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Alfaro divulga lista e Paraguai aposta em força do Brasileirão

O técnico Gustavo Alfaro anuncia, nesta 1ª de junho de 2026, a lista final do Paraguai para a Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México. A convocação, com sete jogadores que atuam no futebol brasileiro, consolida a estratégia de montar uma seleção fisicamente intensa e experiente para tentar superar as históricas quartas de final de 2010.

Convocação marca retorno ao Mundial após 16 anos

O Paraguai volta a uma Copa do Mundo depois de 16 anos afastado do principal torneio do futebol, e o anúncio desta segunda-feira encerra um ciclo de reconstrução que começa ainda em 2022. Alfaro leva ao Mundial um grupo que mistura sobreviventes de campanhas recentes em clubes de ponta, jovens em ascensão na Europa e um núcleo sólido formado na América do Sul. A lista tem 26 nomes e inclui protagonistas espalhados por Brasil, Inglaterra, França, Espanha, Rússia e Oriente Médio.

O eixo da equipe passa por uma defesa pesada, referência histórica do futebol paraguaio, e por meio-campo combativo. Nomes conhecidos do torcedor brasileiro, como o zagueiro Gustavo Gómez e o meia Mauricio, ambos do Palmeiras, o defensor Júnior Alonso, do Atlético-MG, o zagueiro Fabián Balbuena, do Grêmio, o meia Damián Bobadilla, do São Paulo, e o atacante Isidro Pitta, do Red Bull Bragantino, formam o bloco que atua hoje no país. A eles se somam atletas como Alex Arce, destaque da LDU, e Miguel Almirón, do Atlanta United, símbolos de uma seleção espalhada por diferentes fusos e realidades táticas.

No gol, Alfaro aposta na experiência de Gatito Fernández, do Cerro Porteño, ao lado de Gastón Olveira, do Olímpia, e Orlando Gill, do San Lorenzo. A zaga traz ainda Junior Alonso, Alexandro Maidana, Gustavo Gómez, Fabián Balbuena, Gustavo Velázquez, Omar Alderete, do Sunderland, e José Canale, do Lanús. No meio, Andrés Cubas, do Vancouver Whitecaps, Diego Gómez, do Brighton, Matías Galarza, do Atlanta United, Bobadilla, Braian Ojeda, do Orlando City, Mauricio e Alejandro Gamarra, do Al-Ain, compõem o setor encarregado de dar equilíbrio a uma equipe que pretende pressionar alto, correr muito e errar pouco.

No ataque, Julio Enciso, hoje no Strasbourg, Miguel Almirón, Gustavo Caballero, do Portsmouth, Ramón Sosa, do Palmeiras, Antonio Sanabria, da Cremonese, Gabriel Ávalos, do Independiente, Alex Arce e Isidro Pitta formam a linha de frente que leva a responsabilidade de transformar o tradicional vigor defensivo em gols. O desenho da seleção aponta para um Paraguai menos reativo do que em 2010 e mais disposto a ocupar o campo adversário desde o início dos jogos, sem abrir mão da compactação que virou marca registrada do país em Copas.

Força do Brasileirão e aposta em liga competitiva

A presença de sete jogadores que atuam no Brasil não é casual. O Campeonato Brasileiro mantém calendário cheio, estádios lotados e pressão permanente, cenário que agrada à comissão técnica paraguaia. Atletas que jogam toda semana sob cobrança alta tendem a chegar ao Mundial com ritmo de jogo mais elevado e casca suficiente para não sentir o peso da estreia. Para Alfaro, o Brasileirão funciona como um laboratório a céu aberto, onde se testa, em tempo real, a capacidade de decisão dos convocados.

Gustavo Gómez se firma como líder natural dessa geração. Capitão do Palmeiras e um dos zagueiros mais regulares do país na última década, ele simboliza a interseção entre a tradição defensiva do Paraguai e o padrão físico exigido hoje no futebol mundial. Ao seu lado, nomes como Balbuena e Junior Alonso garantem repertório de sobra em jogos grandes. No setor ofensivo, Pitta e Ramón Sosa carregam o peso de transformar boas atuações semanais em protagonismo global.

A convocação também projeta impacto direto sobre o mercado sul-americano. Jogadores que brilham no Brasil e vestem a camisa paraguaia em uma Copa ganham vitrine imediata para ligas de maior poder de investimento. Clubes brasileiros, por sua vez, reforçam o discurso de que investir em atletas sul-americanos segue sendo estratégia sustentável, tanto esportiva quanto financeiramente. A cada boa atuação no Mundial, sobe a cotação de negociações futuras e cresce o interesse de olheiros europeus em estádios brasileiros.

Para o torcedor paraguaio, o elenco divulgado representa mais do que uma lista de nomes. O retorno ao Mundial depois de quatro edições ausentes reposiciona o país na geografia do futebol internacional. Em 2010, a seleção para por pouco nas quartas de final, em jogo dramático contra a Espanha, futura campeã. Dezesseis anos depois, a memória daquela campanha ainda orienta expectativas. A meta agora não se limita a repetir o roteiro: Alfaro e seus comandados falam abertamente em dar o passo seguinte e chegar, ao menos, a uma semifinal inédita.

Desafio de mudar o equilíbrio de forças em 2026

O sorteio dos grupos ainda dita parte do destino, mas o Paraguai chega à Copa de 2026 com potencial para mexer no equilíbrio de forças do seu chaveamento. Uma seleção que combina intensidade física, defesa consolidada e atacantes em bom momento costuma ser pedra no sapato de favoritos tradicionais. Em torneios de tiro curto, como a Copa, partidas decididas em detalhes, bolas paradas e duelos físicos favorecem quem se sente confortável em sofrer sem perder a organização.

A campanha recente em amistosos indica um time competitivo, mesmo em derrotas. O tropeço por placar mínimo para Marrocos, adversário do Brasil no Mundial, expõe fragilidades ofensivas, mas também mostra um sistema defensivo difícil de ser quebrado. A dúvida que acompanha o Paraguai até o pontapé inicial é a capacidade de transformar solidez em protagonismo com a bola. O elenco reúne jogadores habituados a funções mais operárias em seus clubes, e a tarefa de criar chances em volume alto ainda desafia Alfaro.

Os próximos trinta dias serão dedicados a ajustes finos. A seleção se apresenta, faz uma curta preparação na América do Sul e, em seguida, embarca para a base definida pela federação entre Estados Unidos, Canadá e México, de acordo com o grupo sorteado. A comissão técnica planeja, até a estreia, ao menos dois amistosos contra rivais de estilos diferentes, para testar variações táticas e definir a espinha dorsal da equipe.

A convocação definitiva, contudo, não encerra as dúvidas que cercam o Paraguai. O time consegue ir além da imagem de seleção apenas aguerrida e transformar a volta à Copa em um projeto de longo prazo, capaz de manter o país entre os participantes frequentes do Mundial? A resposta começa a ser desenhada a partir de 11 de junho de 2026, quando a bola rola oficialmente na Copa do Mundo da América do Norte.

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