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Lesões ameaçam estrelas às vésperas da Copa do Mundo de 2026

A menos de uma semana do pontapé inicial da Copa do Mundo de 2026, Neymar, Arrascaeta, Ronald Araújo e outros titulares chegam ao torneio em recuperação. As seleções se desdobram entre exames, tratamentos e ajustes táticos para evitar cortes de última hora.

Estrelas em tratamento às portas do Mundial

A Copa começa na quinta-feira, 11 de junho, com México x África do Sul no Estádio Azteca, na Cidade do México, e a lista de preocupações médicas cresce a cada boletim. No Brasil, o foco recai sobre Neymar, que trata uma lesão de grau 2 na panturrilha direita e está fora da estreia contra Marrocos, sábado. A seleção já precisou cortar o lateral Wesley e convocar o volante Éderson, o que acende o alerta para novos imprevistos físicos.

Na segunda-feira, o camisa 10 passa por nova ressonância magnética. A CBF divulga nota e tenta conter a apreensão. “O exame apontou boa evolução em seu tratamento, dentro dos parâmetros esperados. Ele seguirá o processo de recuperação e de preparação física planejado pela comissão médica da Seleção Brasileira”, informa a entidade. O discurso é de otimismo, mas a liberação para os jogos ainda não tem data.

O cenário se repete em outras seleções da América do Sul. No Uruguai, Giorgian de Arrascaeta carrega a mesma lesão de panturrilha de Neymar e vira tema diário em Montevidéu e no Rio de Janeiro, onde defende o Flamengo. A Associação Uruguaia de Futebol descarta o corte e afirma que o problema “não impossibilita sua participação na Copa do Mundo”. A previsão interna é de retorno apenas na terceira rodada da fase de grupos, contra a Espanha.

O zagueiro Ronald Araújo, também uruguaio e peça-chave do Barcelona, soma mais uma preocupação para Marcelo Bielsa. O defensor sente uma distensão muscular e não vai a campo no treino desta segunda. A federação uruguaia informa que ele inicia tratamento específico com profissionais que já o acompanham em lesões anteriores, mas o prazo para atuar nas primeiras rodadas permanece incerto.

No Paraguai, o atacante Julio Enciso, destaque do Strasbourg, da França, sofre lesão muscular na coxa direita durante amistoso contra a Nicarágua, na última sexta-feira. Exames indicam quadro menos grave do que se temia, e a comissão técnica de Gustavo Alfaro mantém o tom de confiança. Ainda assim, o jogador deve perder a estreia contra os Estados Unidos, marcada para sexta-feira, e tenta acelerar a recuperação para não comprometer o restante da fase de grupos.

Marrocos e Canadá também lidam com incertezas

Entre os anfitriões, o Canadá chega ao Mundial com um ponto de interrogação na zaga. Moise Bombito, experiente defensor que atua no Nice, segue em processo de recondicionamento após cirurgia na tíbia esquerda. Desde a divulgação da lista final, o jogador não encontra a forma física ideal. O técnico Jesse Marsch, porém, insiste em apostar em um desfecho favorável. Ele diz a pessoas próximas que ainda “mantém a esperança” de contar com o zagueiro ao longo do torneio.

O primeiro adversário do Brasil, Marrocos, enfrenta talvez o pacote mais denso de dúvidas. O lateral-direito Noussair Mazraoui, do Manchester United, deixa o amistoso contra a Noruega, no domingo, com lesão no ombro e preocupa diretamente o técnico Mohamed Ouahbi. O defensor sai ainda no primeiro tempo, visivelmente abatido, e abre espaço para alterações no sistema defensivo a poucos dias da estreia contra a seleção de Carlo Ancelotti.

O ataque marroquino também não escapa ileso. Abdessamad Ezzalzouli, ponta do Betis e peça importante na construção ofensiva, sente o joelho direito e não volta do intervalo diante dos noruegueses. O departamento médico trabalha com a suspeita de entorse no ligamento colateral medial, lesão que costuma exigir de três a quatro semanas de recuperação. Se o diagnóstico se confirmar nos exames de imagem previstos para o início desta semana, o Mundial termina antes mesmo de começar para o jogador.

A sucessão de casos reacende uma rotina conhecida em anos de Copa. Entre a convocação oficial e a bola rolar, geralmente três semanas, cada treino vira uma espécie de campo minado. A busca por ritmo de jogo se choca com o medo de uma entrada mais forte, um arranque em falso ou uma sobrecarga muscular. Médicos e fisiologistas trabalham com planilhas detalhadas, mas não controlam choques, quedas e acidentes de jogo.

Impacto técnico e emocional nas seleções

As lesões não mexem apenas com a escalação. Elas alteram planos inteiros. Sem Neymar na estreia, o Brasil precisa redesenhar o setor ofensivo e testar alternativas de protagonismo. A ausência do principal jogador, artilheiro histórico da seleção, muda a forma como o adversário se organiza e como o próprio time reage sob pressão. Em 2014 e 2018, o país já conviveu com versões limitadas fisicamente do craque em momentos decisivos, experiência que ainda pesa no imaginário do torcedor.

No Uruguai, a combinação de um Arrascaeta meia-boca e um Ronald Araújo em dúvida impõe dilemas para Bielsa. O treinador é conhecido por exigir intensidade máxima, com marcação alta e transições rápidas. Jogadores em recuperação costumam sofrer mais nesse modelo. Cada minuto a mais em campo pode representar um risco de recaída, e o banco ganha importância extra, com reservas que talvez sejam chamados a assumir protagonismo inesperado logo na largada.

O Paraguai depende da explosão de Julio Enciso para equilibrar a disputa com seleções fisicamente mais fortes. Sem ele na estreia contra os Estados Unidos, a equipe tende a perder capacidade de infiltração e finalização. O mesmo ocorre com Marrocos, que se firma como seleção competitiva desde a campanha histórica de 2022. Um sistema acostumado a competir em alto nível na Europa sente quando perde laterais e pontas titulares, justamente em um grupo que já inclui o Brasil.

Do ponto de vista emocional, o efeito é direto sobre o vestiário. Jogadores em tratamento vivem rotina à parte, entre fisioterapia e academia, enquanto o restante treina em campo aberto. Cada atualização médica vira assunto de corredor, e a ansiedade se espalha. As redes sociais amplificam essa tensão, com torcedores cobrando transparência e alimentando teorias sobre o real estado físico de seus ídolos.

Corrida contra o relógio e incertezas até a bola rolar

Os próximos dias se tornam decisivos. Até a véspera da estreia, as comissões técnicas podem registrar substituições em caso de lesão comprovada, o que mantém o risco de cortes tardios. Exames de imagem, testes em campo reduzido e avaliações diárias de dor definem quem entra na lista definitiva e quem fica apenas na concentração, como espectador privilegiado de um Mundial que escapa pelas mãos.

No Brasil, a recuperação de Neymar é tratada como caso de Estado esportivo. Cada treino fechado alimenta expectativas sobre um possível retorno ainda na fase de grupos, cenário visto como o mais prudente por membros da comissão. No Uruguai, as decisões sobre Arrascaeta e Araújo indicam o quanto Bielsa está disposto a arriscar. Em Marrocos e no Canadá, os exames de Mazraoui, Ezzalzouli e Bombito vão dizer se a Copa de 2026 começa com força máxima ou com remendos estratégicos.

Enquanto a festa se aproxima, a Copa que os torcedores veem no calendário ainda não é a mesma dos departamentos médicos. Entre prazos, laudos e dores, a pergunta que persiste às vésperas de 11 de junho é simples e brutal: quantas das principais estrelas chegarão de fato inteiras ao jogo que sonham disputar desde crianças?

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