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Santos vence Vitória, deixa Z4 e respira no Brasileiro

O Santos vence o Vitória por 3 a 1 na noite deste sábado (30), na Vila Belmiro, e deixa a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Miguelito, Álvaro Barreal e Gabigol marcam para o time paulista, que chega aos 21 pontos e ganha fôlego antes da pausa para a Copa do Mundo.

Vitória vira alívio em noite de tensão na Vila

A noite começa como tantas outras de jogo decisivo na Vila Belmiro. Torcida inquieta, time pressionado, tabela pesada. O Santos entra em campo sabendo que um tropeço o manteria no Z4 e prolongaria uma sequência de desgaste que já ultrapassa um turno inteiro. A resposta vem em 90 minutos de atuação intensa, com lampejos de talento dos jovens e um episódio de indisciplina de seu principal atacante.

O jogo começa equilibrado. O Vitória se protege bem e encontra espaços na intermediária santista. Aos 14 minutos, o volante Baralhas arrisca de fora da área e manda pela linha de fundo, em aviso de que o time baiano não pretende apenas se defender. Quatro minutos depois, a tensão muda de lado. Miguelito recebe na entrada da área, bate firme, a bola desvia na marcação e morre nas redes, abrindo o placar e aliviando, por instantes, o ambiente na Vila.

O gol não desorganiza o Vitória. Aos 23, Renê arranca em velocidade, supera a zaga e obriga Gabriel Brazão a fazer grande defesa, daquelas que mudam o roteiro de uma partida. Na sequência, Zé Vitor tenta outra finalização de média distância, que sai pela linha de fundo. O Santos recua alguns metros, sente a pressão, mas consegue levar a vantagem mínima para o intervalo, amparado pelo desempenho seguro de seu goleiro.

O segundo tempo começa com susto para o torcedor santista. Logo no primeiro minuto, Matheuzinho tenta encobrir Brazão e manda por cima do travessão. Pouco depois, o meia do Vitória volta a finalizar, desta vez para defesa tranquila do goleiro. A impressão é de que o time baiano volta mais ligado, disposto a explorar o nervosismo da equipe da casa.

Aos poucos, o Santos retoma o controle. A defesa afasta mal um ataque do Vitória e a bola sobra para Álvaro Barreal, aberto pela esquerda. O argentino domina, ajeita o corpo e finaliza com força e precisão, colocando a bola no ângulo e ampliando o placar. O 2 a 0, construído aos olhos de uma arquibancada que respira aliviada, transforma o clima na Vila Belmiro.

O terceiro gol nasce de uma recuperação alta, que expõe o desgaste do Vitória. Aos 11 minutos, Gabriel Bontempo pressiona a saída adversária, rouba a bola e encontra Miguelito livre. O meia boliviano cruza na medida para Gabigol, que se antecipa à marcação e cabeceia para o fundo da rede. O 3 a 0 parece encerrar a discussão sobre o resultado, mas abre outra, de disciplina.

Na comemoração, Gabigol faz um gesto obsceno ao colocar a mão nas partes íntimas em direção à arquibancada. O árbitro vê, aplica o cartão vermelho direto e expulsa o atacante. A cena muda o clima do jogo e recoloca o Vitória na partida, agora com um jogador a mais e meia hora pela frente para tentar uma reação.

Triunfo afasta fantasma do rebaixamento, mas cobra preço

Com um a mais, o Vitória adianta suas linhas e transforma o campo de defesa santista em território de ataque. Aos 29 minutos, Diego Tarzia cruza na segunda trave e encontra Renê, que cabeceia no canto e diminui para 3 a 1. O gol reaquece o jogo e testa a resistência emocional de um Santos que ainda convive com o trauma recente de quedas de divisão.

Renê segue como personagem central nos minutos finais. Aos 43, ele arrisca uma bicicleta e acerta o travessão. Já aos 50, aparece cara a cara com Brazão e para, de novo, no goleiro santista, que garante o placar. O Vitória termina o jogo no ataque, mas esbarra na boa noite do arqueiro e na organização defensiva do Santos, que, mesmo com um homem a menos, encontra forças para segurar a pressão.

O resultado tem peso imediato na tabela. Com os 3 pontos, o Santos chega a 21 no Campeonato Brasileiro e supera o Vasco, primeiro clube dentro da zona de rebaixamento, que permanece com 20. A saída do Z4, ainda que por uma diferença mínima, muda o ambiente no vestiário e nas arquibancadas. O clube passa a olhar para a pausa da Copa do Mundo com algum respiro e menos urgência.

No lado baiano, a derrota mantém o Vitória na parte intermediária da classificação. O time estaciona nos 22 pontos e segue em 12º lugar, ainda distante do Z4, mas também longe do bloco de cima. A atuação fora de casa, com poder de reação e pressão final, serve de ensaio para o compromisso mais importante da semana: a final da Copa do Nordeste contra o Fortaleza, na terça-feira (2), às 21h, no Castelão.

A expulsão de Gabigol, por outro lado, abre um flanco disciplinar para o Santos. O atacante deve ser desfalque no retorno do Brasileiro, após a pausa para o Mundial, e pode ainda responder em tribunal desportivo pelo gesto obsceno. Em um elenco que depende de suas referências ofensivas, a ausência do camisa 10 obriga a comissão técnica a buscar alternativas e aumenta a responsabilidade de jovens como Miguelito e Bontempo.

Pausa, ajustes e novos testes após o Mundial

A parada para a Copa do Mundo congela a tabela, mas não suspende a pressão. O Santos volta a campo apenas depois do torneio, em data a ser definida, para enfrentar o Botafogo, fora de casa. O compromisso no Rio de Janeiro funciona como medidor da real capacidade de reação da equipe, agora fora do Z4, mas ainda cercada por concorrentes diretos na luta contra o rebaixamento.

O período sem jogos oficiais oferece tempo raro para ajustes táticos, recuperação física e tentativa de blindagem emocional de um grupo acostumado a jogar sob ameaça constante. A vitória sobre o Vitória entrega números concretos, como os 21 pontos e a saída da zona de rebaixamento, mas não resolve, por si só, os problemas estruturais do time. A incógnita, para a volta do Brasileirão, é se o Santos consegue transformar uma noite de alívio na Vila Belmiro em ponto de virada ou se o 3 a 1 deste sábado será lembrado apenas como um respiro temporário em mais uma temporada de risco.

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