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Santos goleia Deportivo Cuenca, avança aos playoffs da Sul-Americana

O Santos vence o Deportivo Cuenca por 3 a 0 na noite desta terça-feira (26), na Vila Belmiro, e garante vaga nos playoffs da Copa Sul-Americana. Com gols de Gabriel Barbosa, Miguelito e Gabriel Bontempo, o time de Cuca confirma a reação no torneio continental diante de 7.060 torcedores.

Santos domina, vira o grupo e confirma reação na Sul-Americana

O clima na Vila Belmiro mistura tensão e expectativa antes da bola rolar. O Santos entra em campo pressionado pela necessidade de vencer e ainda tirar diferença no saldo de gols para ultrapassar o San Lorenzo. Em paralelo, o Recoleta abre o placar sobre os argentinos, o que aumenta o peso de cada chegada santista ao ataque.

A resposta em campo é rápida. Aos 13 minutos, Gabriel Barbosa destrava o jogo com uma jogada que sintetiza a proposta ofensiva de Cuca. Ele recebe na intermediária, aciona Igor Vinícius com um passe de letra pelo lado direito e dispara para a área. O lateral chega à linha de fundo e cruza rasteiro. Sozinho na marca do pênalti, o camisa 9 apenas empurra para o gol e anota o 13º gol na temporada.

O gol acende o estádio, mas não resolve a vida do Santos na tabela. Com a vitória parcial do Recoleta por 1 a 0 sobre o San Lorenzo, o time brasileiro ainda não alcança a segunda posição do grupo ao fim do primeiro tempo. Cada ataque vira conta de matemática: saldo, gols marcados, confronto direto. Em campo, porém, o Santos mantém o plano, ocupa o campo adversário e quase amplia com Gabriel Bontempo, que finaliza para fora após boa construção de Miguelito e Gabigol pela esquerda.

Igor Vinícius também força boa defesa de Ferrero em chute cruzado depois de receber passe de Gustavinho. Nos acréscimos, Gabriel Barbosa volta a aparecer em velocidade, entra na área e finaliza, mas o lance é anulado por impedimento. A vantagem mínima no intervalo mantém o torcedor ligado no celular, dividindo a atenção entre o gramado e o que acontece no outro jogo do grupo.

Miguelito decide o saldo, Bontempo sela a vaga e Neymar observa

O segundo tempo começa com o Santos consciente de que precisa transformar domínio em vantagem concreta na tabela. A pressão surte efeito logo aos 3 minutos. A defesa do Deportivo Cuenca se complica na saída de bola, Gabriel Barbosa recupera na entrada da área e solta para Barreal pela esquerda. O argentino levanta a cabeça e cruza. Miguelito surge no meio da defesa e finaliza de primeira para o fundo da rede, ampliando para 2 a 0.

O gol muda a configuração do grupo. O Santos assume a segunda colocação pelo saldo de gols e passa a controlar o ritmo, sem recuar demais. Miguelito, titular pelo segundo jogo seguido, volta a balançar a rede aos 18 minutos, após assistência de Gustavinho, mas o lance é anulado por impedimento. A atuação, porém, consolida o jovem meia como peça central no meio-campo de Cuca.

Antes da anulação, o terceiro gol já havia saído. Aos 10 minutos, Barreal rouba a bola ainda no campo de defesa e acelera a transição. Ele encontra Gabriel Barbosa, que tabela com Gabriel Bontempo. O meia invade a área, percebe o goleiro adiantado e toca por cobertura, marcando um golaço que transforma a vitória em goleada e praticamente encerra qualquer suspense sobre a classificação.

Com 3 a 0 no placar, o Santos administra o resultado e reduz o ritmo, sem perder a organização. Cuca aproveita para rodar o elenco e preservar titulares. Samuel Pierri, Rony, Lautaro Díaz, Robinho Jr. e Moisés entram em campo, ganham minutagem e ajudam a segurar a consistência defensiva até o apito final. A defesa, formada por Gabriel Brazão, Igor Vinícius, Adonis Frías, Luan Peres e Escobar, termina a noite sem grandes sustos.

As arquibancadas também viram atração à parte. Neymar chega já com a bola rolando, é saudado pela torcida e passa parte do jogo no camarote, onde conversa e posa para fotos com Rodrygo, outro Menino da Vila hoje brilhando na Europa. A presença da dupla reforça o peso simbólico do confronto e alimenta o imaginário do torcedor sobre um Santos competitivo no cenário continental.

Nem tudo é festa, porém. Nas redes sociais e nas arquibancadas, torcedores reclamam de um possível pênalti não marcado para o Santos, descrito como “claro” por parte da torcida. O lance gera indignação, mas não altera o desfecho da noite, em que o time brasileiro se impõe e não dá chances ao Cuenca. O árbitro colombiano Jhon Ospina conduz a partida sem expulsões e distribui três cartões amarelos para cada lado.

Classificação alivia pressão, fortalece Cuca e projeta novos desafios

A goleada por 3 a 0 tem efeito imediato sobre o ambiente do clube. A classificação aos playoffs da Sul-Americana reduz a pressão sobre Cuca e oferece uma espécie de trégua interna em meio ao calendário apertado. A vitória mantém o time vivo na disputa internacional, aumenta a visibilidade do Santos no mercado sul-americano e reforça o discurso da diretoria de que a temporada pode render títulos.

O resultado também mexe com interesses de terceiros. A campanha santista, assim como a de outros brasileiros no torneio, influencia cenários envolvendo clubes como o Botafogo, de olho em combinações de resultados, rankings e cruzamentos em fases futuras. A Sul-Americana, muitas vezes tratada como segundo plano, ganha relevância prática ao oferecer vaga direta na Libertadores e potencial de receita com bilheteria, premiação em dólares e exposição de patrocinadores.

Dentro de campo, a noite marca a consolidação de algumas peças. Gabriel Barbosa confirma protagonismo ofensivo, atinge a marca de 13 gols na temporada e participa diretamente dos três gols. Miguelito se firma como titular em jogos decisivos, enquanto Bontempo transforma em números a boa sequência de atuações. A solidez defensiva, com o time passando ileso em casa, reforça a sensação de equilíbrio entre os setores.

Fora das quatro linhas, a presença de Neymar e Rodrygo alimenta especulações e debates. A imagem dos dois no camarote viraliza, reforça a relação afetiva dos ídolos com o clube e ajuda a projetar o Santos novamente em destaque nas redes internacionais. A diretoria vê nesse tipo de exposição uma vitrine para atrair novos patrocinadores e negociar melhor suas propriedades comerciais.

O próximo passo depende agora do sorteio da Conmebol, que define o adversário do Santos nos playoffs. A perspectiva interna é de confronto duro, com viagem longa e estádios hostis no horizonte, mas a sensação no vestiário é de confiança após a atuação segura contra o Cuenca. Cuca ganha tempo para ajustar detalhes táticos, dosar a carga física e tentar repetir o modelo de jogo intenso e vertical que funcionou na Vila.

A torcida, que deixa o estádio após pagar renda de R$ 206.984,96, já projeta novas noites de copa na Baixada Santista. A classificação não resolve todos os problemas do clube, mas recoloca o Santos em rota de protagonismo continental. A dúvida agora é até onde esse elenco, sob a batuta de Cuca e impulsionado por um velho conhecido da Vila como Gabigol, consegue levar o time na Sul-Americana.

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