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Economia

Países da Europa orientam população a estocar alimentos e água para emergências

Governos recomendam kits com suprimentos para pelo menos 72 horas diante de riscos de apagões, ataques cibernéticos e interrupções de serviços essenciais.

Países da Europa orientam população a estocar alimentos e água para emergências

Governos de países europeus estão orientando a população a manter reservas de água, alimentos e outros produtos essenciais em casa para enfrentar possíveis situações de emergência. Reino Unido, Alemanha, França, Dinamarca e Noruega estão entre os países que adotaram recomendações para que as famílias consigam passar pelo menos 72 horas sem depender de serviços básicos, como eletricidade, abastecimento de água e comunicação.

As orientações fazem parte de iniciativas de preparação civil diante do aumento das tensões internacionais, dos riscos de ataques cibernéticos e da possibilidade de desastres naturais. A preocupação é garantir que os moradores tenham condições de se manter durante os primeiros dias de uma crise, enquanto as autoridades trabalham para restabelecer os serviços afetados.

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O movimento ganhou força com a estratégia de preparação apresentada pela União Europeia em março de 2025. O plano prevê medidas para aumentar a capacidade de resposta dos países a diferentes ameaças, incluindo conflitos, sabotagens, ataques digitais e eventos climáticos extremos. Apesar das recomendações, as autoridades não anunciaram que exista uma guerra iminente ou uma ameaça específica que justifique o armazenamento imediato de suprimentos.

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Por que países europeus estão recomendando kits de emergência?

Uma das principais preocupações é a vulnerabilidade de serviços essenciais diante de ataques cibernéticos e ações de sabotagem. Sistemas de energia elétrica, abastecimento de água, telecomunicações e transporte podem ser afetados por incidentes que comprometam temporariamente o funcionamento de cidades inteiras.

A guerra entre Rússia e Ucrânia também influencia o debate sobre segurança na Europa. Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, governos europeus passaram a discutir com maior intensidade a proteção de infraestruturas estratégicas e a preparação da população para possíveis crises.

Em reportagem publicada pela Revista Oeste na segunda-feira (2), o jornalista Ivan Kleber, correspondente do veículo na Europa, apontou que existe preocupação com a possibilidade de ataques russos contra instalações essenciais em países que apoiam a Ucrânia.

Segundo o correspondente, o temor envolve principalmente ações cibernéticas ou ataques com drones capazes de atingir estruturas de energia e abastecimento, e não necessariamente uma invasão militar convencional. Trata-se de uma avaliação sobre riscos, e não de uma confirmação de que essas ações estejam sendo planejadas.

Além das questões militares, os governos também consideram situações como enchentes, tempestades, apagões prolongados e falhas nas cadeias de distribuição de alimentos.

O que deve ter no kit de emergência?

As recomendações variam entre os países, mas seguem o mesmo princípio: manter produtos suficientes para atender às necessidades básicas de cada pessoa durante pelo menos três dias.

Entre os principais itens recomendados estão:

– Água potável para consumo e necessidades básicas;
– Alimentos não perecíveis, que não precisem de refrigeração;
– Lanternas e pilhas extras;
– Rádio portátil alimentado por pilhas;
– Carregadores portáteis para celulares;
– Medicamentos de uso contínuo;
– Kit de primeiros socorros;
– Dinheiro em espécie;
– Cópias de documentos importantes;
– Cobertores, roupas e produtos de higiene pessoal.

No Reino Unido, a orientação inclui uma reserva de aproximadamente nove litros de água por pessoa para três dias. A quantidade considera o consumo básico e pode precisar ser ampliada conforme as necessidades de cada família.

Os governos também recomendam atenção especial a crianças, idosos, pessoas que dependem de medicamentos e famílias com animais de estimação.

A proposta não é incentivar compras exageradas ou corridas aos supermercados, mas estimular a organização gradual dos suprimentos, aproveitando as compras habituais e verificando regularmente os prazos de validade.

Reino Unido e França adotam campanhas de preparação

No Reino Unido, o governo lançou a campanha Be Ready, voltada à preparação da população para situações que possam interromper o funcionamento de serviços essenciais.

A iniciativa orienta os moradores a manter água, alimentos e outros produtos básicos em casa, além de conhecer os procedimentos recomendados em casos de falta de energia, problemas nas comunicações ou interrupções no abastecimento.

Na França, as recomendações incluem a preparação de um kit de emergência para 72 horas, com itens como rádio, lanterna, alimentos, medicamentos e documentos.

Alemanha, Dinamarca e Noruega também possuem orientações de proteção civil para situações de crise. Embora os detalhes variem conforme cada país, o objetivo é semelhante: reduzir a dependência imediata dos serviços públicos durante os primeiros momentos de uma emergência.

União Europeia quer população preparada para ficar 72 horas sem serviços

Em 26 de março de 2025, a Comissão Europeia apresentou a Estratégia da União da Preparação, um conjunto de medidas para fortalecer a capacidade de resposta do bloco diante de ameaças e situações de emergência.

O documento reúne 30 ações e estabelece como uma das prioridades a preparação da população para manter autonomia por pelo menos 72 horas.

A estratégia também prevê melhorias nos sistemas de alerta, ações educativas nas escolas, exercícios de preparação para emergências e maior cooperação entre autoridades civis, militares e empresas responsáveis por serviços essenciais.

Outro ponto é o fortalecimento dos estoques de equipamentos e materiais estratégicos, permitindo respostas mais rápidas em situações de crise.

As medidas fazem parte de um planejamento de longo prazo e não significam que todos os países europeus tenham estabelecido uma obrigação legal para que os cidadãos mantenham estoques em casa.

Orientações significam risco de uma nova guerra?

A ampliação das campanhas de preparação ocorre em um período de preocupação com a segurança europeia, mas não representa, por si só, um anúncio de guerra ou a confirmação de um ataque iminente.

Os governos destacam que os mesmos suprimentos utilizados durante situações de conflito também podem ser necessários em desastres naturais, falhas tecnológicas e interrupções inesperadas de serviços públicos.

A recomendação de manter reservas por 72 horas busca garantir que as famílias consigam atender às necessidades mais urgentes enquanto equipes de emergência trabalham para normalizar a situação.

A expectativa é que os países continuem ampliando campanhas de orientação, programas de proteção civil e medidas de segurança para tornar a população menos vulnerável aos efeitos de possíveis crises.