Cruzeiro vence Boca, assume liderança do grupo e ganha novo herói
O Cruzeiro vence o Boca Juniors por 1 a 0, nesta terça-feira (28), no Mineirão, e assume a liderança do grupo D da Libertadores. Neyser Villarreal marca o gol da vitória, em noite segura do jovem goleiro Otávio.
Cruzeiro fura retranca e muda o rumo do grupo D
O Mineirão vive um jogo áspero, com mais reclamação do que futebol jogado, mas o Cruzeiro encontra o caminho para derrubar a retranca argentina na reta final. Aos 37 minutos do segundo tempo, Matheus Pereira acha passe preciso para Kaio Jorge, que escapa na linha de fundo e cruza rasteiro. Neyser Villarreal aparece na pequena área e empurra para o gol, diante de mais de 40 mil torcedores em Belo Horizonte.
O resultado leva o Cruzeiro aos 6 pontos, mesma pontuação do Boca, mas com vantagem nos critérios de desempate e liderança provisória do grupo D. A terceira rodada ainda tem Barcelona de Guayaquil x Universidad Católica, que se enfrentam nesta quarta-feira (29), no Equador, e podem embolar a disputa por vaga nas oitavas de final.
Expulsão de Bareiro muda o jogo, e Otávio segura a pressão
O duelo começa tenso. Em menos de dez minutos, Leandro Paredes já recebe cartão amarelo por empurrar Matheus Pereira com a bola parada. As divididas se multiplicam, os protestos também, e as chances claras quase não aparecem. Arroyo arrisca de fora, com perigo, mas a bola passa ao lado da trave de Brey.
O roteiro muda nos acréscimos do primeiro tempo. Adam Bareiro, que já tem amarelo, acerta o rosto de Christian em disputa pelo alto. O árbitro Esteban Ostojich mostra o segundo cartão e expulsa o centroavante aos 47 minutos. O Boca volta do intervalo com dez jogadores e ainda mais fechado, apostando em faltas táticas e na catimba para esfriar o jogo.
Do outro lado, o Cruzeiro se apoia também em uma novidade no gol. Aos 20 anos, Otávio assume a vaga de Matheus Cunha, muito criticado pela torcida após sofrer 13 gols em 12 jogos desde a lesão de Cássio, operado no joelho esquerdo. O jovem goleiro faz apenas sua quinta partida como profissional, mas transmite segurança, sai bem do gol e não se complica com a bola nos pés.
A troca na meta não nasce só das arquibancadas. Nos bastidores, críticas de jogadores a Matheus Cunha circulam em grupos de mensagem, com Walace em destaque nas cobranças internas. A comissão técnica de Artur Jorge lê o ambiente e aposta em Otávio justamente no jogo mais pesado do grupo. O garoto responde com serenidade, bloqueia cruzamentos e reduz ao mínimo os sustos contra uma equipe acostumada a decidir Libertadores.
Com um a mais, o Cruzeiro se instala no campo de ataque. Fabrício Bruno perde duas chances em cabeceios na pequena área, uma para fora, outra travada pela defesa. Arroyo quase surpreende em chute de média distância. O clima segue quente. Kaio Jorge recebe amarelo após dividida com o goleiro Brey, Fagner também é punido, e os argentinos fazem do apito do juiz um personagem permanente da noite.
Vitória reorganiza o grupo e mexe com a temporada
A vantagem numérica, construída ainda no primeiro tempo, pesa no fim. O Boca se encolhe, diminui o ritmo do jogo e tenta segurar o 0 a 0. O Cruzeiro insiste até transformar o domínio em gol com Villarreal, que entra no segundo tempo no lugar de Arroyo e precisa de apenas uma bola limpa para decidir. O colombiano segue a tradição cruzeirense de atacar bem a pequena área e se candidata a peça importante no elenco.
O 1 a 0 não é só um resultado isolado. Com 6 pontos em 3 jogos, a Raposa se aproxima da meta prática de 10 a 11 pontos que costuma garantir vaga nas oitavas. A vitória sobre um Boca, mesmo em reconstrução, serve como cartão de visita do Cruzeiro na volta à Libertadores. Desde o bicampeonato de 1997, o clube constrói sua imagem no torneio em duelos contra argentinos e noites intensas no Mineirão; retomar esse roteiro fortalece a conexão com a torcida.
Para o Boca, a derrota acende o alerta. A equipe também soma 6 pontos, mas vê o Cruzeiro assumir a dianteira no confronto direto e ganhar moral na chave. A expulsão de Bareiro escancara um problema recorrente do clube em jogos de alta tensão recente: dificuldade em controlar o emocional em ambientes hostis fora de casa.
Em Belo Horizonte, a vitória vale algo que não cabe na tabela: confiança em um elenco que ainda se ajusta sob o comando de Artur Jorge. A escolha por Otávio no gol, a boa atuação de Matheus Pereira na articulação e o gol de Villarreal reforçam a ideia de um Cruzeiro menos dependente de um único protagonista. O elenco ganha alternativas, e o técnico ganha argumentos para sustentar decisões impopulares.
Clássico, viagem ao Chile e disputa pela titularidade no gol
O calendário não permite respiro. No sábado (2), o Cruzeiro encara o Atlético-MG pelo Brasileirão, em um clássico que costuma marcar o humor da temporada para os dois lados. A vitória sobre o Boca reduz a pressão antes do confronto, mas também aumenta a cobrança por manter o nível de atuação.
Na semana seguinte, na quarta-feira (6), a equipe viaja ao Chile para enfrentar a Universidad Católica, pela quarta rodada da fase de grupos. A partida pode consolidar a liderança cruzeirense ou reabrir a disputa pela classificação, dependendo também do que acontecer em Barcelona de Guayaquil x Católica nesta terceira rodada.
A situação no gol entra no centro do debate interno. Se repetir a atuação segura desta terça, Otávio tem argumentos para seguir como titular mesmo com a recuperação de Cássio mais adiante. Matheus Cunha, por sua vez, precisa reagir em um ambiente já sensível após críticas públicas e privadas.
O Boca volta para Buenos Aires com a missão de reorganizar o vestiário e controlar melhor o temperamento em jogos decisivos. A pressão por reação já começa na próxima rodada da Libertadores, em casa, sob olhares desconfiados de uma torcida que cobra protagonismo continental há anos.
O Mineirão encerra a noite com a imagem de Villarreal e Kaio Jorge comemorando o gol diante da arquibancada azul. A liderança ainda é parcial, o grupo D ainda promete turbulências, e a Libertadores não perdoa quem se acomoda. A questão, daqui para frente, é saber se o Cruzeiro transforma essa vitória dura em hábito ou se ela ficará só como mais uma boa lembrança de uma noite de abril.
