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Israel lança maior onda de ataques ao Hezbollah desde cessar-fogo

Israel ataca mais de 100 alvos do Hezbollah no Líbano nesta terça-feira (26), em resposta a lançamentos de drones explosivos contra aldeias israelenses na fronteira. A nova ofensiva amplia o risco de ruptura do frágil cessar-fogo em vigor desde abril.

Escalada após ofensiva com drones

Os ataques israelenses se concentram no Vale do Bekaa e no sul do Líbano, áreas onde o Hezbollah mantém depósitos de armas, centros de comando e estruturas usadas para lançar drones. Em comunicado divulgado pela manhã, as Forças de Defesa de Israel afirmam atingir “depósitos de armas, centros de comando e outras infraestruturas do Hezbollah” nessas regiões.

A ofensiva vem depois de uma série de lançamentos de drones explosivos contra comunidades israelenses na fronteira norte. As IDF relatam novos ataques aéreos na manhã desta terça-feira contra a chamada infraestrutura de drones do grupo. Os militares dizem que os dispositivos cruzam a fronteira em direção a aldeias israelenses, mas não há registro de feridos nas últimas horas.

No Líbano, a Agência Nacional de Notícias informa que um paramédico morre nos ataques mais recentes, sem detalhar o local exato. O Ministério da Saúde registra desde 2 de março um total de 3.020 mortos e 9.273 feridos em ações israelenses em todo o país. Os números incluem civis e combatentes e não recebem confirmação de Israel.

Uma nota anterior do Exército israelense, divulgada na segunda-feira (25), menciona ataques a 70 alvos do Hezbollah, incluindo pontos na cidade costeira de Tiro, no Mediterrâneo. Juntas, as duas ondas somam mais de 170 alvos em pouco mais de 24 horas, a maior sequência desde o início de maio, segundo fontes militares citadas por veículos internacionais.

Cessar-fogo tensionado e pressão dos EUA

As operações ocorrem em meio a um cessar-fogo formalmente em vigor entre Israel e Líbano, prorrogado em 15 de maio por mais 45 dias, segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos. Na prática, a trégua reduz enfrentamentos de grande escala, mas não impede trocas quase diárias de ataques no sul do território libanês e ao longo da fronteira.

O governo americano atua como mediador direto entre israelenses e libaneses e tenta, ao mesmo tempo, costurar um acordo mais amplo com o Irã. Segundo relatos de bastidores, Teerã exige o fim das operações israelenses no Líbano como parte de qualquer entendimento. Washington pressiona Israel a limitar ações ao sul do rio Litani, linha que corta o país de leste a oeste.

Militares israelenses, porém, indicam disposição para ampliar a campanha. Na segunda-feira, uma fonte das IDF diz à CNN que o Exército está pronto para intensificar operações contra a infraestrutura de drones do Hezbollah, em coordenação com os Estados Unidos. A mesma fonte afirma que há pressão interna para retomar ataques seletivos contra líderes do grupo em Beirute, mas que esses planos ainda dependem de aval do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e de seu gabinete.

Desde meados de abril, o conflito no Líbano corre em paralelo ao confronto entre Estados Unidos e Irã, que se enfrentam por meio de aliados e milícias na região. O presidente americano, Donald Trump, anuncia um cessar-fogo em 16 de abril, com o objetivo de conter a escalada. A trégua reduz a intensidade dos combates, sobretudo ao norte do Litani, mas não interrompe ataques aéreos israelenses no sul, justificados por supostas violações do acordo pelo Hezbollah.

O Hezbollah, aliado de Teerã e parte influente da política libanesa, evita divulgar números de baixas entre seus combatentes. O grupo mantém o discurso de resistência armada contra Israel e apresenta os lançamentos de drones como resposta a bombardeios e ocupação de áreas do sul libanês por forças israelenses.

Impacto em civis e risco de guerra maior

Nas regiões fronteiriças, o impacto recai sobre moradores comuns. A maioria das escolas em cidades israelenses próximas ao Líbano permanece fechada, por decisão das autoridades locais, diante da ameaça de drones e foguetes. Famílias se dividem entre manter crianças em casa e buscar abrigo em áreas mais afastadas, em uma rotina marcada por alertas de sirene.

Do lado libanês, vilarejos no sul e áreas agrícolas do Vale do Bekaa vivem sob risco permanente. Desde março, o Ministério da Saúde contabiliza mais de 3.000 mortes ligadas aos ataques israelenses, número que inclui paramédicos, agricultores, moradores de zonas rurais e combatentes do Hezbollah. A destruição de depósitos de armas e instalações militares se mistura à devastação de estradas, casas e infraestrutura básica, o que amplia o custo humanitário.

Israel insiste que os bombardeios têm alvo estritamente militar e afirma demolir o que descreve como “infraestruturas militares do Hezbollah” em áreas do sul do Líbano sob controle de suas tropas. Organizações humanitárias alertam, porém, que qualquer expansão das operações em direção ao norte, inclusive a Beirute, tende a multiplicar o número de deslocados internos e pressionar ainda mais o frágil sistema de saúde libanês.

Desde o início de maio, diplomatas na região descrevem um cenário de escalada gradual. O aumento no uso de drones explosivos pelo Hezbollah, somado à resposta cada vez mais ampla de Israel, empurra o conflito para um ponto de maior imprevisibilidade. Analistas temem que um ataque de grande impacto contra civis, de qualquer um dos lados, rompa de vez o controle atual e abra espaço para uma guerra aberta na fronteira norte de Israel.

Negociações, limites e incertezas

Netanyahu afirma em discursos recentes que Israel “vai intensificar ataques contra o Hezbollah” enquanto persistirem as ameaças vindas do Líbano. O recado se dirige não apenas ao grupo xiita, mas também a Teerã e Washington, que tentam estabelecer linhas vermelhas para a atuação militar israelense. Cada novo bombardeio ao norte do Litani, ainda que pontual, é lido como teste a esses limites.

Negociadores americanos tentam preservar o cessar-fogo vigente, ao mesmo tempo em que buscam um acordo de longo prazo com o Irã que inclua o fim das operações israelenses em solo libanês. A abertura ou não de uma campanha dirigida contra a liderança do Hezbollah em Beirute pode se tornar o divisor de águas entre uma contenção relativa e uma guerra regional mais ampla.

A curto prazo, moradores do sul do Líbano e do norte de Israel seguem entre abrigos e escolas fechadas, enquanto drones e caças cruzam o céu. A contagem diária de mortos e feridos substitui qualquer sensação de estabilidade. O futuro do cessar-fogo, renovado por 45 dias em maio, passa a depender menos do que está assinado no papel e mais de quantos ataques ainda cabem antes que uma das partes decida que a trégua, na prática, já terminou.

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