Marrocos goleia Burundi e define convocação para a Copa de 2026
A seleção de Marrocos goleia Burundi por 5 a 0, nesta terça-feira (26), em amistoso com portões fechados, e define a lista final para a Copa do Mundo de 2026. O jogo-treino no Complexo de Futebol Mohammed VI funciona como filtro derradeiro para o técnico Mohamed Ouahbi escolher quem embarca para o Mundial e quem fica pelo caminho.
Amistoso vira peneira às vésperas do Mundial
No centro de treinamento de elite da federação marroquina, em Salé, a manhã começa em clima de decisão. Ao longo das últimas semanas, Ouahbi trabalha com um grupo ampliado de 28 jogadores. O amistoso contra Burundi, disputado sem torcedores e sem transmissão, é tratado internamente como uma “peneira” de luxo, último teste antes da convocação oficial marcada para as 15h (de Brasília).
A goleada por 5 a 0 dá números claros à superioridade marroquina e oferece ao treinador material concreto para avaliar desempenho, ritmo físico e resposta tática. A comissão técnica observa de perto quem suporta a pressão por vaga, quem entende os mecanismos de marcação alta e transição rápida, hoje marcas da equipe que encantou o mundo no Catar em 2022. Não há cartaz que segure jogador fora de forma, nem currículo que compense atuação apática num dia em que cada lance pesa como decisão.
Estrelas poupadas e disputa por espaço
O grupo que vai a campo não tem os nomes mais conhecidos do torcedor brasileiro. Bono, goleiro do Real Madrid, Achraf Hakimi, lateral do Paris Saint-Germain, o volante Sofyan Amrabat e o meia-atacante Brahim Díaz ficam fora desta fase de treinos e do amistoso. A federação divulga na semana anterior uma relação preliminar sem esses medalhões, sinal claro de que o foco recai sobre jogadores em disputa direta pelas últimas vagas.
A ausência de Díaz, porém, não é interpretada como corte. O meia, destaque no futebol europeu, é tratado como presença praticamente certa na lista final. A leitura nos bastidores é que o treinador prefere preservar as peças centrais do time de riscos desnecessários a menos de três semanas da estreia. “Os jogadores que já conhecemos bem não precisam se provar num amistoso fechado. Precisamos olhar com atenção para quem ainda briga por espaço”, diz um membro da comissão técnica, sob condição de anonimato.
Entre os 28 chamados para o período de treinos, a conta é simples e cruel: pelo menos dois serão cortados quando a lista oficial, com 26 nomes, for enviada à Fifa. A goleada sobre Burundi ajuda a embaralhar e, ao mesmo tempo, a organizar a disputa. Atacantes que participam diretamente dos gols ganham pontos, zagueiros que falham em cobertura ou saída de bola se complicam. A impressão final se constrói em 90 minutos que, embora não valham troféu, podem decidir o rumo de uma carreira.
Rival do Brasil ajusta detalhes e mira surpresa
O peso desse amistoso e da convocação vai além das fronteiras marroquinas. Marrocos é o primeiro adversário do Brasil na Copa do Mundo de 2026, em 13 de junho, às 19h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. A equipe africana chega ao torneio com o rótulo de seleção perigosa, depois do quarto lugar histórico na Copa de 2022, e tenta repetir o papel de pedra no sapato das potências.
Enquanto Haiti e Escócia já apresentam ao mundo suas listas fechadas de 26 nomes, Marrocos adia o anúncio até o limite. A estratégia reforça a disputa interna e mantém certo grau de imprevisibilidade para os adversários. Para o Brasil, o cenário é claro: a comissão técnica acompanha de perto cada movimentação em Salé, analisa imagens de treinos e amistosos e tenta antecipar a base da escalação marroquina.
Os próximos testes ajudam a desenhar esse esboço. Depois de enfrentar Burundi, a seleção marroquina agenda dois amistosos com a lista oficial já definida. No dia 2 de junho, encara Madagascar, às 14h (de Brasília). Em 7 de junho, mede forças com a Noruega, às 16h. São mais 180 minutos para ajustar entrosamento, calibrar bolas paradas e reforçar a confiança de um elenco que sonha repetir a campanha de 2022, desta vez com a responsabilidade de quem já não é surpresa.
Vagas em jogo e pressão por desempenho
Para os jogadores que se apresentam ao Complexo Mohammed VI, a conta é objetiva. O Mundial de 2026, com 48 seleções e fase de grupos ampliada, oferece maior vitrine e potencializa o impacto de cada atuação. Uma boa Copa pode render transferência para centros mais ricos da Europa, aumento salarial e mudança de patamar na seleção. Uma convocação perdida, por outro lado, pode empurrar talentos para um limbo competitivo, entre ligas menores e convocações esporádicas.
O momento também consolida o poder de Mohamed Ouahbi, que assume a tarefa de renovar parte do elenco sem romper com a espinha dorsal que levou Marrocos ao topo da África. Ao apostar em um período de treinos com 28 nomes e num amistoso fechado como critério de corte, o treinador reforça a ideia de meritocracia dentro de campo. Quem rende mais hoje entra na frente, ainda que tenha menos nome que as estrelas consagradas.
O impacto se espalha pelo grupo brasileiro. O rival da estreia não é mais uma incógnita completa, mas também não se revela por inteiro. As dúvidas sobre a forma física de alguns titulares, o encaixe de novos nomes e a maneira como Marrocos vai usar sua linha defensiva alta permanecem. A preparação do Brasil, que projeta um início de Mundial sem tropeços, passa a considerar cenários com um adversário agressivo desde o primeiro minuto.
Reta final de preparação e expectativas em alta
Com a convocação oficial anunciada ainda hoje e dois amistosos marcados para o início de junho, Marrocos entra na reta final de preparação com o roteiro definido. O grupo que treina no Complexo Mohammed VI sabe que, após os cortes, não haverá mais espaço para testes profundos. Cada sessão em campo, cada reunião tática e cada minuto em jogo amistoso passa a ter peso de prévia da Copa.
O Mundial de 2026 oferece ao país a chance de consolidar a boa fase e de provar que o desempenho no Catar não é episódio isolado. A estreia contra o Brasil, em 13 de junho, funciona como termômetro imediato dessa ambição. Para Ouahbi e seus jogadores, a goleada sobre Burundi e o anúncio da lista final não encerram um ciclo; abrem a fase mais crítica de uma preparação que pode redefinir o lugar de Marrocos no mapa do futebol mundial.
