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Vietnã desmantela rede de roubo de gatos e resgata mais de 400 animais

A polícia do Vietnã prende nove suspeitos e desmantela, entre 11 e 16 de junho de 2026, uma rede especializada em roubar gatos para o comércio de carne. Mais de 400 animais são resgatados vivos e cerca de 80 são encontrados mortos, preservados em gelo, em operações em Ho Chi Minh e na província vizinha de Tay Ninh.

Operação expõe bastidores do comércio de carne de gato

As ações policiais começam em 11 de junho, depois de uma onda de denúncias sobre desaparecimento de animais de estimação em bairros de Ho Chi Minh. Investigadores seguem a trilha de roubos sucessivos até chegar a um grupo que, segundo a polícia, atua há pelo menos três anos capturando e recolhendo gatos em todo o sul do Vietnã.

Os suspeitos admitem que reúnem animais roubados em pontos de confinamento temporário e negociam a venda a comerciantes de carne de gato a cada dois ou três dias. Os agentes encontram mais de 400 gatos vivos aglomerados em gaiolas e cerca de 80 corpos preservados em gelo, prontos para o abate ou já abatidos, em diferentes endereços de Ho Chi Minh e da província rural de Tay Ninh.

Em outro endereço, policiais apreendem mais 21 gatos e reforçam a suspeita de que o esquema abastece, de forma silenciosa, restaurantes e açougues da região. Embora o consumo de carne de cães e gatos seja legal no Vietnã, a lei exige registro e comprovação de origem dos animais, o que torna o roubo um crime passível de punição.

A organização Humane World for Animals, que acompanha o caso, confirma o resgate e relata a cena encontrada pelas equipes. “Alguns deles morreram posteriormente em consequência do sofrimento que enfrentaram”, afirma a entidade em comunicado divulgado nesta terça-feira, 16 de junho. Cerca de 40 gatos já são identificados por seus donos e devolvidos às famílias.

Crime contra animais expõe choque entre tradição e mudança

O caso escancara um ponto sensível na sociedade vietnamita: o consumo de carne de cães e gatos, prática tradicional que enfrenta contestação crescente, sobretudo entre jovens e donos de animais de estimação. A Humane World for Animals estima que, todos os anos, cerca de cinco milhões de cães e um milhão de gatos sejam capturados, roubados, traficados e abatidos para consumo de carne no país.

A entidade descreve um padrão de violência recorrente. Segundo a organização, cães costumam ser capturados com iscas envenenadas, enquanto gatos são apanhados com armadilhas de mola instaladas em vielas e quintais. Muitos desses animais saem direto das casas onde viviam como companhia para pequenos centros de confinamento clandestinos, semelhantes aos que a polícia encontra agora em Ho Chi Minh e Tay Ninh.

Autoridades locais ressaltam que o alvo da operação não é o consumidor final, mas a cadeia criminosa que se forma em torno do roubo de animais. O jornal oficial da polícia de Ho Chi Minh, citado pela agência AFP, classifica o grupo preso como “especializado em roubar e coletar gatos” para atender o mercado de carne. Ao desbaratar o esquema, investigadores retiram das ruas centenas de animais destinados ao abate imediato.

Os impactos não se limitam à questão animal. Moradores relatam que o desaparecimento repentino de gatos e cães alimenta medo e desconfiança em bairros inteiros, onde lares passam a reforçar portões e mudar rotinas. A devolução de parte dos animais, com apoio de voluntários e veterinários, tenta reparar esse dano simbólico, mas também expõe o quanto o comércio clandestino se apoia em brechas de fiscalização e em uma rede de compradores dispostos a ignorar a origem da carne.

Pressão social cresce e investigação pode levar a novas ações

A operação repercute entre ativistas que defendem o fim do comércio de carne de cães e gatos no Vietnã. Pesquisa realizada em 2023 a pedido da Humane World for Animals indica mudança de percepção: maiorias expressivas, especialmente entre jovens urbanos e tutores de animais, declaram apoio à proibição da venda de carne de cães e gatos. A pressão pública se soma a apelos internacionais por leis mais rígidas e punições exemplares para o roubo e o tráfico desses animais.

Enquanto a investigação avança, a polícia orienta moradores que suspeitam ter perdido seus animais para roubos que procurem as delegacias e os abrigos temporários para tentar identificar os gatos resgatados. As autoridades não detalham o tempo que os suspeitos podem enfrentar de prisão, mas indicam que novas prisões não estão descartadas, caso a apuração revele outros envolvidos na rede.

A Humane World for Animals afirma que fornece ração, atendimento veterinário e outros suprimentos para os gatos ainda mantidos sob custódia oficial até que cada caso seja definido. A entidade elogia o que chama de “ação decisiva que salvou a vida de tantos animais”, mas insiste que operações pontuais não substituem uma política nacional clara para o setor.

O episódio reacende a discussão sobre qual será o futuro da relação do Vietnã com cães e gatos: veremos a lenta extinção da carne desses animais dos cardápios ou uma convivência tensa entre tradição e novas sensibilidades urbanas? A resposta passa pelas próximas investigações, pelas decisões do governo e, sobretudo, pelo apetite — ou recusa — dos consumidores em alimentar um mercado que começa a ser questionado dentro e fora do país.

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