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Inmet emite alerta de geada para 79 municípios do Sul do país

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emite, a partir de 28 de abril de 2026, alerta de geada para 79 municípios da Região Sul. A previsão indica temperaturas próximas de 3°C e risco direto para lavouras, animais e população vulnerável.

Massa de ar polar derruba temperaturas e muda rotina

A nova frente fria chega ao Sul do país acompanhada de uma massa de ar polar que derruba as temperaturas em poucas horas. As mínimas previstas rondam os 3°C em áreas rurais, com possibilidade de marcas ainda menores em baixadas e vales. Em cidades de planalto e serra, moradores já relatam queda acentuada no fim da tarde e início da noite.

O alerta vigora inicialmente a partir desta terça-feira, 28, e segue sob monitoramento contínuo. Meteorologistas acompanham imagens de satélite, estações automáticas e modelos numéricos para ajustar, nas próximas horas, a área de risco e os valores previstos. “As condições são favoráveis para geada em pontos isolados já na madrugada seguinte, avançando para áreas mais amplas se o tempo permanecer limpo e o vento enfraquecer”, afirma um técnico do Inmet, em nota.

Nos 79 municípios sob aviso, prefeituras acionam equipes da Defesa Civil e atualizam planos de contingência para frio intenso. Em regiões agrícolas, cooperativas começam a repassar orientações a produtores sobre proteção de culturas sensíveis. A preocupação maior se concentra em hortaliças, frutas de clima subtropical e pastagens utilizadas para alimentação do gado.

Risco para lavouras, animais e saúde da população

A geada forma uma camada de cristais de gelo sobre o solo e as plantas quando o ar está muito frio e seco, o vento é fraco e o céu permanece limpo. O fenômeno, comum na Região Sul entre o outono e o inverno, pode queimar folhas, flores e brotos, comprometendo a produção de toda a safra. Em anos de frio mais intenso, a perda em determinadas culturas passa de 30% em algumas áreas.

Produtores de hortaliças de folha, como alface e couve, correm para cobrir canteiros com lonas e mantas térmicas improvisadas. Em pequenas propriedades com criação de leite, a ordem é recolher animais mais cedo, reforçar a cama de baias e garantir água limpa, para evitar queda brusca na produção. “Quando a temperatura desce perto de 3°C, o gado sente rápido. Se não estiver bem alimentado e abrigado, o prejuízo aparece no balde já no dia seguinte”, comenta um agrônomo que assessora produtores no interior do Paraná.

O trânsito também entra no radar. Em rodovias de serra e trechos de maior altitude, a formação de gelo fino sobre o asfalto deixa o piso escorregadio e aumenta o risco de acidentes. Concessionárias e órgãos de trânsito planejam reforçar equipes nas madrugadas mais frias, com orientação a motoristas para reduzir velocidade, evitar frenagens bruscas e manter distância do veículo à frente.

Nas cidades, o impacto recai sobre a população em situação de rua, idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas. Hospitais e unidades básicas de saúde se preparam para aumento de atendimentos por crises de asma, bronquite e agravamento de quadros gripais. Em capitais e centros médios, secretarias de assistência social estudam ampliar vagas em abrigos emergenciais e distribuir cobertores para enfrentar as noites mais rigorosas.

Monitoramento pode ampliar alerta e forçar novas medidas

O Inmet mantém, ao longo da semana, monitoramento hora a hora das condições meteorológicas na Região Sul. Se a massa de ar polar permanecer estacionada ou ganhar força, o órgão pode ampliar o raio do alerta para outros municípios ou elevar o nível de risco, o que exige resposta mais rápida dos governos locais. Há também a possibilidade de atualização das temperaturas mínimas previstas, com registros abaixo de 3°C em pontos isolados.

Gestores municipais discutem planos para reforçar a rede de acolhimento e campanhas educativas em rádio, TV e redes sociais. As mensagens incluem recomendações simples, como evitar exposição prolongada ao frio, redobrar cuidado com aquecedores e lareiras e proteger animais domésticos e de criação, garantindo abrigo seco e isolado do vento. No campo, sindicatos rurais e cooperativas avaliam a adoção de medidas emergenciais, como antecipação de colheitas, irrigação noturna em pequenas áreas para reduzir o impacto da geada e reorganização de plantios mais sensíveis.

A experiência de ondas de frio fortes em anos anteriores, com prejuízos milionários para agricultores e sobrecarga em serviços de saúde, orienta agora a tomada de decisão. A diferença, apontam técnicos, está na rapidez da reação. Se a população seguir as orientações e o poder público agir de forma coordenada, a Região Sul atravessa mais um episódio de frio extremo com menos danos. A dúvida é até quando a massa de ar polar permanece sobre o país e se novos episódios de geada voltam a ocorrer já no início do outono.

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