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Pentágono estima em US$ 25 bi custo inicial da guerra contra o Irã

O Pentágono revela ao Congresso americano que a guerra contra o Irã já consome cerca de US$ 25 bilhões desde o fim de fevereiro de 2026. A cifra, apresentada nesta semana em audiência na Câmara dos Representantes, é a primeira estimativa oficial do custo da campanha militar.

Conta bilionária chega ao Congresso

A avaliação vem à tona durante sessão do Comitê de Serviços Armados, em Washington, na qual o secretário de Defesa, Pete Hegseth, comparece pela primeira vez desde o início do conflito. Ao lado de assessores, ele tenta convencer parlamentares de que o gasto, embora elevado, é indispensável para impedir que o Irã avance no desenvolvimento de armas nucleares.

O número de US$ 25 bilhões cobre pouco mais de dois meses de operações, iniciadas no fim de fevereiro, e dá uma medida da velocidade com que o Tesouro americano queima recursos. Estimativas internas apontam que, apenas nos primeiros dias de ataques, os Estados Unidos já haviam consumido mais de US$ 11 bilhões, impulsionados pelo uso de mísseis de cruzeiro, bombas guiadas e outros armamentos de alta tecnologia.

Jules Hurst, responsável interino pelo orçamento do Departamento de Defesa, afirma ao comitê que a maior parte da conta recai sobre o emprego intensivo de munições avançadas. Ele cita também custos diários com operações aéreas e navais, manutenção de caças e navios, além da reposição acelerada de equipamentos danificados ou desgastados no front.

Hegseth usa a audiência para enquadrar a guerra como um investimento estratégico. “O preço da inação seria muito maior do que o custo atual da operação”, diz o secretário, ao justificar o esforço militar. Segundo ele, permitir que Teerã se aproxime de uma capacidade nuclear militar colocaria em risco aliados americanos no Oriente Médio e ampliaria a instabilidade global.

Disputa política e impacto econômico

A narrativa encontra resistência imediata, sobretudo entre democratas, que veem a conta subir em meio à desaceleração da economia e a um cenário pré-eleitoral acirrado. Parlamentares questionam a falta de transparência do governo sobre metas, cronogramas e critérios para medir sucesso no campo de batalha.

Integrantes da oposição pedem projeções detalhadas de gastos futuros, impacto sobre outros programas federais e estimativas de quanto tempo o país consegue sustentar um conflito desse porte. Alguns apontam o risco de cortes em áreas como saúde e educação caso o orçamento de defesa avance na direção dos US$ 200 bilhões adicionais já ventilados pelo Pentágono.

Hegseth reage à crítica com tom duro. O secretário acusa opositores da guerra de “prejudicar a segurança nacional” e de alimentar a percepção, em Teerã, de que o Congresso não está disposto a bancar o esforço militar. A declaração provoca reação imediata de democratas, que veem na fala uma tentativa de reduzir qualquer questionamento a ato de deslealdade.

Enquanto o embate político se intensifica, analistas destacam que o impacto real da guerra vai além do orçamento militar. O conflito pressiona o mercado global de energia, eleva prêmios de risco no transporte de petróleo pelo Golfo Pérsico e alimenta a volatilidade nas cotações internacionais. Empresas dependentes de cadeias logísticas longas, da indústria até o varejo, relatam aumento de custos e atrasos em entregas.

O desgaste também aparece nas pesquisas de opinião. Levantamentos recentes mostram queda constante no apoio popular à intervenção, à medida que o público associa o conflito à alta no preço de combustíveis e ao risco de recessão. Em ano de campanha, a Casa Branca tenta equilibrar o discurso de firmeza contra o Irã com a promessa de proteger empregos e renda nos Estados Unidos.

Guerra cara, futuro incerto

O valor de US$ 25 bilhões funciona como um marco político e simbólico. É a primeira vez que o governo coloca, ainda que de forma parcial, um preço público na guerra, hoje sustentada sob um cessar-fogo frágil. A ausência de um horizonte claro para o fim das operações alimenta a percepção de que a conta final pode superar, com folga, a marca dos US$ 200 bilhões já discutida nos bastidores do Departamento de Defesa.

Especialistas em defesa lembram que conflitos prolongados tendem a gerar custos que extrapolam os campos de batalha. Há despesas futuras com veteranos, reposição de estoques estratégicos, reconstrução de infraestrutura militar na região e possíveis pacotes de ajuda a aliados. Cada novo pacote aprovado pelo Congresso, argumentam, cristaliza compromissos que se estendem por anos.

A pressão por mais transparência deve crescer. Parlamentares pedem relatórios detalhados, auditorias independentes e um plano de saída que inclua parâmetros objetivos para a redução de tropas e de ataques. A discussão também mira o desenho da política externa americana para o Oriente Médio e o lugar que o programa nuclear iraniano ocupa nessa estratégia.

No campo internacional, governos aliados observam o desenrolar da crise com cautela. Países europeus, que já convivem com inflação pressionada pela energia desde outros choques geopolíticos recentes, temem uma escalada capaz de travar economias ainda frágeis. Na Ásia, grandes importadores de petróleo calculam o impacto de um conflito prolongado sobre crescimento e inflação.

O Pentágono ainda não apresenta uma estimativa oficial para o custo total da guerra, nem um prazo para o fim das operações. A audiência desta semana sinaliza apenas o início de uma disputa mais ampla sobre quem paga a conta, quanto tempo o país aceita sustentá-la e que tipo de vitória justifica tamanha despesa.

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