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Seleção do Irã vai entrar nos EUA apenas na véspera dos jogos de 2026

A seleção do Irã decide entrar nos Estados Unidos apenas na véspera de cada partida da Copa de 2026. A equipe mantém a base de preparação em Tijuana, no México, para ajustar a logística e dar mais tempo de adaptação ao elenco.

Estratégia desenhada entre fronteira e estádios

O plano, revelado nesta semana pela agência Reuters, altera o cronograma inicialmente aventado pela delegação iraniana. Em vez de permanecer por longos períodos em solo americano durante a fase de grupos, o time cruza a fronteira só na véspera de cada jogo, dorme perto do estádio e retorna ao México após as partidas. A Copa começa em 11 de junho de 2026, e o Mundial se espalha por 16 cidades em três países: Estados Unidos, México e Canadá.

Tijuana, no noroeste mexicano, torna-se a retaguarda da equipe. A cidade fica a poucos quilômetros de San Diego, na Califórnia, e serve como base centralizada de treinos, recuperação física e reuniões táticas. Com isso, a comissão técnica tenta manter o cotidiano sob controle, longe da pressão direta da torcida adversária e da exposição intensa dos grandes centros americanos. A logística muda em relação ao plano inicial, que previa estadas mais longas nos Estados Unidos entre um jogo e outro.

Logística como arma em uma Copa inflada

A decisão expõe a importância da organização fora de campo em uma Copa do Mundo ampliada. O torneio de 2026 terá 48 seleções e 104 partidas, um aumento de 50% em relação aos 64 jogos disputados em 2018 e 2022. Mais times significam mais deslocamentos, mais horas em aeroportos e hotéis e menos margem para improviso. No caso do Irã, qualquer atraso de fronteira pode significar aquecimento encurtado, sono pior e menos tempo de vídeo e conversa com o treinador.

Ao fixar a base em Tijuana, a delegação tenta reduzir variáveis. O fuso entre a cidade mexicana e a Costa Oeste americana é o mesmo, o que diminui o impacto do horário sobre sono e treinos. A diferença de clima também é relativamente controlada, já que a região de fronteira apresenta temperaturas e umidade mais estáveis do que cidades do interior dos Estados Unidos, como Dallas ou Kansas City, que podem registrar calor acima de 35 °C em junho e julho. “Cada hora a mais de previsibilidade conta em torneios curtos”, avalia, em caráter reservado, um membro de comissão técnica de outra seleção que também estuda centralizar a preparação no México.

Impacto direto na rotina dos jogadores

O novo desenho prevê uma rotina quase militar. Nos dias sem jogo, o elenco treina em Tijuana, alternando trabalhos físicos e táticos em períodos de 60 a 90 minutos. Sessões de vídeo e análise de adversários ocupam boa parte das tardes. Na manhã anterior à partida, jogadores e comissão técnica atravessam a fronteira, em operação cronometrada, rumo à cidade-sede da vez. A expectativa é que cada deslocamento leve entre 3 e 5 horas, incluindo controles migratórios e voos internos.

Na prática, a seleção iraniana troca semanas contínuas nos Estados Unidos por uma sucessão de entradas cirúrgicas, com foco total em cada jogo. O modelo é semelhante ao de clubes que concentram longe do estádio e se aproximam apenas na antevéspera ou na véspera da partida. A diferença é a necessidade de lidar, a cada viagem, com checagens de passaporte, protocolos de segurança reforçados e eventuais filas em aeroportos lotados por torcedores e delegações. “A ideia é evitar o caos do dia do jogo e garantir que o elenco chegue com a cabeça limpa”, diz, sob condição de anonimato, um dirigente ouvido pela reportagem.

Vantagens esportivas e riscos calculados

Especialistas em performance veem ganhos e riscos na estratégia. O lado favorável está na criação de um ambiente estável, com rotina previsível e ruído externo menor. Em mundiais anteriores, não foram raros os relatos de seleções que perderam horas em deslocamentos urbanos, mesmo dentro de uma mesma cidade-sede. Em 2014, por exemplo, a Fifa chegou a rever rotas de transporte no Brasil após filas e atrasos afetarem o deslocamento de delegações a estádios.

O Irã aposta em uma equação diferente: mais tempo de treino e recuperação em Tijuana, menos desgaste com troca constante de hotel e deslocamentos urbanos nos Estados Unidos. O risco é o ponto cego da fronteira. Qualquer endurecimento súbito de controle migratório, mudança em protocolos de segurança ou falha de coordenação com autoridades locais pode atrasar a chegada da delegação. Um atraso de 90 minutos em um dia de jogo compromete alimentação, descanso pré-partida e a própria preparação mental dos atletas.

Exemplo para outras seleções e próximos passos

O movimento iraniano tende a ser acompanhado de perto por outras equipes classificadas. Com a confirmação do formato inflado, federações e comissões técnicas discutem roteiros que misturam economia, privacidade e adaptação. O custo de manter uma base fixa em país vizinho pode ser compensado por deslocamentos mais curtos e por estruturas negociadas com antecedência. Para a Fifa e o comitê organizador, a opção obriga ajustes finos na coordenação de segurança, transporte e credenciamento a cada nova entrada da delegação no território americano.

A três anos da bola rolar, a experiência do Irã em Tijuana e nos cruzamentos diários de fronteira deve servir de laboratório. Se a estratégia funcionar e a seleção avançar além da fase de grupos, a leitura será de acerto logístico transformado em vantagem esportiva. Se a equipe tropeçar em campo por fadiga ou por atrasos, a opção de entrar nos Estados Unidos apenas na véspera de cada jogo se tornará alvo imediato de questionamentos. A resposta definitiva virá quando o placar começar a sair do papel em 2026.

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