Príncipe saudita anuncia compra da SAF da Inter de Limeira com Ronaldo e Roberto Carlos
O príncipe saudita Abdullah bin Saad bin Abdulaziz Al Saud anuncia nesta segunda-feira (25) a compra da SAF da Inter de Limeira, em parceria com Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos. O clube do interior paulista diz que é pego de surpresa e afirma manter negociação com outro investidor, o empresário Enrico Ambrogini.
Negócio surpreende diretoria e expõe disputa pelo controle do clube
O anúncio vem a público por meio de uma postagem do príncipe nas redes sociais, acompanhada de imagem em que ele celebra o acerto com Ronaldo e Roberto Carlos. A mensagem circula com rapidez entre torcedores e veículos esportivos e cria a sensação de que o futuro da Inter de Limeira está definido. Minutos depois, a versão do clube mostra que a história é bem mais complexa.
Em contato com a reportagem, a diretoria da Inter de Limeira afirma que desconhece qualquer assinatura com o príncipe saudita e se diz surpresa com o envolvimento dele na operação. “A SAF está em processo de aquisição por Enrico Ambrogini”, informa o clube, ao destacar que o empresário já negocia com Ronaldo e Roberto Carlos por outros negócios no futebol. A posição oficial indica que, por enquanto, há um anúncio público de um lado e um processo formal, em curso, de outro.
O nome de Ambrogini entra em cena de forma documentada no dia 19 de maio, quando o Conselho Deliberativo da Inter de Limeira aprova e assina um Memorando de Entendimentos, o chamado MOU, com o investidor. O documento não conclui a venda, mas estabelece regras, prazos e condições para análises técnicas, jurídicas, financeiras e operacionais da SAF. Na prática, funciona como um roteiro para a negociação, que ainda precisa de contratos definitivos, aprovação de valores e registro em órgãos reguladores.
A revelação do príncipe, seis dias depois da assinatura do MOU, embaralha o tabuleiro. O texto divulgado por ele fala em compra da SAF e cita a parceria com Ronaldo e Roberto Carlos, dois dos jogadores mais conhecidos da história da seleção brasileira. O aceno de capital estrangeiro para um clube que hoje ocupa o 12º lugar da Série A2 do Campeonato Paulista e a 9ª posição da Série C do Brasileiro, com 12 pontos em oito rodadas, muda o tom da conversa no interior paulista.
Capital estrangeiro, ídolos e o efeito no futebol do interior
A Inter de Limeira é um nome tradicional do estado de São Paulo. Campeã paulista em 1986, quando surpreende o Palmeiras, o clube vive hoje uma rotina distante dos holofotes. Disputa a segunda divisão estadual, está fora da briga pelo acesso em 2026 e tenta se firmar na terceira divisão nacional. A chegada de um príncipe saudita ao noticiário da agremiação resgata memórias da grande fase e projeta expectativas novas para um orçamento limitado.
A transformação em SAF, modelo que separa o departamento de futebol do restante do clube e permite entrada de investidores privados, abre portas para esse tipo de movimento. Desde 2021, quando a legislação entra em vigor, mais de uma dezena de times brasileiros adota o formato para tentar reduzir dívidas e atrair dinheiro novo. A presença de Ronaldo e Roberto Carlos como parceiros agrega peso à negociação. Ronaldo já comanda a SAF do Cruzeiro em sua primeira fase como empresário do futebol, enquanto Roberto Carlos circula em bastidores de clubes e federações pelo mundo.
A eventual entrada de capital saudita, associada a dois ídolos globais, pode transformar o patamar da Inter de Limeira. Investimentos em estrutura de treinamento, captação de jogadores jovens, reforços para o elenco principal e modernização da gestão entram no horizonte imediato em qualquer plano de negócio desse porte. O acesso à Série A1 do Paulista e à Série B do Brasileiro, hoje projetos de médio prazo, ganharia combustível extra.
O anúncio, porém, também traz tensão. Dirigentes, funcionários, atletas e torcedores convivem, a partir de agora, com a dúvida sobre quem de fato terá a caneta na hora de decidir o futuro do clube. Se o acordo com Ambrogini avançar, o príncipe pode aparecer como parceiro, financiador ou mesmo ficar de fora, a depender de como as tratativas se organizam nos bastidores. Se a negociação mudar de mão, será preciso refazer documentos, negociar novamente condições e esclarecer responsabilidades.
Próximos passos e incertezas sobre o comando da SAF
O MOU assinado em 19 de maio prevê uma fase de “due diligence”, espécie de auditoria em que o investidor analisa dívidas, contratos, receitas e riscos da SAF da Inter de Limeira. Esse processo costuma levar semanas e pode se estender por meses, dependendo da complexidade das informações. Só depois dessa etapa é que as partes assinam o contrato de compra e venda e submetem o acordo às instâncias internas do clube e às autoridades competentes.
Enquanto o príncipe apresenta publicamente a operação como concluída, o clube reforça que ainda está na fase de estudos. A diferença de versões coloca pressão sobre a transparência da negociação. Conselheiros e torcedores tendem a cobrar esclarecimentos rápidos sobre quem negocia com quem, quais são os valores envolvidos, qual porcentagem da SAF está à venda e que garantias são dadas em relação a dívidas e manutenção da identidade do clube.
O cenário mais imediato é de cautela. A Inter de Limeira precisa manter o foco esportivo na Série C e planejar a temporada seguinte do Paulistão, ao mesmo tempo em que lida com uma operação societária sensível. A eventual confirmação da entrada de Abdullah bin Saad bin Abdulaziz Al Saud, com Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos, tende a recolocar o clube no mapa de investidores globais interessados no futebol brasileiro de médio porte.
Até que contratos sejam assinados e detalhes venham a público, a Inter de Limeira vive entre a promessa de um salto financeiro e o risco de frustração. A negociação da SAF, que nasce como alternativa para dar fôlego às contas e competitividade em campo, passa a ser também um teste de maturidade para a gestão do clube. A pergunta que fica, por enquanto sem resposta, é simples e decisiva: quem vai mandar, de fato, no futuro da Inter de Limeira?
