Viveros brilha em virada do Athletico sobre o Vitória na Arena
O Athletico derrota o Vitória por 3 a 1, de virada, neste domingo (26), pela 13ª rodada do Brasileirão, na Arena da Baixada. No dia em que completa 26 anos, o colombiano Kevin Viveros marca dois gols, decide nos acréscimos e assume a artilharia isolada do campeonato.
A noite do aniversário que muda o jogo
A torcida do Athletico chega à Arena ainda sob o peso das vaias na Copa do Brasil e da derrota para o Palmeiras. Em campo, porém, o roteiro se inverte. O time começa agressivo, pressiona o Vitória desde o início e ocupa o campo de ataque, mas vê o plano desandar em um erro individual.
Aos 21 minutos do primeiro tempo, o zagueiro Carlos Terán se complica na saída de bola. Renê aproveita, limpa a marcação e acerta belo chute para fazer 1 a 0 para os baianos. O gol silencia a Arena e dá a impressão de que o Athletico reviverá as mesmas falhas recentes. A reação vem rápido, com o jogador que se tornaria o centro da noite.
Viveros passa a se movimentar entre os zagueiros, puxa contra-ataques e força o Vitória ao erro. Aos 33 minutos, sofre pênalti dentro da área. Ele próprio cobra, com calma, desloca Lucas Arcanjo e empata: 1 a 1. O colombiano corre em direção à torcida, leva o apelido de “El Tren” ecoando das arquibancadas e recoloca o Athletico no jogo.
O empate não muda a postura rubro-negra. O Athletico segue em cima, empurra o Vitória para a própria área e transforma o goleiro Lucas Arcanjo em protagonista. Em sequência, o camisa 1 evita a virada em chute cara a cara de Viveros, espalma finalização de Bruninho e ainda defende, com o rosto, o rebote do colombiano. Na pequena área, Luiz Gustavo tem a chance mais clara, mas chuta para fora com o gol aberto.
Odair Hellmann, pressionado desde o tropeço diante do Atlético-GO pela Copa do Brasil, escolhe não mexer no time de forma apressada. Espera até a metade da etapa final para trocar forças ofensivas. Bruninho, que faz sua estreia como titular no Brasileiro após ser vendido ao Shakhtar, mostra intensidade, mas perde fôlego. Portilla também sai. Entram Zapelli e Felipe Chiqueti para dar nova energia ao meio e ao ataque.
Virada no fim, artilharia e alívio na tabela
O segundo tempo se transforma em ataque contra defesa. O Athletico acumula finalizações, escanteios e cruzamentos, enquanto o Vitória tenta sobreviver em contra-ataques esporádicos, quase sempre com Renê. Em uma dessas investidas, o atacante baiano finaliza com perigo e lembra ao time da casa que o jogo segue aberto.
Com o relógio avançando, Odair adiciona mais peso à área. Renan Peixoto entra no lugar de Mendoza para brigar pelo alto, e o Athletico reforça o bombardeio sobre a defesa baiana. A insistência encontra recompensa apenas aos 46 minutos do segundo tempo. Depois de nova construção pelo lado direito, a bola sobra para Viveros, que finaliza com precisão e enfim vence Lucas Arcanjo pela segunda vez na noite.
O 2 a 1 transforma a Arena. As 18.021 pessoas presentes, sendo 17.428 pagantes, se levantam e cantam o nome do colombiano. Ele chega a oito gols no Brasileirão e deixa para trás concorrentes como Carlos Vinícius, do Grêmio, e Danilo, do Botafogo. Em poucos meses, Viveros passa de aposta estrangeira a novo xodó da torcida atleticana.
O Vitória tenta reagir nos minutos finais, mas já não tem força física nem organização. O time de Jair Ventura sente o desgaste da marcação intensa e das viagens recentes. Aos 52 minutos, o golpe final. Em mais um lance construído pela direita, Gastón Benavídez cruza na medida para Luiz Gustavo. O volante se projeta dentro da área e, desta vez, não desperdiça: 3 a 1, placar selado e alívio definitivo.
O resultado leva o Athletico aos 22 pontos e à quinta colocação do Brasileirão, consolidando a equipe na parte de cima da tabela após uma sequência de críticas. A derrota para o Palmeiras na rodada anterior ainda pesa, mas a virada em casa muda o clima. Com uma semana livre pela frente, sem Libertadores nem Sul-Americana, o time ganha tempo para treinar e organizar os próximos passos.
O Vitória sai de Curitiba com mais dúvidas do que certezas. Estacionado nos 15 pontos, o clube baiano cai para a 13ª posição e volta a olhar com cuidado para a parte de baixo da tabela. A equipe equilibra a disputa do Brasileirão com o calendário da Copa do Nordeste, em que encara o Confiança, fora de casa, já na quarta-feira (29), em Maceió, pela última rodada da primeira fase.
Pressão, calendário e o que está em jogo daqui para frente
A virada tem efeito simbólico para o Athletico. Depois das cobranças públicas da torcida e da oscilação recente, o time mostra capacidade de reação e mantém desempenho ofensivo alto mesmo sob pressão. A atuação de Viveros reforça a ideia de que o clube encontra, enfim, um goleador confiável para conduzir a temporada.
Do banco de reservas, Odair vê suas escolhas ganharem respaldo. A volta de Luiz Gustavo ao time titular, coroada com gol aos 52 minutos, e a utilização de Bruninho na vitrine do Brasileiro indicam um Athletico que tenta se reinventar sem abrir mão da competitividade imediata.
No horizonte próximo, o Furacão tem um novo teste de peso. No sábado (2), às 20h30, recebe o Grêmio na Arena da Baixada, em confronto direto na parte de cima da classificação e duelo que opõe o artilheiro do campeonato ao concorrente Carlos Vinícius. O cenário oferece a chance de consolidar a reação e se aproximar do G-4.
O Vitória, por sua vez, precisa responder rápido. Antes de voltar ao Barradão para enfrentar o Coritiba, no sábado, às 18h30, pelo Brasileiro, encara o Confiança pela Copa do Nordeste e administra um elenco pressionado por resultados. A questão que fica, após a virada em Curitiba, é se o time de Jair Ventura conseguirá transformar boas atuações parciais em pontos concretos em um campeonato que não perdoa vacilos nos minutos finais.
