City vira sobre o Southampton e vai à 4ª final seguida da Copa da Inglaterra
O Manchester City vence o Southampton por 2 a 1, de virada, neste sábado (25), no Etihad Stadium, e garante vaga na final da Copa da Inglaterra. O time de Pep Guardiola sofre, mas resolve o jogo nos minutos finais e chega à sua quarta decisão consecutiva da FA Cup, derrubando uma invencibilidade de 20 partidas dos visitantes.
Virada em sete minutos muda o rumo da semifinal
O roteiro da tarde em Manchester parece definido quando Azaz abre o placar para o Southampton aos 33 minutos do segundo tempo. O meia recebe na entrada da área, gira sem marcação e acerta o ângulo, em um chute que silencia o estádio e premia o plano de jogo dos visitantes, fechados desde o início em busca do contra-ataque perfeito.
O gol coroava um trabalho defensivo paciente. Durante mais de 75 minutos, o Southampton segura a pressão do City, bloqueia finalizações de longa e curta distância e explora cada espaço deixado na transição. A estratégia quase funciona. Nesse cenário, a vaga em Wembley parece escapar do atual campeão inglês, que domina a posse, mas esbarra na linha de impedimento, na pontaria falha e em uma tarde segura do goleiro Peretz.
A resposta vem em ritmo de urgência. Três minutos depois do 0 a 1, Doku arrisca de fora da área. A bola desvia na zaga e engana Peretz, aos 36, reacendendo o Etihad e mudando o humor da semifinal. O empate aumenta a pressão sobre a defesa visitante, que até ali havia resistido com heroísmo às investidas de Kovacic, Reijnders, Savinho e González.
A virada chega aos 41 minutos e transforma a partida. González recebe passe vindo da direita, ajeita o corpo e solta um chute forte, indefensável, no canto. O gol da classificação provoca explosão nas arquibancadas e é comemorado com intensidade pelos jogadores, que correm em direção ao argentino. A imagem circula nas redes sociais oficiais do clube, reforçando o peso emocional da reação em casa.
O apito final confirma o City em mais uma decisão da FA Cup, marcada para 16 de maio, em Wembley. A equipe volta a mostrar capacidade de decidir sob pressão, algo que pesa em um calendário que ainda reserva confrontos decisivos em outras frentes da temporada.
Domínio do City, resistência do Southampton e brasileiros em evidência
O primeiro tempo não tem gols, mas apresenta o desenho da partida. O City controla a bola durante a maior parte dos 45 minutos iniciais, circula o jogo de um lado a outro e tenta infiltrar com passes curtos. Quando consegue finalizar, tromba com a linha de impedimento bem ajustada e com a mira descalibrada. Kovacic cria a melhor chance aos 19, quando invade a área e bate cruzado, perto da trave.
O Southampton responde com um bloco baixo, compacto, e aposta nas transições rápidas. Léo Scienza, brasileiro que atua pelo lado esquerdo, é o principal desafogo ofensivo. Ele chega a mandar a bola para a rede após receber em velocidade e finalizar de dentro da área, mas o lance é anulado por impedimento na origem da jogada. O alívio dos defensores do City contrasta com a frustração do atacante, que vinha sendo o jogador mais perigoso dos visitantes.
Na defesa, outro brasileiro aparece com destaque. O lateral Welington faz uma partida segura, vence duelos dentro da área e impede que as triangulações do City encontrem espaço pelo seu lado. A atuação reforça a presença de jogadores formados no futebol brasileiro em duelos decisivos da elite europeia, ainda que em clubes com perfis diferentes.
O segundo tempo amplia o cenário de ataque contra defesa. O City empurra o Southampton para perto da própria área, tenta de fora com Reijnders, que chuta rente à trave, e acelera pelos lados. Guardiola coloca Savinho para aumentar o drible em espaço curto. O brasileiro entra bem, parte para cima e obriga Peretz a fazer grande defesa em chute dentro da área.
O goleiro segue em evidência. Em uma sequência de lances, defende chute forte de González, espalma para frente e vê Cherki bater no rebote para cima da zaga. A bola sobra limpa para Reijnders, que, sem marcação, manda para fora. O lance ilustra o drama do City na criação e a resiliência defensiva dos visitantes até o contra-ataque que origina o gol de Azaz.
O próprio 1 a 0 do Southampton nasce de uma rara falha na saída de bola do City. Jander rouba no meio-campo, aciona Léo Scienza pela esquerda, e o brasileiro encontra Fellows livre para ajeitar a bola à frente. Azaz aparece em velocidade, recebe de frente para o gol e, com calma, escolhe o ângulo. O chute, aos 33 minutos, parece encaminhar uma surpresa histórica em Manchester.
City em mais uma decisão e pressão sobre rivais em Wembley
A reação imediata, porém, recoloca o City no lugar que o clube ocupa há quatro anos na Copa da Inglaterra. A equipe de Guardiola chega à quarta final consecutiva da FA Cup e reforça um domínio recente no torneio. O time agora espera o vencedor de Chelsea x Leeds, que se enfrentam neste domingo pela outra semifinal, e acompanha à distância o desgaste físico e emocional do futuro adversário.
A classificação pesa também pelo efeito psicológico. Ao derrubar uma sequência invicta de 20 jogos do Southampton, o City reafirma a imagem de equipe que decide nos momentos mais delicados. O resultado ganha destaque instantâneo em sites esportivos, programas de TV e rádio, e alimenta debates sobre a capacidade do elenco em sustentar alto nível em um calendário apertado até 16 de maio.
O desempenho dos brasileiros também entra na conta. Welington e Léo Scienza saem valorizados, mesmo com a eliminação. Savinho participa do bombardeio final do City e consolida espaço no rodízio ofensivo de Guardiola. A presença de atletas do país em ambos os lados reforça a conexão do futebol inglês com o mercado brasileiro, fator observado por empresários e clubes na próxima janela de transferências.
O City volta a campo já de olho na gestão física do elenco, sabendo que qualquer lesão pode pesar na decisão em Wembley. O Southampton, por sua vez, tenta transformar a frustração da eliminação em combustível para seguir sólido na temporada, agora sem a Copa, mas com a confiança de quem sustenta 20 jogos sem perder até cruzar o caminho de um dos elencos mais fortes da Europa.
Resta saber se a virada em Manchester será lembrada apenas como mais um capítulo de uma era dominante do City na Inglaterra ou como o ponto de virada que empurra o clube a mais um ciclo de títulos em 2026.
