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Rússia ataca Kiev e Ucrânia responde com mísseis contra Moscou

Mísseis russos atingem Kiev e danificam áreas históricas da capital ucraniana nesta sexta-feira (18). Horas depois, a Ucrânia responde com ataques dirigidos a Moscou, em nova escalada da guerra.

Capitais em alerta e símbolos sob ataque

A manhã começa com sirenes em Kiev e termina com explosões também em Moscou. Em poucas horas, o conflito entre Rússia e Ucrânia atravessa mais uma fronteira simbólica: a troca de ataques diretos entre as duas capitais. Autoridades locais em Kiev relatam impactos em diferentes bairros da cidade e confirmam danos em áreas consideradas patrimônio histórico, que vinham sendo preservadas mesmo em meio a mais de dois anos de guerra.

Imagens divulgadas por órgãos ucranianos mostram fachadas destruídas, vidraças estilhaçadas e colunas antigas cobertas de fuligem. Moradores relatam janelas tremendo a quilômetros dos pontos de impacto. “Nunca pensei que veria essa parte da cidade sob ataque”, afirma um morador do centro histórico, em vídeo gravado logo após as explosões. As autoridades falam em dezenas de feridos e em pelo menos um número de mortos ainda em verificação, enquanto equipes de resgate procuram vítimas sob escombros.

Escalada planejada e recado político

A resposta de Kiev vem ainda no mesmo dia, com o lançamento de mísseis direcionados à região de Moscou. O governo ucraniano apresenta a ofensiva como reação direta ao ataque contra sua capital e como demonstração de capacidade de atingir o coração político da Rússia. O movimento reforça uma escalada que se intensifica ao longo de 2026, em meio a negociações travadas e tentativas frustradas de cessar-fogo.

A Rússia acusa a Ucrânia de “ato de terrorismo” e promete represálias “proporcionais e inevitáveis”. Em Kiev, a narrativa é oposta. “A mensagem é clara: ninguém está imune às consequências desta guerra”, diz um conselheiro da Presidência ucraniana, em declaração divulgada nas redes sociais. A troca de acusações ocorre enquanto chanceleres europeus debatem, há semanas, novas sanções e ajustes no envio de armamentos, numa disputa que mistura campo de batalha, diplomacia e pressão econômica.

Desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, Moscou ataca regularmente a infraestrutura ucraniana, mirando redes elétricas, depósitos de combustível e instalações militares. Ao longo de 2023 e 2024, a Ucrânia amplia o uso de drones e mísseis de maior alcance contra alvos em território russo, muitas vezes em regiões fronteiriças ou próximas a bases aéreas estratégicas. A ofensiva de hoje, dirigida a Moscou, marca mais um passo nessa mudança de patamar.

A extensão dos danos na capital russa ainda não é totalmente conhecida, mas autoridades locais relatam interdições de ruas, quedas pontuais de energia e incêndios em edifícios na zona metropolitana. Moradores são orientados a permanecer em abrigos e estações de metrô, repetindo cenas que se tornaram familiares para ucranianos desde o início da guerra. A sensação de vulnerabilidade, agora, se espalha pelas duas capitais.

Impacto humanitário, econômico e militar

Os ataques desta sexta-feira aprofundam o desgaste de uma população que vive em estado permanente de alerta. Em Kiev, hospitais registram aumento imediato no número de atendimentos por estilhaços, queimaduras e traumas. Equipes médicas relatam sobrecarga em unidades de emergência que já operam há meses com recursos limitados. O dano a prédios históricos também agrava o sentimento de perda cultural e identidade ferida, em uma cidade que tenta preservar sua memória enquanto reforça abrigos antiaéreos.

A escalada atinge ainda mercados internacionais. A cada nova rodada de mísseis, cresce o temor de interrupções adicionais no fornecimento de gás e petróleo russos para a Europa, o que já provoca alta nos contratos futuros de energia. Investidores monitoram a situação minuto a minuto em Londres, Frankfurt e Nova York, enquanto governos calculam o impacto de novas sanções sobre cadeias de produção que vão da indústria química ao setor automotivo. A guerra, que começa como disputa territorial, consolida-se como fator de instabilidade global.

No campo militar, analistas veem nos eventos de 18 de junho de 2026 um recado direto de ambos os lados. A Rússia insiste na estratégia de pressão contínua sobre centros urbanos ucranianos, atingindo infraestrutura crítica e, agora, pontos de valor simbólico. A Ucrânia sinaliza que está disposta a levar o conflito para dentro da principal cidade russa, mesmo sob risco de ampliar ainda mais o ciclo de retaliações. A mensagem é dirigida não apenas a Moscou, mas também a aliados ocidentais que discutem limites para o uso de armas fornecidas ao país.

Organismos internacionais voltam a alertar para o risco de novos deslocamentos em massa. Estimativas anteriores já apontavam mais de 10 milhões de refugiados e deslocados internos desde 2022. Com ataques simultâneos a Kiev e Moscou, cresce o temor de que a janela para uma saída negociada se estreite ainda mais, empurrando a guerra para um período longo de desgaste, com linhas de frente móveis e ataques intermitentes a grandes centros urbanos.

Risco de prolongamento e incerteza diplomática

Os próximos dias devem ser decisivos para medir o alcance político desta nova troca de ataques. Governos europeus e dos Estados Unidos pressionam por contenção, temendo que a escalada avance para o uso de armamentos ainda mais destrutivos ou para ataques coordenados contra infraestrutura energética fora da zona de combate. Consultas de emergência já ocorrem em capitais da Otan, enquanto diplomatas tentam manter canais abertos com Moscou e Kiev.

As duas capitais vivem uma rotina que mistura medo e adaptação. Em Kiev, moradores calculam rotas alternativas para fugir de áreas mais visadas, reforçam janelas com fitas adesivas e voltam a estocar água e alimentos. Em Moscou, parte da população encara os ataques como choque de realidade, num conflito que até agora parecia distante para muitos. A questão que se impõe, para líderes e cidadãos, é até quando será possível sustentar uma guerra que avança sobre símbolos, pessoas e estruturas essenciais sem abrir uma fissura irreversível na segurança europeia e na ordem global.

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