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Jovem tem mãos reimplantadas após ataque a foice em Quixeramobim

Uma jovem de 21 anos tem as mãos reimplantadas após ser atacada a golpes de foice pelo ex-namorado e pelo ex-cunhado, nessa sexta-feira (1º), em Quixeramobim, Sertão Central do Ceará. O crime é investigado como tentativa de feminicídio, e os dois suspeitos são presos em flagrante poucas horas depois da agressão.

Ataque brutal mobiliza cidade e autoridades estaduais

O ataque ocorre na manhã de 1º de maio de 2026 e rompe a rotina de Quixeramobim, município de pouco mais de 80 mil habitantes no Sertão Central. A jovem é rendida pelos dois homens e atacada com uma foice; uma das mãos é decepada no local, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS).

Moradores acionam as forças de segurança e o socorro médico. A vítima é levada primeiro para a UPA de Quixeramobim e, em seguida, transferida para o Hospital Regional do Sertão Central. O quadro inspira preocupação imediata, e a equipe médica decide pelo encaminhamento a Fortaleza para cirurgia de reimplante.

No Instituto Doutor José Frota (IJF), maior hospital de trauma do Ceará, cirurgiões realizam o reimplante das mãos ainda na noite de sexta e na madrugada de sábado (2). O delegado responsável pelo caso, Willian Lopes, confirma o procedimento e relata alívio diante da gravidade do ataque. “As mãos foram reimplantadas. Graças a Deus e à equipe médica”, afirma, em vídeo publicado nas redes sociais.

O delegado diz ainda ter recebido apoio da cúpula da Polícia Civil e da Prefeitura de Quixeramobim. “Recebi a informação do meu chefe e do prefeito da cidade, que colocou pessoas à disposição para auxiliar nos trabalhos. Que a justiça seja feita e que restabeleça sua saúde plena”, declara.

Prisão rápida e investigação por tentativa de feminicídio

As buscas pelos agressores começam ainda na tarde de sexta-feira. O primeiro capturado é Evangelista Rocha dos Santos, 34 anos, ex-cunhado da vítima. Ele é localizado em Quixeramobim por equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil. Horas depois, os agentes encontram Ronivaldo Rocha dos Santos, 40 anos, ex-namorado da jovem, no município vizinho de Madalena.

Os dois irmãos são levados para a Delegacia da Polícia Civil de Quixeramobim, onde acabam autuados em flagrante por tentativa de feminicídio. A SSPDS confirma que o caso é tratado como crime de violência de gênero, por ter como alvo uma mulher e estar relacionado a uma relação afetiva anterior.

A prisão tem forte repercussão política. O governador Elmano de Freitas (PT) divulga nas redes sociais o momento em que os suspeitos são algemados e conduzidos pelos policiais. A gravação circula com rapidez em grupos de mensagem e alimenta o debate sobre a escalada da violência contra a mulher no Estado.

A tentativa de feminicídio em Quixeramobim se soma a outros casos recentes de agressões extremas contra mulheres no Ceará, que incluem espancamentos, ameaças de morte e sequestros. O episódio fortalece cobranças por respostas mais ágeis da polícia e do Judiciário, além de fortalecimento da rede de proteção, que envolve delegacias especializadas, centros de referência e abrigos.

Violência de gênero expõe falhas na proteção e exige reação

A brutalidade do ataque, que resulta na perda imediata das mãos e exige cirurgia complexa de reimplante, simboliza o patamar extremo da violência de gênero. Em casos assim, especialistas costumam apontar ciclos anteriores de agressão verbal, controle e ameaças, muitas vezes ignorados ou subnotificados pelas vítimas por medo, dependência econômica ou descrença nas instituições.

O caso de Quixeramobim reacende alertas sobre a eficiência das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006, e sobre a necessidade de resposta rápida a denúncias. A legislação prevê afastamento imediato do agressor, monitoramento e prisão em flagrante em situações de risco, mas muitos casos só chegam às autoridades quando a violência atinge níveis extremos.

A reação do poder público, com a prisão dos suspeitos em poucas horas e a divulgação oficial das imagens, tenta sinalizar que o Estado acompanha de perto o caso e busca punição. Entidades de defesa dos direitos das mulheres, porém, argumentam que a proteção precisa começar muito antes do ato extremo, com políticas de prevenção, educação e acolhimento.

Em Quixeramobim, moradores relatam choque e indignação com o crime. A história da jovem de 21 anos, que luta pela recuperação em Fortaleza, se torna assunto dominante em rádios locais, igrejas e redes sociais. A comunidade acompanha boletins médicos extraoficiais e mensagens de apoio à família, enquanto espera informações mais detalhadas sobre o estado de saúde dela.

Recuperação delicada e pressão por justiça

A fase pós-cirúrgica é decisiva para o sucesso do reimplante das mãos. A jovem permanece internada no IJF, referência em trauma, onde passa por monitoramento rigoroso de circulação sanguínea, risco de infecção e necessidade de novas intervenções. Médicos evitam dar prazos para a reabilitação, que pode se estender por meses e exigir fisioterapia intensa.

No campo criminal, o caso segue para a Justiça após a lavratura do flagrante por tentativa de feminicídio. A tendência é que o Ministério Público denuncie os irmãos Ronivaldo e Evangelista Rocha dos Santos ao Tribunal do Júri, onde crimes dessa natureza costumam ser julgados. A prisão em flagrante já é convertida em preventiva, o que mantém os acusados atrás das grades durante a investigação.

A família da vítima, amigos e moradores de Quixeramobim cobram punição exemplar e medidas concretas de proteção para outras mulheres em situação de risco. Organizações da sociedade civil defendem ampliação das equipes de atendimento psicossocial, maior presença do Estado no Interior e campanhas permanentes de conscientização.

A história dessa jovem de 21 anos, que entra para as estatísticas da violência de gênero e luta para recuperar o uso das mãos, pressiona autoridades a ir além das notas oficiais. A resposta que o Ceará dará a esse caso indicará se o Estado avança no enfrentamento ao feminicídio ou se episódios como o de Quixeramobim seguirão se repetindo.

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