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Pentágono admite estudar operação para capturar presidente de Cuba

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirma nesta quinta-feira (11), na Flórida, que não descarta uma operação para capturar o presidente de Cuba. Ele diz que o Pentágono apresentará ao menos várias alternativas militares ao presidente Donald Trump, mantendo “todas as opções sobre a mesa”.

Opções militares entram no centro da crise com Havana

Hegseth fala na sede do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), em Tampa, em um momento de escalada da pressão econômica e política sobre o regime cubano. Questionado se uma ação de “capturar ou matar” contra o líder da ilha faz parte dos cenários em estudo, ele evita detalhar, mas sinaliza que a alternativa não está afastada. “Temos opções por todos os lados”, afirma.

O chefe do Pentágono descreve o CENTCOM como a engrenagem principal de eventuais missões desse tipo. “Literalmente ganhamos a vida planejando. Portanto, fora o Pentágono, ninguém planeja melhor do que o CENTCOM”, diz, diante de oficiais que acompanham a visita. “Para voltar ao ponto central da razão pela qual estamos aqui, todas essas opções estão sobre a mesa”, completa.

A fala ocorre um dia depois de Hegseth visitar a base naval de Guantánamo, em Cuba, onde os Estados Unidos mantêm presença militar desde 1903. Na quarta-feira (10), ele já havia atribuído ao presidente Trump a palavra final sobre qualquer operação. “O que acontece no futuro de Cuba está nas mãos do presidente dos Estados Unidos”, afirma. “O Departamento de Defesa estará preparado e em posição para qualquer contingência.”

O endurecimento do discurso acompanha novas sanções anunciadas por Washington contra Miguel Díaz-Canel e outros altos dirigentes cubanos. Desde janeiro, a Casa Branca reforça um bloqueio petrolífero que agrava a crise energética na ilha, com apagões recorrentes e queda na oferta de transporte público. O governo americano condiciona qualquer alívio à adoção de reformas políticas e econômicas.

Pressão máxima sobre Havana eleva risco de escalada regional

Hegseth admite que o objetivo é aumentar o custo político das escolhas do governo cubano. “Há muita pressão sobre o regime cubano neste momento e com razão”, diz. Na avaliação dele, as autoridades da ilha “têm grandes decisões que deveriam tomar, e por vezes os líderes tomam decisões erradas quando estão sob pressão”.

O secretário evita, porém, confirmar se o Pentágono replica o modelo usado na Venezuela, quando uma operação secreta para capturar Nicolás Maduro é discutida dentro do governo americano. “Tudo o que eu diria é: opções, opções, opções”, responde. “Nosso trabalho é apresentar opções em diferentes escalas, dependendo de onde o comandante em chefe, o presidente dos Estados Unidos, quer ir.”

A sinalização pública de que uma operação para deter o líder cubano é cogitada amplia a tensão entre dois países separados por menos de 150 quilômetros de mar. Em Havana, o governo tenta conter o impacto de um bloqueio que já dura mais de seis décadas e afeta diretamente importações de combustível, alimentos e insumos médicos. Em 2025, o Produto Interno Bruto cubano registra queda acumulada superior a 10% em relação a 2019, segundo estimativas de organismos regionais.

Organizações humanitárias alertam que o aperto financeiro acelera a deterioração das condições de vida de 11 milhões de cubanos, com filas maiores por alimentos básicos e aumento da migração para países da região. Especialistas em segurança veem risco de que uma eventual ação militar americana provoque reações em cadeia em aliados de Havana, como Venezuela e Nicarágua, e leve o tema ao centro das disputas no Conselho de Segurança da ONU.

Cuba reage e disputa narrativa sobre quem decide o futuro da ilha

A primeira resposta oficial de Havana vem pelo Itamaraty cubano nas Nações Unidas. No X, antigo Twitter, o representante permanente de Cuba na ONU, Ernesto Soberón, contesta diretamente Hegseth. “O futuro de Cuba, um país soberano e independente, corresponde única e exclusivamente ao povo cubano e ao seu governo”, escreve. “O secretário de Defesa, que crê que o futuro de Cuba está em outras mãos, está completamente equivocado.”

O governo cubano ainda não envia nota formal, mas monitora o movimento em Washington enquanto tenta administrar a escassez de combustíveis agravada desde o bloqueio petrolífero de janeiro. As novas sanções de junho atingem ao menos uma dezena de autoridades ligadas ao núcleo duro do regime, restringindo viagens, acesso ao sistema financeiro americano e transações em dólares.

No plano interno, analistas preveem que a ameaça explícita de novas operações militares sirva de argumento para um cerco maior a opositores e críticos. A cúpula de Havana pode apresentar a pressão externa como justificativa para prisões preventivas, restrições a protestos e ampliação da vigilância digital. Para os Estados Unidos, a escalada traz o risco de desgaste internacional, com críticas de países latino-americanos que historicamente se alinham ao discurso de não intervenção.

A CNN pede comentário ao governo de Cuba e aguarda resposta. Diplomatas na ONU dizem que, se o Pentágono avançar na formulação de cenários que incluam a captura do presidente cubano, países próximos a Havana devem pressionar por uma sessão extraordinária do Conselho de Segurança ainda em 2026. Até lá, fica em aberto até onde Trump está disposto a ir e qual o preço político, interno e externo, de transformar uma ameaça em ação concreta.

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