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Israel amplia ofensiva terrestre contra drones do Hezbollah no sul do Líbano

Israel expande nesta terça-feira (26) operações terrestres além da zona de segurança no sul do Líbano para atacar a infraestrutura de drones do Hezbollah. A ação mira mais de 100 alvos do grupo armado, em meio à escalada de disparos contra comunidades israelenses na fronteira.

Escalada além da Linha Amarela

As tropas israelenses avançam para além da chamada Linha Amarela e cruzam áreas ao norte do rio Litani, região onde evitam operar nas últimas semanas. A mudança de postura rompe, na prática, a contenção adotada a pedido dos Estados Unidos, que tentam mediar um entendimento direto entre Israel e Líbano.

Fontes militares definem a nova fase como uma expansão de operações “direcionadas” contra bases, depósitos e centros de comando vinculados a drones explosivos do Hezbollah. O objetivo, afirmam, é “afastar o perigo” das fronteiras israelenses e “eliminar ameaças diretas” a cidades e vilarejos que vivem há meses sob sirenes e abrigos.

A ofensiva terrestre vem acompanhada de ordens extensas de desocupação para moradores da cidade de Nabatieh e de aldeias vizinhas no sul do Líbano. As Forças de Defesa de Israel (FDI) alertam que qualquer pessoa próxima a agentes ou instalações do Hezbollah “pode estar colocando sua vida em risco”, sinal de que novos bombardeios são esperados nas próximas horas.

Imagens que circulam desde a madrugada mostram ruas inteiras destruídas em padrões que lembram a devastação registrada na Faixa de Gaza desde 2023. Casas reduzidas a escombros, fachadas arrancadas e colunas de fumaça espessa se repetem em bairros antes densamente habitados no eixo entre a fronteira e Nabatieh.

Mudança de cálculo militar e pressão interna

A decisão de ampliar o raio de ação marca um novo capítulo na disputa de baixa intensidade que se arrasta ao longo da fronteira desde o início da guerra em Gaza. Nas últimas semanas, o Hezbollah intensifica o uso de drones carregados com explosivos, combinados com foguetes e artilharia, contra posições israelenses e comunidades civis.

Nesta terça-feira, o grupo xiita afirma ter atacado forças israelenses que avançavam em direção à cidade de Zawtar al-Sharqiya, no sul do Líbano, com drones, foguetes e projéteis de artilharia. O movimento indica que o Hezbollah acompanha de perto o redesenho do campo de batalha e responde à tentativa israelense de empurrar sua infraestrutura mais para o norte.

A Linha Amarela, traçada de leste a oeste a alguns quilômetros ao norte da fronteira internacional, cruza o rio Litani e delimita uma faixa onde, segundo autoridades israelenses, operam grande parte das células de drones do Hezbollah. Estima-se que cerca de 55 cidades e vilarejos ao sul dessa linha estejam hoje sob controle efetivo de Israel.

Até a semana passada, comandantes israelenses evitam cruzar essa demarcação para não enterrar de vez as negociações conduzidas por Washington. O cálculo muda com o aumento dos ataques contra o norte de Israel e a pressão de prefeitos e moradores deslocados, que cobram um retorno seguro às cidades esvaziadas desde outubro de 2023.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu antecipa a guinada na segunda-feira (25), ao afirmar que intensificaria os ataques contra alvos no Líbano. O discurso ecoa demandas de parte de seu gabinete de guerra, que defende ações mais agressivas para criar uma “zona-tampão de fato” livre da presença do Hezbollah em dezenas de quilômetros além da fronteira.

Risco humanitário e impacto regional

O avanço de tropas e o bombardeio de mais de 100 alvos em uma única noite provocam novo ciclo de deslocamento interno no sul do Líbano. Famílias deixam Nabatieh e aldeias rurais às pressas, muitas em carros lotados e com pouca bagagem, dirigindo em direção ao norte em busca de abrigo em casas de parentes ou escolas improvisadas como centros de acolhimento.

Autoridades locais e organizações humanitárias alertam para o risco de um corredor contínuo de destruição entre a fronteira e o rio Litani. A ameaça de demolição sistemática de casas próximas à linha divisória, ventilada por um ministro israelense em dias recentes, alimenta o temor de que vilarejos inteiros se tornem inabitáveis por meses ou anos.

Do lado israelense, comunidades na Galileia vivem entre sirenes e interrupções constantes da rotina. Agricultores relatam campos abandonados desde o aumento dos disparos de foguetes e drones, enquanto escolas permanecem fechadas em zonas consideradas de maior risco. A promessa de “empurrar” o Hezbollah para longe da fronteira é apresentada pelo governo como condição para o retorno seguro de dezenas de milhares de deslocados internos.

A nova escalada ocorre em ambiente diplomático já tenso. Os Estados Unidos, mediadores centrais entre Jerusalém e Beirute, tentam conter uma guerra aberta em duas frentes que poderia envolver outros atores regionais. A ampliação de operações terrestres além da Linha Amarela pressiona Washington a calibrar apoio militar a Israel com o custo político de uma expansão do conflito.

Analistas de segurança na região veem na ofensiva uma tentativa de redesenhar, na prática, o arranjo estabelecido após a guerra de 2006, que previa a presença limitada do Hezbollah ao sul do Litani. Na avaliação desses especialistas, qualquer alteração duradoura desse equilíbrio exigirá não apenas força militar, mas um novo entendimento político com o Líbano e com os aliados do grupo, em especial o Irã.

Próximos passos e incertezas

A tendência, para as próximas semanas, é de manutenção da pressão militar israelense sobre a infraestrutura de drones e foguetes de médio alcance do Hezbollah. Com a ampliação das ordens de desocupação e a destruição de casas próximas à fronteira, a fronteira sul do Líbano caminha para se tornar uma faixa quase deserta, dominada por tropas, escombros e perímetros militares.

Israel sinaliza que só recua quando considerar “neutralizada” a ameaça aos seus povoados no norte, sem estabelecer prazos ou metas públicas verificáveis. O Hezbollah, por sua vez, indica que continuará condicionando qualquer cessar-fogo a um acordo mais amplo que inclua a frente de Gaza. Entre ofensivas aéreas, avanços pontuais em terra e negociações discretas em capitais estrangeiras, permanece aberta a principal questão que assombra a região: até onde cada lado está disposto a ir antes que a fronteira deixe de ser apenas uma linha no mapa e se transforme em uma nova frente de guerra em larga escala?

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