Idosa de 72 anos morre após queda em escada de desembarque da Latam
Uma passageira de 72 anos morre após cair nos últimos degraus da escada de desembarque de um voo da Latam em Congonhas, em São Paulo, no domingo (31). A Polícia Civil trata o caso como morte suspeita e investiga as circunstâncias do acidente.
Queda em Congonhas vira caso de polícia
A viagem começa como uma rota comum no fim de semana e termina em tragédia no aeroporto mais movimentado de São Paulo. A passageira desembarca do voo LA3785, que parte de Ribeirão Preto com destino à capital paulista, e cai já nos últimos degraus da escada externa da aeronave, no Aeroporto de Congonhas. Ela perde os movimentos quase imediatamente, é socorrida no local e acaba morrendo após dias de internação.
O caso entra no radar da Polícia Civil na sexta-feira (29), quando o filho da vítima procura a delegacia para registrar a ocorrência. Ele relata que a mãe cai ao desembarcar do voo da Latam e é levada primeiro para a UPA Jabaquara e, depois, transferida para o Hospital Alemão Oswaldo Cruz. A morte ocorre no domingo (31), segundo o boletim policial. A investigação é aberta como morte suspeita, o que obriga a polícia a ouvir tripulantes, funcionários do aeroporto e familiares, além de requisitar laudos médicos e imagens de câmeras de segurança.
O acidente ganha repercussão imediata nas redes sociais porque um dos passageiros, o humorista e influenciador Júlio Mamute, presencia a queda e registra um vídeo pouco depois. Ele conta que a mulher cai “nos meus pés” e fica imóvel nos últimos três degraus da escada. “Presenciei algo que jamais vou esquecer. A vida é um nada. A vida é um escorregão, um deslize”, diz em um dos trechos do relato.
Relato de influenciador amplia o alcance do caso
O vídeo de pouco mais de um minuto circula no domingo pelas principais plataformas e transforma um acidente de aeroporto em tema de debate público. Júlio descreve que, ao se aproximar, percebe que a passageira ainda respira, mas com dificuldade. “Ela perdeu os movimentos já nos últimos três degraus da escada do desembarque”, afirma. Em seguida, outros passageiros se juntam ao socorro, entre eles pessoas que se identificam como médicas.
O influenciador relata que a ambulância do aeroporto chega rápido. A equipe de atendimento presta os primeiros cuidados ali mesmo na pista, segundo ele, e leva a mulher para a UPA Jabaquara, na zona sul de São Paulo. “A ambulância chegou e ela foi logo atendida, mas ali já estava sem pulso”, conta no vídeo. Durante o trajeto e a permanência na unidade de pronto atendimento, uma funcionária da companhia aérea acompanha a idosa até a chegada dos familiares. Depois, a paciente é transferida para o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, onde não resiste.
A Latam, responsável pelo voo LA3785, divulga nota em que lamenta a morte e afirma seguir os procedimentos previstos. “A LATAM lamenta profundamente o falecimento da passageira e é solidária com seus familiares. A companhia ressalta que segue todos os protocolos previstos para esse tipo de situação, reiterando que adota todas as medidas de segurança possíveis, técnicas e operacionais, para garantir uma viagem segura para todos”, informa a empresa. A Aena, concessionária que administra Congonhas, também manifesta pesar e solidariedade à família ao falar com a CNN Brasil.
O forte tom emocional do relato do humorista ecoa em milhares de comentários. “Faz horas que não consigo parar de pensar como tudo pode acabar em um instante. Venho tentando entender que não temos explicações para algumas coisas. Tudo que temos é o agora”, afirma Júlio, em uma espécie de desabafo sobre a fragilidade da vida. O caso alimenta discussões sobre segurança em escadas de embarque e desembarque, atendimento em pista e responsabilidade de companhias aéreas e operadores de aeroportos.
Pressão por respostas sobre segurança em aeroportos
A morte em Congonhas reacende questionamentos sobre o uso de escadas externas em grandes aeroportos, mesmo em operações rotineiras. Passageiros mais velhos ou com mobilidade reduzida costumam depender de apoio maior nesse tipo de desembarque. No Brasil, não há divulgação sistemática de dados públicos sobre quedas em escadas de aeronaves, mas relatos semelhantes já motivam processos cíveis e criminais em outros estados, inclusive com discussão sobre falhas de orientação e de estrutura.
Advogados ouvidos por especialistas em direito do consumidor em casos parecidos apontam que a definição de responsabilidade costuma depender de detalhes concretos: se a escada estava seca ou escorregadia, se havia corrimão adequado, se o desembarque ocorre com pressa, se há oferta de equipamento alternativo, como finger ou veículo adaptado. A apuração da Polícia Civil agora precisa reconstruir, minuto a minuto, o que acontece na manhã do desembarque do voo LA3785.
O inquérito deve analisar laudos médicos para verificar se alguma condição prévia de saúde contribui para a queda ou para o desfecho da paciente. Também deve buscar eventuais registros feitos por câmeras da pista e coletar depoimentos de tripulantes, funcionários da Latam, agentes da Aena e passageiros. A definição sobre eventual responsabilização criminal ou cível só vem depois dos laudos periciais, o que pode levar meses.
Investigação em curso e dúvidas em aberto
O caso ainda não resulta em medida imediata de restrição a escadas de desembarque em Congonhas, mas aumenta a pressão por revisão de protocolos. Companhias e operadores já vêm sendo cobrados, há pelo menos uma década, por mais fingers, veículos acessíveis e orientação ativa a passageiros idosos. A morte da passageira de 72 anos insere novo episódio em um debate antigo, agora amplificado pelo alcance de um influenciador com centenas de milhares de seguidores.
A Polícia Civil mantém o inquérito aberto como morte suspeita e ainda não divulga prazos para conclusão. A Latam e a Aena afirmam colaborar com as autoridades, enquanto a família aguarda respostas sobre o que acontece nos poucos segundos entre os últimos três degraus da escada e o início do atendimento. A investigação precisa esclarecer se se trata de um acaso trágico ou se alguma falha humana ou estrutural, evitável, contribui para transformar um desembarque de rotina em linha final de uma vida.
