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Israel mata chefe militar do Hamas em ataque no norte de Gaza

O exército de Israel mata, em 26 de maio de 2026, Mohammed Odeh, apontado como chefe militar do Hamas, em um ataque no norte da Faixa de Gaza. A operação ocorre em meio à expansão das ações israelenses no Líbano e ao desmantelamento de uma extensa rede de túneis do grupo palestino.

Golpe contra a cúpula militar do Hamas

A confirmação da morte de Odeh aparece primeiro nas redes sociais. Em uma publicação no X, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) anunciam que ele é “eliminado” em um ataque aéreo na região norte de Gaza. O texto o identifica como chefe da ala militar do Hamas após a morte de Izz al-Din al-Haddad, em 15 de maio.

Segundo os militares israelenses, Odeh é o responsável direto pelo planejamento e pela coordenação da infiltração de combatentes do Hamas e pela escolha dos alvos atingidos no massacre de 7 de outubro de 2023. O ataque daquele dia deixa cerca de 1,2 mil mortos em Israel e desencadeia a guerra que arrasta a região há mais de um ano e meio.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu endossa a versão dos militares e afirma que Odeh chefiava a divisão de inteligência do Hamas na época do ataque transfronteiriço de 7 de outubro. De acordo com o premiê, ele assume, há cerca de uma semana, a chefia operacional da ala armada após a morte de Haddad, tornando-se o principal alvo da máquina de segurança israelense.

Fontes próximas ao Hamas ouvidas por agências internacionais evitam confirmar a nomeação de Odeh como novo comandante máximo do braço armado, mas admitem que ele é visto como o sucessor natural na cadeia de comando. Como chefe da inteligência militar, circula entre as instâncias mais altas do grupo e, segundo essas fontes, pode ser o último membro vivo do conselho superior de liderança da ala armada dentro de Gaza.

Até o momento, o Hamas não emite nota oficial sobre a morte de Odeh. A ausência de confirmação pública, porém, não impede que a notícia circule rapidamente em Gaza e em capitais da região, alimentando especulações sobre quem assume o comando militar em um momento de ofensiva israelense em várias frentes.

Operações em múltiplas frentes e impacto em Gaza

O ataque contra Odeh ocorre poucas horas depois de Israel anunciar a ampliação de suas operações terrestres no Líbano, onde enfrenta combatentes do Hezbollah, aliado do Hamas e apoiado pelo Irã. A abertura de mais uma frente de combate reforça a percepção de que o governo Netanyahu aposta em pressão simultânea sobre diferentes grupos armados na região.

No norte de Gaza, os militares israelenses divulgam ter desmantelado cerca de 11 quilômetros de túneis subterrâneos na área de Beit Hanoun, a leste da chamada Linha Amarela. As estruturas, segundo o IDF, formam uma “rede subterrânea” construída sob casas, escolas, edifícios públicos e estradas, usada por combatentes para se deslocar, estocar armamentos e lançar ataques contra civis israelenses e tropas no terreno.

Em outra publicação no X, o exército descreve Beit Hanoun como um “reduto terrorista central” do Hamas. As imagens divulgadas mostram galerias de concreto, pontos de acesso camuflados e cruzamentos subterrâneos, parte do sistema que Israel chama de “metrô do Hamas”. A destruição dessa rede, argumentam militares, dificulta a capacidade de comando, comunicação e fuga dos líderes do grupo.

O custo humano da operação, porém, aparece rapidamente. Autoridades de saúde da Faixa de Gaza, controladas pelo Hamas, informam que ao menos duas pessoas morrem, incluindo uma mulher, e mais de 20 ficam feridas quando um ataque israelense atinge o andar superior de um prédio residencial no bairro de Rimal, na Cidade de Gaza. As informações não podem ser verificadas de forma independente, mas se somam a uma guerra que já deixa dezenas de milhares de mortos palestinos desde 2023, segundo dados locais.

A morte de Odeh é apresentada por Israel como um golpe estratégico. Ao atingir o responsável pela inteligência e pelo planejamento de ataques, o governo israelense tenta reduzir a capacidade do Hamas de coordenar operações complexas, organizar foguetes e infiltrar grupos armados em território israelense. Em termos práticos, a eliminação de quadros de alto escalão obriga o grupo a reposicionar líderes, reconfigurar canais de comunicação e rever rotas de financiamento e logística.

Risco de escalada e incertezas sobre o comando

A operação desta semana se soma a uma sequência de ataques israelenses direcionados à liderança do Hamas dentro e fora da Faixa de Gaza. Em maio, Israel já havia anunciado a morte de Izz al-Din al-Haddad em uma ofensiva anterior. Em paralelo, o governo afirma ter atingido figuras ligadas ao Hezbollah em Beirute, em uma tentativa de conter disparos de foguetes e drones a partir do território libanês.

Para analistas de segurança na região, a eliminação sucessiva de comandantes enfraquece a capacidade organizacional do Hamas, mas não desmonta a estrutura do grupo no curto prazo. A experiência de conflitos anteriores, como as ofensivas de 2014 e 2021, mostra que novas lideranças costumam surgir rapidamente, muitas vezes mais jovens e mais radicais, alimentadas pela destruição em Gaza e pela falta de perspectivas políticas.

A morte de Odeh também afeta os cálculos diplomáticos. Países mediadores, como Egito e Qatar, acompanham o movimento com cautela, diante do risco de que o vácuo de comando reduza a margem para negociações de cessar-fogo ou trocas de prisioneiros. Sem uma liderança clara capaz de assumir compromissos públicos, qualquer avanço político tende a se tornar mais lento e incerto.

Para a população civil de Gaza, o impacto imediato é outro. A intensificação dos ataques, a destruição de túneis e o avanço de tropas em áreas urbanas significam mais deslocamentos forçados, restrição a serviços básicos e pressão adicional sobre hospitais já colapsados. Organizações internacionais alertam desde 2023 para o risco de fome em massa e para o colapso das redes de água e energia no território.

Israel, por sua vez, argumenta que ampliar a ofensiva é a única forma de “neutralizar a ameaça” representada por Hamas e Hezbollah. O governo Netanyahu aposta politicamente na promessa de segurança total após o trauma de 7 de outubro e enfrenta críticas internas sempre que sinais de fragilidade aparecem nas fronteiras.

Com a morte de Mohammed Odeh, o conflito entra em uma nova fase, marcada por um Hamas ferido, mas ainda ativo, e por um Israel disposto a operar em mais de uma frente ao mesmo tempo. A pergunta que se impõe, para moradores da região e chancelerias estrangeiras, é se a escalada militar aproxima algum tipo de solução ou apenas empurra, por mais uma rodada, a possibilidade de um acordo duradouro.

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