Atlético poupa titulares na Sul-Americana enquanto Hulk treina e negocia com Flu
Hulk treina normalmente com o elenco do Atlético nesta terça-feira (28), na Cidade do Galo, enquanto segue em negociação com o Fluminense. Ao mesmo tempo, o clube preserva 12 jogadores do duelo com o Cienciano, pela Copa Sul-Americana, e evidencia a prioridade dada à competição continental.
Treino esvaziado e protagonista em xeque
O campo 6 do centro de treinamento em Vespasiano recebe um grupo reduzido de atletas. São os jogadores que não embarcam para Cusco, onde o Atlético enfrenta o Cienciano, nesta quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), pela terceira rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana. Entre eles está o principal nome do elenco, o camisa 7 Hulk, que vive dias de indefinição enquanto negocia uma possível transferência para o Fluminense.
O atacante, cortado de última hora do jogo contra o Flamengo, participa normalmente da atividade. Corre, finaliza, participa dos trabalhos táticos e se mistura aos companheiros que ficam em Belo Horizonte. A presença em campo, confirmada pelo próprio clube, funciona como um sinal duplo: mostra que o jogador está em boas condições físicas e mantém em aberto o desfecho das conversas com o time das Laranjeiras.
Estratégia para a Sul-Americana e elenco repartido
A comissão técnica alvinegra opta por fracionar o elenco. Doze jogadores são preservados do desgaste da viagem a 3.400 metros de altitude em Cusco. Além de Hulk, ficam em Vespasiano os zagueiros Lyanco, Vitor Hugo e Ruan; os laterais Renan Lodi e Natanael; os meio-campistas Alan Franco, Cissé, Maycon e Victor Hugo; e os atacantes Tomás Cuello e Cassierra. O grupo trabalha sob o comando do auxiliar-técnico Leandro Díaz, que comanda uma sessão tática voltada para ajustes de posicionamento e movimentação sem bola.
A escolha de mandar um time alternativo para a Sul-Americana revela uma leitura de prioridades e de calendário. O Atlético lida com sequência pesada de jogos, pressão por resultados e necessidade de rodar o elenco para evitar novas lesões musculares, como a de Cissé, que trata um problema na coxa esquerda. Ao preservar peças-chave, a direção técnica tenta equilibrar a briga em três frentes, mantendo energia para o Brasileiro e a Copa do Brasil, sem abrir mão da competição continental.
Nos bastidores, a decisão também conversa com o planejamento financeiro. A Sul-Americana paga premiações menores que a Libertadores, mas ainda representa receita relevante em um ano em que o clube inicia um novo ciclo da SAF e começa a receber aportes programados de investidores. A utilização de reservas em determinados jogos reduz o risco de perder ativos valorizados por lesão e protege o patrimônio esportivo em meio às negociações de mercado.
Negociação com o Fluminense mexe com o planejamento
O caso Hulk se torna o principal ponto de atenção. Ídolo recente do clube, protagonista em títulos nacionais e campanha de Libertadores, o atacante entra na reta final de contrato em meio ao assédio do Fluminense. As conversas entre as partes avançam, e a participação do jogador no treino desta terça-feira vira termômetro do clima na Cidade do Galo. A cada atividade, cresce a sensação de que o Atlético precisa decidir rápido se segura o camisa 7 até o fim do vínculo ou se antecipa a uma saída e reorganiza o ataque.
O Fluminense enxerga em Hulk uma oportunidade de mercado. Mesmo aos 30 e poucos anos, o atacante mantém bom índice de participação em gols, poder de decisão em jogos grandes e forte apelo de marketing. Para o Atlético, a equação passa por salário alto, projeção de uso em campo e impacto esportivo numa temporada em que a equipe busca recuperação internacional após campanhas irregulares recentes. A eventual transferência mexe diretamente na hierarquia do elenco e na forma de jogar, hoje muito dependente da referência técnica do camisa 7.
A torcida acompanha cada movimento com atenção. A imagem de Hulk treinando em Vespasiano contrasta com a ausência na lista de relacionados para o Peru e alimenta interpretações. Parte da massa defende permanência a qualquer custo. Outra parcela vê na possível venda uma chance de aliviar a folha salarial e abrir espaço para reforços em setores carentes. O clima é de expectativa, mas sem ruptura: o clube mantém o discurso de normalidade e trata o atacante como peça importante enquanto o contrato segue em vigor.
Comissão dividida e pressão por resultado
Enquanto Hulk se movimenta na Cidade do Galo, a delegação principal se prepara para o ambiente hostil de Cusco. O técnico Eduardo Domínguez, o “Barba”, e o vice-presidente de futebol Paulo Bracks se juntam ao grupo na quarta-feira, já no Peru. O treinador comanda a equipe à beira do gramado no Estádio Inca Garcilaso de la Vega, onde o Atlético busca pontos fundamentais para se manter vivo na luta pela classificação à fase mata-mata da Sul-Americana.
A escolha por um time alternativo carrega risco esportivo. Um tropeço diante do Cienciano complica a vida alvinegra no grupo e aumenta a pressão sobre Domínguez, ainda em processo de consolidação no cargo. Um bom resultado, por outro lado, reforça a tese de que o elenco tem profundidade e pode competir em mais de uma frente, mesmo poupando nomes de peso. O desempenho em Cusco e a evolução do caso Hulk caminham em paralelo e ajudam a desenhar o rosto do Atlético para o restante da temporada.
Os próximos dias prometem ser decisivos. A reapresentação do grupo em Vespasiano, marcada para quarta-feira, retoma o trabalho com os poupados sob comando de Leandro Díaz e recoloca Hulk no centro das atenções. O calendário aperta, o mercado se movimenta e a SAF começa a injetar novos recursos. Entre o desejo de manter seu principal ídolo recente e a necessidade de equilibrar contas e elenco, o Atlético entra em uma encruzilhada esportiva e financeira. A resposta, dentro e fora de campo, começa a ser dada já em Cusco.
