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Trump chama Netanyahu de “louco” e pressiona por cessar-fogo com Hezbollah

Donald Trump pressiona Benjamin Netanyahu a aceitar um cessar-fogo com o Hezbollah e chama o premiê israelense de “louco pra c***” em ligações tensas. As conversas ocorrem em 2 de junho de 2026, em meio à escalada dos combates no Líbano e ao temor de um conflito regional mais amplo.

Escalada no Líbano acende alerta em Washington

As ligações entre Trump e Netanyahu expõem uma fratura rara em uma aliança que há décadas se apresenta como inabalável. A Casa Branca vê a ofensiva israelense contra posições do Hezbollah no sul do Líbano sair do controle, com ataques quase diários desde o início de maio e dezenas de mortos nas últimas duas semanas. Em Washington, assessores de segurança falam em risco concreto de a fronteira norte de Israel virar o centro de uma guerra regional, envolvendo Irã, Síria e milícias apoiadas por Teerã.

Trump reage com irritação ao que considera resistência de Netanyahu a qualquer gesto de moderação. Em uma das conversas, segundo o relato obtido pela reportagem, o republicano eleva o tom e dispara: “Você está agindo como um louco pra c***”. A frase circula entre diplomatas americanos e israelenses, que descrevem as chamadas como “das mais ásperas” entre os dois líderes desde que passaram a atuar lado a lado, ainda em 2017. O clima contrasta com a parceria exibida em público, marcada por elogios mútuos e anúncios conjuntos de política externa.

Cessar-fogo, cálculo político e desgaste diplomático

O foco das ligações é um pacote de cessar-fogo negociado nas últimas semanas, com mediação dos Estados Unidos e participação indireta da França, que mantém influência sobre o governo libanês. Washington propõe uma trégua inicial de 72 horas, prorrogável por mais sete dias, para permitir a retirada de civis da faixa de 10 quilômetros da fronteira e a instalação de observadores internacionais adicionais sob mandato da ONU. O Hezbollah aceita, em princípio, reduzir o lançamento de foguetes e suspender ataques com drones, desde que Israel interrompa bombardeios de artilharia e incursões aéreas mais profundas em território libanês.

Netanyahu resiste. O premiê argumenta que qualquer cessar-fogo sem desarmar o Hezbollah reforça a imagem de vulnerabilidade de Israel e abre espaço para novas ofensivas. A pressão interna pesa: pesquisas divulgadas nas últimas três semanas mostram aprovação inferior a 30% para o governo, enquanto 58% dos israelenses dizem não confiar na condução da guerra no norte. Em privado, assessores de Netanyahu admitem que ceder agora pode ser visto como recuo político, especialmente após anos em que o premiê constrói sua imagem como o líder que não cede “a grupos terroristas armados por Teerã”.

Trump calcula o custo desse impasse em outra direção. O republicano enxerga na escalada no Líbano um risco direto para a economia global e para sua imagem como negociador duro, mas eficaz. O Departamento de Energia dos EUA monitora com preocupação o trajeto dos navios-tanque que saem do Golfo Pérsico, temendo que uma guerra aberta com o Hezbollah leve o Irã a testar limites no estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo. Um salto adicional de 10% a 15% no preço do barril em poucas semanas é tratado, em relatórios internos, como cenário plausível se a crise sair do controle.

Quando a fala de Trump vem à tona, a repercussão é imediata. Nas redes sociais, apoiadores do ex-presidente celebram o tom duro contra Netanyahu e defendem que “um aliado não pode arrastar os EUA para uma guerra sem fim”. Críticos apontam para o risco de personalizar uma crise complexa em ataques ad hominem. “Diplomacia não é reality show, é negociação cuidadosa entre interesses nacionais”, escreve um ex-embaixador americano no Oriente Médio, em texto que viraliza com milhares de compartilhamentos em poucas horas.

Risco de guerra maior e teste à aliança EUA-Israel

O episódio amplia o debate sobre os limites da aliança entre Washington e Jerusalém. Desde a década de 1970, os Estados Unidos garantem a superioridade militar israelense com mais de US$ 3,8 bilhões anuais em ajuda, além de blindagem política em fóruns internacionais. Em troca, cobram previsibilidade e coordenação em decisões que possam redesenhar o equilíbrio de forças na região. As ligações de 2 de junho mostram que essa equação se torna mais frágil quando o custo político interno cresce para os dois lados.

No Congresso americano, parlamentares democratas usam o episódio para reforçar pedidos de condicionamento da ajuda militar a Israel a compromissos concretos de redução de tensões com o Hezbollah. Republicanos dividem-se entre a lealdade histórica a Israel e a fidelidade a Trump, que mantém influência decisiva sobre a base conservadora. Analistas em Washington avaliam que, se o impasse persistir por mais algumas semanas, a discussão pode sair dos bastidores do Departamento de Estado e chegar de forma aberta ao plenário, com propostas específicas de prazos, metas de cessar-fogo e eventuais sanções.

Em Jerusalém, o gabinete de Netanyahu confirma o teor áspero das conversas, mas tenta conter o dano. Assessores classificam a fala de Trump como “desabafo em meio a forte pressão” e insistem que a coordenação estratégica com os Estados Unidos “permanece sólida”. Diplomatas israelenses, no entanto, admitem reserva. Afirmam que a exposição pública da frase abre espaço para que outros atores, do Irã a grupos armados no sul do Líbano, testem limites e busquem explorá-la como sinal de fissura entre os dois governos.

Pressão por trégua e incerteza sobre os próximos passos

A partir da divulgação do episódio, cresce a pressão internacional por uma interrupção imediata dos combates. Governos europeus intensificam contatos com Washington e Jerusalém e defendem, em comunicados, um cessar-fogo verificável, com participação de observadores da ONU e prazo mínimo de 15 dias para negociações políticas. Organizações humanitárias relatam que, em algumas cidades do sul do Líbano, mais de 40% da população já abandona suas casas, enquanto hospitais operam acima de 90% da capacidade por causa dos feridos e dos deslocados internos.

Trump, por ora, mantém o discurso de pressão máxima sobre Netanyahu e sinaliza que não pretende recuar da exigência de cessar-fogo com o Hezbollah. O premiê israelense, encurralado entre a cobrança do aliado e a base política doméstica, tenta ganhar tempo e aposta que uma série de avanços militares nos próximos dias possa fortalecer sua posição à mesa de negociação. O resultado dessa disputa, travada ao telefone e nos bastidores das capitais, define não apenas o rumo da fronteira norte de Israel, mas também até onde vai a disposição de Washington de conter, na prática, uma guerra que ameaça ultrapassar fronteiras e calendários eleitorais.

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