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Lula lidera entre eleitores de centro; Flávio Bolsonaro aparece em segundo

Lula abre vantagem entre eleitores que se declaram de centro na disputa presidencial de 2026, segundo pesquisa Datafolha feita em 20 e 21 de maio. O presidente marca 29% das intenções de voto, contra 20% de Flávio Bolsonaro, em cenário que reforça a polarização também nesse segmento. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em todo o país e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Centro se inclina ao governo, mas mantém espaço para polarização

O recorte do eleitorado de centro, tradicionalmente disputado por campanhas presidenciais, hoje sinaliza preferência moderada pela continuidade do governo. No mesmo grupo, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o escritor Augusto Cury (Avante), ambos apresentados como nomes de centro, aparecem empatados com 6%. Renan Santos (Missão) registra 5%, e o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), soma 4%.

Os dados ajudam a compor o quadro de forças em um segmento visto como decisivo em eleições recentes. Em 2022, parte expressiva desses eleitores migra para a chamada votação útil na reta final, tanto em direção a Lula quanto a Jair Bolsonaro. O novo levantamento indica que a lógica de polo governista versus polo bolsonarista permanece ativa, agora com Flávio Bolsonaro como herdeiro político do ex-presidente.

A pesquisa mostra ainda que a avaliação do governo segue dividida. A gestão Lula tem hoje 38% de avaliação negativa e 32% de aprovação positiva, segundo o Datafolha. O contraste entre a percepção sobre o governo e a liderança do presidente no centro ajuda a explicar a disputa intensa por esse grupo, que costuma rejeitar discursos mais radicais, mas ainda responde a narrativas de confronto.

O instituto informa que o estudo é feito com recursos próprios e segue metodologia quantitativa, por meio de entrevistas presenciais distribuídas em todo o território nacional. O índice de confiança é de 95%, o que significa que, a cada 100 levantamentos com a mesma metodologia, 95 devem apresentar resultados dentro da margem de erro.

Cálculo eleitoral muda com desempenho no centro

Os percentuais registrados no segmento de centro são observados com atenção por todas as campanhas em gestação para 2026. Uma diferença de nove pontos entre Lula e Flávio Bolsonaro, mesmo dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, indica hoje vantagem consistente do presidente. O patamar de 20% do ex-senador, no entanto, confirma presença relevante e mantém acesa a possibilidade de um segundo turno polarizado.

A presença de nomes como Caiado, Cury, Renan Santos e Zema revela um campo alternativo que tenta se diferenciar tanto do lulismo quanto do bolsonarismo. Partidos que se definem como centristas, como o PSD, avaliam que esse espaço pode crescer à medida que o debate eleitoral avance e eventuais desgastes de governo e oposição se tornem mais visíveis. A soma de candidaturas médias, porém, tende a fragmentar o voto e reduzir a capacidade de um terceiro polo romper a barreira dos dois dígitos no curto prazo.

No entorno de Lula, dirigentes aliados costumam afirmar, em reservado, que o presidente precisa manter folga entre eleitores moderados para compensar resistências em segmentos mais conservadores. Entre apoiadores de Flávio Bolsonaro, a leitura é que o ex-senador ainda é pouco conhecido fora do núcleo bolsonarista e tem espaço para crescer à medida que se apresente como continuador do projeto do pai, porém com tom mais adaptado ao centro urbano.

Analistas políticos ouvidos pela reportagem avaliam que a disputa pela narrativa de moderação será central. “O eleitor de centro não quer ruptura institucional, mas também não quer estagnação econômica”, resume um cientista político que acompanha as pesquisas de opinião. Segundo ele, a forma como Lula e Flávio vão se posicionar em temas como inflação, emprego e segurança pública pode redefinir o mapa do centro até 2026.

Campanhas ajustam estratégias de olho em 2026

Os resultados chegam em fase em que partidos afinam discursos e testam nomes para compor chapas presidenciais. No governo, a expectativa é manter a economia em trajetória de recuperação gradual e tentar reduzir a taxa de reprovação de 38% captada pelo Datafolha. Assessores avaliam que medidas com impacto direto em renda, emprego e crédito podem ter peso maior entre moderados do que embates retóricos com adversários.

No campo bolsonarista, a pesquisa serve como termômetro da capacidade de transferência de capital político de Jair para Flávio Bolsonaro. A consolidação do ex-senador em 20% entre eleitores de centro é vista como sinal de que existe base para construir uma candidatura competitiva, mas ainda frágil frente ao poder de exposição do presidente da República. A forma como a direita vai acomodar outras lideranças, como Zema, também deve influenciar esse equilíbrio.

Os demais pré-candidatos usam o levantamento como mapa de oportunidades e limites. Para Caiado e Cury, o desempenho de 6% indica presença, mas não garantia de viabilidade, em cenário que tende à concentração de votos nos dois polos. Renan Santos e Zema, com 5% e 4%, testam narrativas de renovação e gestão eficiente para atrair um eleitorado cansado da polarização, mas que ainda não enxerga uma alternativa nacional robusta.

Até a oficialização das candidaturas em 2026, novas pesquisas vão medir o fôlego de cada projeto político. O comportamento do eleitorado de centro, que hoje inclina a balança para Lula sem abandonar o campo bolsonarista, segue como ponto de interrogação para partidos e estrategistas. A dúvida que permanece é se esse grupo continuará dividido entre dois polos ou se abrirá espaço, de fato, para um terceiro caminho competitivo nas urnas.

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