Ciencia e Tecnologia

Bug em DRM do PS4 e PS5 impõe check-in online a cada 30 dias

Um bug na última atualização de firmware do PlayStation, revelado em 25 de abril de 2026, instala um limite de 30 dias para jogos digitais em PS4 e PS5. Se o console não se conecta à internet nesse prazo, o acesso aos títulos comprados é bloqueado.

Atualização 13.5 acende alerta entre jogadores

A falha surge após a instalação do firmware 13.5, distribuído mundialmente para PlayStation 4 e PlayStation 5. Usuários começam a notar um temporizador interno associado às licenças digitais, que passa a exigir uma conexão online periódica para validar cada jogo. A cada 30 dias, o console precisa se conectar aos servidores da Sony para renovar a autorização de uso; se isso não ocorre, o título simplesmente deixa de abrir.

A mudança não é anunciada oficialmente, mas se espalha pelas redes sociais a partir de relatos de jogadores que veem mensagens de expiração de licença em suas bibliotecas. O clima é de surpresa e desconfiança, sobretudo entre quem mantém o console em modo totalmente offline, seja por opção, seja por limitações de acesso à internet. Em comunidades dedicadas ao PlayStation, o temor é perder jogos comprados há anos por não cumprir um prazo que nunca foi comunicado com clareza.

Denúncias, bastidores e versões conflitantes

A discussão ganha escala quando o criador de conteúdo Lance McDonald publica, em 25 de abril, um alerta direto no X, antigo Twitter. “Um DRM absolutamente terrível foi implementado em todos os jogos digitais de PS4 e PS5. Todo jogo digital que você comprar agora exige um check-in online a cada 30 dias. Se você comprar um jogo digital e não conectar seu console à internet por 30 dias, sua licença será removida”, escreve, ao lado de um vídeo que mostra o comportamento do sistema.

Outro canal, o Modded Warfare, publica um vídeo técnico em que associa o problema especificamente ao firmware 13.5, apontado como gatilho para o novo temporizador. A partir daí, fóruns internacionais se enchem de relatos de usuários que veem contagens regressivas diferentes em jogos comprados em datas distintas, o que indica um controle individualizado de cada licença digital.

Poucas horas depois, o perfil especializado DoesItPlay1 afirma ter recebido informações de um contato dentro da indústria. “A Sony acidentalmente quebrou algo enquanto corrigia um exploit. Eles já sabiam sobre a interface confusa há algum tempo, mas não consideraram urgente”, diz a conta, também no X, sugerindo que o comportamento seria um efeito colateral e não uma política deliberada. “Esperamos agora por uma declaração esclarecedora”, completa.

Nem todos conseguem reproduzir o problema com a mesma clareza. O repórter Robert DeFelice, do site Insider Gaming, relata ter testado seu próprio PS5 com firmware 13.5, sem encontrar o temporizador visível em nenhum dos jogos adquiridos a partir de março. Entre os títulos verificados, estão ARC Raiders, Absolum, WWE 2K26 e Tomb Raider 1-3 Remastered, este último adicionado à biblioteca do PlayStation Plus durante a apuração. A ausência do contador, porém, não elimina a possibilidade de checagens em segundo plano, o que alimenta ainda mais a sensação de opacidade.

Impacto direto em quem compra jogos digitais

O bug mexe com uma das bases do consumo atual de games. Nos últimos anos, a venda digital ultrapassa de forma consistente a mídia física no mercado global, segundo relatórios de grandes publicadoras. Milhões de usuários montam bibliotecas inteiras na PlayStation Store, muitas vezes concentradas em um único console, que funciona também como aparelho de viagem, entretenimento em casas de campo ou em locais com conexão limitada.

Para esse público, um check-in obrigatório a cada 30 dias não é um detalhe técnico, mas uma restrição concreta. Famílias que usam o PS4 ou PS5 em regiões rurais, barcos ou residências sem banda larga correm o risco de descobrir, de uma hora para outra, que jogos comprados por centenas de reais não abrem mais. Mesmo em grandes centros urbanos, interrupções de energia, problemas de operadora e viagens longas podem facilmente ultrapassar esse prazo mensal.

Especialistas em direitos digitais lembram que a discussão não é nova. Sistemas de gestão de direitos, o chamado DRM, já geram controvérsia em PCs e outros consoles por limitar o uso legítimo de conteúdos comprados. A diferença, agora, está na rigidez do prazo e na forma silenciosa como a mudança aparece. Para o consumidor comum, que entendeu o ato de clicar em “comprar” como equivalente a possuir aquele jogo, a possibilidade de perder o acesso após 30 dias offline soa como quebra de confiança.

Há ainda uma camada jurídica em aberto. Em diversos países, legislações de defesa do consumidor exigem transparência na oferta de produtos e serviços digitais. Um bug que, na prática, transforma uma compra em algo mais próximo de um aluguel mensal pode reacender debates sobre até onde vai o controle das plataformas sobre conteúdos já adquiridos. Entidades de defesa do consumidor acompanham a repercussão nas redes, embora ainda não haja, até aqui, ações formais anunciadas.

Pressão por resposta e incerteza sobre correção

Enquanto a comunidade tenta decifrar o alcance do problema, a Sony permanece em silêncio. Até o momento da publicação desta reportagem, a empresa não divulga comunicado oficial sobre o comportamento do DRM no firmware 13.5, nem define prazos para uma eventual correção. O vácuo de informação aumenta a sensação de insegurança, especialmente entre donos de consoles que ficam longos períodos desconectados.

Se o relato da fonte anônima estiver correto e o bug tiver surgido durante a correção de um exploit, a solução passa por uma nova revisão do sistema, possivelmente em um firmware 13.6 ou equivalente. Um ajuste desse porte tende a exigir testes adicionais para evitar efeitos colaterais em outros recursos, como compartilhamento de contas, modo offline estendido e funcionamento de jogos adquiridos via PlayStation Plus.

Até lá, jogadores se veem diante de um paradoxo: para garantir o acesso a uma biblioteca que, em muitos casos, levou anos e milhares de reais para ser montada, precisam se conectar com a frequência de um serviço de assinatura, mesmo tendo “comprado” cada título individualmente. A falha técnica expõe uma fragilidade estrutural do modelo digital e reabre a pergunta que o mercado tenta contornar há mais de uma década: no ambiente online, o que significa, de fato, ser dono de um jogo?

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