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Trump ameaça retomar guerra com Irã, mas admite reunião por paz

Donald Trump ameaça retomar rapidamente o conflito com o Irã se soldados americanos forem mortos e, ao mesmo tempo, admite se reunir com o novo líder supremo iraniano em busca de um acordo de paz. As declarações ocorrem nesta quinta-feira (4), no Salão Oval da Casa Branca, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio.

Escalada em Washington e recado a Teerã

No gabinete presidencial, Trump é direto ao responder se a morte de militares americanos pelo Irã cruzaria uma linha vermelha. “Bem, seria um bom motivo. Vou ser honesto com você”, afirma, diante de repórteres. Ele não fala em espera ou gradualismo. “Se eles matassem soldados americanos, acho que eu faria isso muito rapidamente. Sim, essa é uma pergunta muito interessante.”

O aviso vem depois de dias de mensagens contraditórias enviadas pela Casa Branca e por Teerã. Na véspera, o presidente insiste que um acordo com o Irã poderia ser alcançado “neste fim de semana”. Do outro lado, o chanceler iraniano nega qualquer avanço e diz não haver “processo significativo” em curso. O contraste expõe a incerteza sobre o rumo das negociações, enquanto os ataques seguem no terreno.

Trump tenta manter a pressão máxima e, ao mesmo tempo, abrir uma porta para a diplomacia. Ele volta a repetir que não permitirá que Teerã obtenha uma arma nuclear. “Se você quiser chamar de guerra, se quiser chamar de operação militar, não se pode deixar o Irã ter uma arma nuclear, e todos concordam com isso”, diz, no Salão Oval, ao lado de assessores.

Ameaças, sanções e convite condicionado

O presidente afirma estar disposto a se reunir com o novo líder supremo do Irã, desde que um acordo para encerrar a guerra seja alcançado. Ele faz questão de marcar distância pessoal, mas admite a cena. “Eu não quero me reunir. Mas, se eu me reunisse, ficaria honrado em encontrá-lo. Gostaria de ver se fazemos um acordo, mas, se fizermos um acordo, é possível que eu me reúna com ele. Eu ficaria bem com isso”, afirma.

Trump evita cravar local ou data e reage com cautela quando perguntado sobre uma eventual reunião em solo americano. “Não ouvi muito sobre isso. Eu não sugeri, mas algumas pessoas sugeriram.” Mesmo assim, ele desenha o perfil do interlocutor que encara como adversário central nesta crise. “Eu diria que não sou a pessoa favorita dele, mas, dito isso, ele provavelmente é um profissional”, comenta, acrescentando que o novo líder iraniano “em alguns círculos tem uma reputação muito boa, na verdade”.

O endurecimento contra Teerã ocorre em um contexto mais amplo de confrontos e sanções na região. O governo americano amplia restrições econômicas, como as aplicadas recentemente ao presidente de Cuba, e acompanha a crescente militarização europeia descrita por Moscou como um “armamento até os dentes”. Ao mesmo tempo, a Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU, aponta poucas mudanças no programa nuclear iraniano, o que alimenta desconfiança em Washington.

Guerra, petróleo e disputa política interna

A crise com o Irã já afeta diretamente o fluxo de petróleo. O ataque americano que atinge o regime iraniano leva Teerã, na prática, a fechar o Estreito de Ormuz, rota por onde passa uma parcela significativa do fornecimento mundial de petróleo. Na Casa Branca, o secretário de Energia, Chris Wright, tenta afastar o impacto da guerra sobre o bolso do eleitor americano. “A maior ameaça aos preços de energia nos Estados Unidos são as políticas de energia verde dos democratas”, afirma. “Elas elevaram os preços de energia muito mais do que um conflito no Irã, e o conflito no Irã vai chegar ao fim.”

O debate energético entra na campanha doméstica ao mesmo tempo em que o Congresso tenta limitar o alcance militar do presidente. A Câmara dos Representantes aprova, na quarta-feira (3), uma resolução para restringir os poderes de guerra de Trump no Irã, um revés político relevante para a Casa Branca. No dia seguinte, porém, os deputados rejeitam, por 324 votos a 92, um texto semelhante sobre o Líbano, apresentado pela democrata progressista Rashida Tlaib, que obrigaria a retirada das forças americanas do país em até sete dias.

Líderes democratas se posicionam contra a medida sobre o Líbano e argumentam que “não há militares dos EUA envolvidos em operações de combate ou hostilidades” no território libanês. Eles apoiam uma versão mais restrita, também proposta por Tlaib, que limita a participação americana em “quaisquer hostilidades no Líbano”, mas preserva a cooperação com as Forças Armadas libanesas e a proteção de instalações diplomáticas.

Líbano, Hezbollah e a guerra que não cessa

O pano de fundo regional reforça a sensação de instabilidade. No sul do Líbano, um soldado israelense morre atingido por um míssil antitanque do Hezbollah na tarde desta quinta-feira, horas depois de Israel e o governo libanês anunciarem a implementação de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. A trégua depende da interrupção dos ataques do grupo xiita, aliado do Irã, que rejeita o acordo.

Trump insiste que “houve progresso” para encerrar os combates no Líbano e afirma ter falado tanto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quanto com o Hezbollah. Segundo ele, o grupo chega a sinalizar disposição de recuo. “Ligou para nós e disse: ‘Que tal parar?'”, relata o presidente, sem detalhar intermediários. Na prática, confrontos continuam mesmo após o anúncio da trégua, o que evidencia a fragilidade do entendimento.

No Salão Oval, Trump afirma que o conflito libanês está “interconectado com o Irã”. Ele tenta desenhar uma saída mais ampla para o país árabe, marcado por crises sucessivas. “Seria muito bom se o Líbano pudesse ter alguma paz. O Líbano está sob ataque há tantos anos, sempre como o lado mais fraco, seria muito bom se isso pudesse acabar”, afirma.

Alerta máximo para cidadãos americanos

Enquanto a diplomacia se arrasta, o Departamento de Estado dos EUA reforça o cerco de segurança. Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira na rede X e em avisos de embaixadas na região, o órgão lembra cidadãos americanos em todo o Oriente Médio da “contínua necessidade de cautela”. O texto cita diretamente as “altas tensões” e descreve um ambiente de segurança que “permanece complexo e pode mudar rapidamente”.

Nas orientações oficiais, Washington mantém em Nível 3 — Reconsiderar Viagem — países como Bahrein, Israel, Cisjordânia, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Já Irã, Iraque, Líbano, Síria, Gaza e Iêmen seguem no Nível 4 — Não Viaje. O alerta é renovado após novos ataques iranianos contra o Kuwait, na quarta-feira, que deixam dezenas de feridos e ao menos uma pessoa morta, mesmo depois de o secretário de Estado, Marco Rubio, declarar publicamente que a guerra “acabou”.

Um impasse que define o próximo capítulo

Trump tenta equilibrar ameaça militar e abertura diplomática em um cenário em que qualquer gesto é lido por aliados e adversários. A promessa de retomar a guerra “muito rapidamente” se soldados americanos forem mortos mostra uma disposição de escalar o conflito em questão de dias, enquanto a disposição de se reunir com o novo líder supremo iraniano sinaliza que a mesa de negociação ainda está montada.

O desfecho imediato depende da capacidade de Washington e Teerã de transformar recados públicos em conversas concretas. A Câmara americana testa os limites do poder de guerra do presidente, o Hezbollah desafia acordos de cessar-fogo no Líbano e o fechamento de fato do Estreito de Ormuz mantém mercados de energia em alerta. Entre a ameaça de uma nova rodada de ataques e a possibilidade de um encontro histórico, a pergunta que permanece aberta é se o próximo movimento virá dos mísseis ou da diplomacia.

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