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Mulher passa dois dias à deriva após passeio de jet ski e é resgatada em SP

A jovem Bruna Damaris Sant’anna da Silva, 26, é encontrada viva nesta terça-feira (26) após passar quase dois dias desaparecida no mar em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. Ela some no domingo (24), depois que a moto aquática em que estava com o companheiro afunda durante uma confraternização em um barco nas proximidades da Ilha do Tamanduá.

Resgate em alto-mar encerra busca angustiante

O resgate de Bruna ocorre no início da tarde, em uma área próxima à Ilha do Tamanduá, ponto turístico entre Caraguatatuba e Ilhabela. Pescadores que circulam pela região avistam a jovem à deriva e acionam as equipes que já vasculham o litoral desde a noite de domingo. O Corpo de Bombeiros e o helicóptero Águia, da Polícia Militar, participam da operação até a retirada da vítima da água.

De acordo com o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), Bruna e o companheiro, identificado como Dheorge, saem para um passeio de jet ski por volta das 16h de domingo, nas proximidades da praia de Ponta das Canas. Minutos antes, o casal participa de uma confraternização em um barco. O clima é de lazer até que a moto aquática afunda e os dois desaparecem no mar, em uma área de correnteza forte e grande circulação de embarcações.

Familiares e amigos acionam o socorro quando percebem que o jet ski não retorna ao ponto de origem. Na manhã de segunda-feira (25), uma equipe do Águia sobrevoa a região e identifica parte da moto aquática submersa, o que permite delimitar uma área mais precisa para as buscas. O GBMar encontra também um celular dentro da estrutura da embarcação, com bateria baixa e sem sinal dos ocupantes, reforçando a hipótese de afundamento súbito.

O rastro do jet ski afundado orienta mergulhadores, bombeiros e marinheiros por mais de 24 horas. As buscas se estendem por diferentes pontos do canal entre Ilhabela e Caraguatatuba, em uma área de mar aberto e suscetível a mudanças rápidas de tempo. A confirmação do resgate de Bruna, já na terça, encerra a fase mais dramática da operação, mas mantém em aberto o desfecho do caso, já que Dheorge continua desaparecido.

Quadro de saúde estável e alerta para segurança náutica

Logo após ser retirada do mar, Bruna é levada ao Hospital Municipal Governador Mário Covas Júnior, em Ilhabela, referência no atendimento da região. A prefeitura informa que a jovem passa por exames de controle e avaliação da equipe médica e apresenta quadro clínico estável. “Após a realização dos exames de controle e avaliação da equipe médica, a paciente apresentou evolução estável do quadro clínico, sendo liberada para o Setor de Internação, onde permanecerá em observação”, diz a administração municipal em nota.

O relato oficial aponta que Bruna recebe monitoramento contínuo desde a chegada à unidade. Equipes multiprofissionais se revezam no acompanhamento da paciente, que permanece internada para evitar complicações decorrentes da exposição prolongada ao frio, ao sol e à ingestão eventual de água do mar. A prefeitura afirma que novas informações só serão divulgadas em caso de alteração relevante no quadro, em respeito à privacidade da jovem e à família.

O caso reacende o debate sobre segurança em esportes e passeios náuticos no litoral paulista, especialmente em períodos de maior movimento. A presença de dezenas de embarcações de lazer em áreas como Ponta das Canas e Ilha do Tamanduá é rotina em fins de semana de calor. Normas da Marinha exigem coletes salva-vidas, condutor habilitado e respeito a áreas de navegação, mas a fiscalização nem sempre acompanha o ritmo do turismo.

A Marinha do Brasil informa que vai apurar as circunstâncias do afundamento do jet ski e das condições do passeio. Em nota, o órgão destaca que a mulher é localizada por pescadores que navegavam pela região e recebe assistência imediata das equipes competentes. A corporação também emite um alerta às embarcações que circulam no entorno para que redobrem a atenção e comuniquem qualquer sinal de Dheorge, ainda desaparecido.

Buscas continuam e mantêm região em expectativa

Mesmo com o resgate de Bruna, a operação nas águas do litoral norte continua nesta quarta-feira (27). Equipes do Corpo de Bombeiros, da Marinha e embarcações de apoio expandem o perímetro de busca em direção ao alto-mar, calculando a deriva provocada por correntes e ventos desde o domingo. O objetivo é localizar o companheiro da jovem, que não é visto desde o momento em que o jet ski afunda.

Autoridades tratam as primeiras 72 horas após o desaparecimento como cruciais para um desfecho positivo. A cada novo dia, a operação se torna mais complexa, exige mais recursos e demanda decisões difíceis sobre o tempo de permanência em campo. O resgate de Bruna, ainda com vida após quase dois dias em alto-mar, renova o ânimo das equipes, mas não elimina a urgência.

Moradores, turistas e profissionais do mar acompanham o caso à distância, muitos deles com imagens do resgate circulando em redes sociais e grupos de mensagens. O vídeo que mostra a jovem sendo içada por equipes de salvamento viraliza e ajuda a dimensionar a gravidade da situação. A prefeitura de Ilhabela agradece publicamente a participação de bombeiros, profissionais de saúde, Samu, equipes marítimas e embarcações de apoio, que se somam em uma força-tarefa rara na rotina da região.

Especialistas em segurança náutica ouvidos por reportagens recentes lembram que acidentes com motos aquáticas se tornam mais frequentes à medida que o acesso a esse tipo de lazer se populariza. Erros de avaliação de distância, excesso de confiança, consumo de bebida alcoólica e desconhecimento sobre correntes e ventos entram na lista de fatores de risco. O caso de Bruna e Dheorge tende a fortalecer cobranças por fiscalização mais presente e campanhas educativas específicas para operadores de jet ski.

As próximas horas serão decisivas para o andamento das buscas por Dheorge e para a consolidação da recuperação de Bruna. A Marinha deve ouvir familiares, testemunhas da confraternização em alto-mar e responsáveis pela moto aquática para reconstituir a cronologia do acidente. No litoral norte, a pergunta que persiste, enquanto barcos seguem cruzando o canal em velocidade reduzida, é se o mar ainda vai devolver mais uma resposta para uma história que já expôs, em números concretos e rostos conhecidos, o custo da imprudência sobre as ondas.

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