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Franclim banca Barboza contra o Racing em meio a acerto com Palmeiras

Alexander Barboza fica fora da derrota do Botafogo para o Remo neste sábado, 2 de maio de 2026, mas é confirmado por Franclim Carvalho contra o Racing, na quarta-feira. Mesmo em negociações avançadas com o Palmeiras, o zagueiro argentino segue nos planos imediatos do técnico para a Copa Sul-Americana.

Conversa franca em meio à derrota no Nilton Santos

O assunto Barboza domina o pós-jogo no Nilton Santos. Minutos depois de ver o Botafogo perder em casa para o Remo, pela Copa do Brasil, Franclim Carvalho se senta na sala de imprensa e escolhe enfrentar o tema de frente. O treinador confirma que o zagueiro de 29 anos vive tratativas avançadas para trocar o Rio por São Paulo, rumo ao Palmeiras, mas faz questão de demarcar território: até que haja uma definição, conta com o argentino como peça-chave do elenco.

O defensor não aparece nem no banco neste sábado. A ausência, que em um primeiro olhar parece punição ou afastamento preventivo, tem explicação dupla. Publicamente, o Botafogo informa que precisa respeitar o limite de nove estrangeiros por partida, imposto pela CBF, e que a conta, desta vez, deixou Barboza, Santi Rodríguez e Lucas Villalba fora da lista. Internamente, pesa também o momento das negociações com o Palmeiras, que se aproximam do estágio final.

Franclim assume a responsabilidade pela escolha. Ele conta que decidiu não relacionar Barboza já na sexta-feira, depois de uma conversa reservada com o jogador. “O Barboza é um homem e tem que ser tratado como tal. Há assuntos que têm que ser tratados olho no olho”, diz, em tom firme, na entrevista. O técnico relata que expôs o cenário ao zagueiro, ouviu a versão do atleta e selou um acordo de curto prazo: foco total no Botafogo enquanto o martelo não bate.

Na mesma fala, o treinador afasta qualquer suspeita de afastamento velado. “Tive uma conversa com o Barboza ontem, nós sabemos, todos vocês sabem, não vou esconder nada, que há uma possibilidade. Até ontem era só uma possibilidade, hoje não sei porque eu, em dia de jogo, não falo com ninguém sobre nada, só falo do jogo”, afirma. Ele faz questão de detalhar a rotina: mesmo fora da lista, o zagueiro treina normalmente com os não relacionados e, segundo o comandante, estará em campo, se nada mudar, na quarta-feira, contra o Racing, pela Sul-Americana.

Limite de estrangeiros, mercado agitado e impacto na defesa

A situação de Barboza expõe um dilema recorrente nos clubes brasileiros em 2026. Com elencos cada vez mais internacionalizados, o limite de nove estrangeiros por jogo vira quebra-cabeça a cada rodada. No Botafogo, a disputa por vaga na relação atinge diretamente o setor defensivo. Além do argentino, o técnico administra a presença dos uruguaios Santi Rodríguez e Lucas Villalba, também cortados da partida deste sábado pelo mesmo motivo.

O cenário se agrava porque Barboza não é um coadjuvante. Desde que chega ao clube, o zagueiro soma dezenas de partidas em sequência, vira referência de liderança na zaga e ajuda a estabilizar um sistema defensivo que sofre em anos recentes. Sua possível saída, agora em negociação com o Palmeiras, mexe com uma estrutura que ainda busca segurança em jogos mata-mata. A derrota para o Remo, justamente sem ele à disposição, amplia a sensação de fragilidade e alimenta o debate sobre como o time reage sem seu principal beque.

Franclim tenta blindar o vestiário. Nas entrelinhas, sua fala indica temor de que o noticiário sobre mercado contamine o ambiente às vésperas de um jogo decisivo na Sul-Americana. Ao insistir que conta com Barboza na quarta-feira, envia recado duplo: para o jogador, de que ainda é protagonista; para a diretoria, de que não abre mão do zagueiro enquanto não houver substituto à altura. O treinador também reforça o caráter profissional do argentino ao lembrar que ele treina normalmente, mesmo com futuro incerto.

A novela com o Palmeiras extrapola o Botafogo. O clube paulista, que disputa simultaneamente Brasileirão e Copa Libertadores, busca aumentar opções para a defesa ao longo da temporada. Se confirmar a contratação, ganha um zagueiro pronto, acostumado à pressão de jogos grandes e adaptado ao calendário brasileiro. A operação, porém, esbarra no calendário imediato do Botafogo: a diretoria tenta conciliar o interesse financeiro de um negócio importante com a necessidade esportiva de manter a espinha dorsal em torneios eliminatórios.

Quarta-feira, Racing e o equilíbrio entre elenco e mercado

O duelo com o Racing, na próxima quarta-feira, vira ponto de inflexão. O Botafogo joga em casa com a obrigação de reagir após a queda diante do Remo e de somar pontos para seguir vivo na Copa Sul-Americana. A presença de Barboza em campo, como antecipa Franclim, é vista internamente como fator de segurança em jogos de bola aérea e em momentos de pressão. O treinador aposta que, ao trazê-lo de volta imediatamente, reduz o ruído sobre uma possível saída e sinaliza confiança ao elenco.

Os próximos dias serão decisivos também fora das quatro linhas. A diretoria precisa definir até quando segura o zagueiro e em que condições negocia com o Palmeiras, sem comprometer a campanha internacional. A torcida observa com desconfiança um cenário em que um dos líderes do time pode trocar de camisa no meio da temporada, justamente quando a margem de erro é menor. A forma como o Botafogo administra esse caso dará o tom de outras negociações e mostrará se o clube consegue, de fato, equilibrar ambição esportiva e necessidade de caixa em um mercado cada vez mais voraz.

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