixa de faturar aproximadamente R$ 7 milhões.

A conta ainda não está fechada. O Tricolor recebe o Deportivo La Guaira no dia 27, no Maracanã, em jogo marcado como “vida ou morte” nos bastidores. Uma vitória rende mais R$ 1,75 milhão. Um tropeço aumenta a perda total na fase de grupos para algo próximo de R$ 8,75 milhões, considerando o cenário máximo possível de seis vitórias.

A premiação fixa pela participação na fase de grupos ameniza pouco o quadro. O clube já garantiu 1 milhão de dólares, cerca de R$ 5,15 milhões, apenas por disputar essa etapa. Somado ao bônus da única vitória, o Flu acumula perto de R$ 6,9 milhões na competição. Se chegasse a seis vitórias, o montante poderia se aproximar de R$ 15,6 milhões antes mesmo do mata-mata.

Pressão esportiva se mistura ao caixa

O peso da tabela se mistura ao dos cofres. A classificação às oitavas de final vale mais 1,25 milhão de dólares, algo em torno de R$ 6,44 milhões. O risco de eliminação precoce coloca também esse valor em suspenso e acende o alerta no departamento financeiro.

O orçamento de 2026 foi construído com a expectativa de receitas esportivas robustas, puxadas justamente pela Libertadores. A conquista continental recente e os investimentos no elenco alimentam o cenário otimista no início da temporada. A campanha irregular, porém, desmonta parte desse plano e obriga a diretoria a revisar projeções.

Nos corredores das Laranjeiras, a avaliação é que o resultado de terça no Maracanã influencia a rota do ano. Uma classificação recoloca o clube na vitrine da América do Sul, mantém viva a chance de ganhar mais de R$ 6 milhões nas oitavas e dá fôlego para segurar jogadores valorizados. Uma queda na fase de grupos empurra o Fluminense para um mercado mais vendedor.

A dependência de outras frentes também cresce. Sem avanço na Libertadores, o clube passa a mirar com mais urgência as premiações de Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. O desenho esportivo da temporada ficaria mais doméstico, enquanto a ambição internacional volta a ser projeto de médio prazo.

O duelo com o La Guaira expõe esse ponto de ruptura. Com cinco pontos, mesma pontuação do Bolívar, o Fluminense precisa fazer um resultado melhor do que o dos bolivianos, que encaram o Independiente Rivadavia. Se vencer no Maracanã, torce por empate ou derrota do Bolívar. Se empatar, depende da derrota dos rivais para avançar. Não se trata apenas de matemática de classificação, mas de rearranjo de prioridades dentro do clube.

O que está em jogo na última rodada

O clima no vestiário acompanha o momento. O grupo sabe que a noite de 27 de maio pode redefinir o ano. Jogadores e comissão técnica trabalham com a ideia de uma decisão antecipada, em que cada gol pode significar milhões. A expressão “jogo de vida ou morte” circula entre dirigentes e staff não por acaso: ela traduz a combinação de urgência esportiva e necessidade de receita.

A diretoria admite, em conversas reservadas, que um revés na Libertadores abre espaço para medidas impopulares. Vendas de jogadores na próxima janela, postergação de investimentos planejados e ajustes no orçamento entram no radar imediato. O torcedor sente esse risco, vê o clube pressionado e enxerga na arquibancada do Maracanã um palco para tentar mudar a narrativa.

O outro lado da moeda ainda está disponível. Uma atuação convincente contra o La Guaira, classificação garantida e o bônus das oitavas recolocam o Fluminense em um trilho mais próximo do que foi projetado para 2026. A Libertadores volta a ser oportunidade de receita e de exposição, não apenas uma conta mal resolvida na planilha.

Os próximos 90 minutos no Maracanã definem mais do que o futuro do Fluminense no torneio. Eles indicam até que ponto o clube consegue sustentar um projeto esportivo ambicioso em meio a um cenário financeiro apertado. A resposta sai do campo, mas ecoa direto no caixa e na estratégia para o restante da temporada.

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