Governo libera R$ 35 bi para máquinas agrícolas e renovação de caminhões
O vice-presidente Geraldo Alckmin anuncia, nesta segunda-feira (8), R$ 35 bilhões em crédito para modernizar a agricultura e renovar a frota de caminhões. O pacote é lançado durante o Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), e oferece juros reduzidos, carência de um ano e prazo de até cinco anos para pagamento.
Crédito farto em meio à pressão por produtividade
O anúncio ocorre em um dos momentos de maior pressão por produtividade no campo e eficiência no transporte de cargas. No oeste da Bahia, região que simboliza o avanço do agronegócio de alta tecnologia, Alckmin detalha dois programas: o “Move Agrícola” e o “Move Caminhões”. Juntos, eles miram o coração da cadeia agroindustrial ao financiar máquinas, equipamentos e veículos pesados em condições consideradas mais brandas que as do mercado.
O “Move Agrícola” prevê R$ 14 bilhões em crédito para tratores, roçadeiras, plantadeiras, colheitadeiras e outros implementos. As operações têm um ano de carência, até cinco anos para quitação e juros em torno de 9% ao ano. Segundo o vice-presidente, a intenção é acelerar a mecanização nas propriedades rurais, especialmente entre produtores que ainda operam com baixa tecnologia. “Lançamos o Move Agrícola para ajudar a mecanização da nossa agricultura”, afirma Alckmin, cercado por empresários, produtores e representantes da indústria de máquinas.
No mesmo palco, o governo apresenta o “Move Caminhões”, voltado à renovação da frota de veículos pesados. O programa soma R$ 21,1 bilhões em crédito, dos quais R$ 2 bilhões vão para caminhões e R$ 19,1 bilhões para implementos rodoviários, como carretas e reboques. A lógica é semelhante: estimular a troca de veículos antigos por modelos mais novos, menos poluentes e com melhor desempenho.
Modernização do campo e das estradas
Alckmin reforça que a redução dos juros do Finame, linha de financiamento do BNDES voltada à compra de máquinas e equipamentos, é um dos pilares do plano. A taxa cai para cerca de 12% ao ano, uma redução de aproximadamente 10 pontos percentuais em relação a patamares anteriores, segundo o vice-presidente. O corte busca destravar investimentos represados por custo financeiro elevado e oferecer previsibilidade a agricultores e transportadores que planejam compras de longo prazo.
O impacto potencial é amplo. No campo, a ampliação da mecanização promete elevar a produtividade por hectare, reduzir perdas na colheita e diminuir a dependência de mão de obra em momentos de pico. Em regiões como o Matopiba, que inclui o oeste baiano, grandes áreas ainda avançam em ritmo acelerado de abertura e consolidam-se como polos exportadores de grãos. O acesso a tratores mais potentes e colheitadeiras modernas pode encurtar o ciclo entre plantio e comercialização, além de permitir melhor manejo do solo e uso mais racional de insumos.
Nas estradas, a renovação da frota tende a se traduzir em consumo menor de combustível, menos emissões e maior segurança viária. Caminhões envelhecidos concentram boa parte dos acidentes graves em rodovias federais e estaduais, segundo dados recorrentes de órgãos de trânsito. Ao incentivar a troca por veículos novos, o governo aposta em ganhos de eficiência logística, com menos paradas por manutenção, maior confiabilidade no frete e redução de custos operacionais para transportadoras e autônomos.
O vice-presidente lembra que a primeira edição do programa voltado a caminhões, lançada anteriormente, é considerada bem-sucedida pelo governo. A nova rodada amplia o alcance e procura atender uma demanda reprimida em segmentos que ainda circulam com veículos acima de 15 ou 20 anos de uso. A expectativa é que o crédito irrigue também a indústria de implementos rodoviários, que depende diretamente do ritmo de renovação da frota.
Quem ganha, o que pode mudar e os próximos passos
Os principais beneficiados são agricultores de médio porte, cooperativas, transportadoras e caminhoneiros que conseguem oferecer garantias mínimas para acessar o financiamento. Para o setor de máquinas agrícolas, o pacote representa fôlego em um momento de custos elevados e incerteza em relação à demanda global por grãos. Fabricantes de tratores, colheitadeiras e equipamentos de apoio enxergam espaço para reforçar linhas de produção e retomar investimentos em inovação.
No transporte, empresas de logística e produtores rurais que operam frotas próprias podem enxugar despesas e ganhar competitividade no escoamento da safra, tanto para o mercado interno quanto para exportação. Uma frota mais moderna tende a reduzir o tempo de viagem e as quebras no percurso, o que diminui prejuízos com cargas perecíveis e melhora a confiabilidade dos prazos de entrega. A promessa de avanços em segurança e sustentabilidade, com menor emissão de gases poluentes, se torna argumento adicional para a adesão ao programa.
Os desafios, porém, seguem presentes. Pequenos produtores e caminhoneiros autônomos com histórico de endividamento ou baixa capacidade de comprovar renda podem ter dificuldade para se enquadrar nas linhas de crédito, mesmo com juros menores. Parte do sucesso dos programas depende da articulação entre bancos públicos, cooperativas de crédito e agentes privados para desenhar operações compatíveis com a realidade de quem está na ponta.
O governo aposta que a combinação de carência de um ano, prazos de até cinco anos e juros reduzidos é suficiente para destravar o apetite por investimento. Ao escolher o Bahia Farm Show como palco, Alckmin fala diretamente a um público que sente no dia a dia os gargalos de mecanização e logística. Os próximos meses vão mostrar se os R$ 35 bilhões prometidos se convertem em tratores no campo e caminhões nas estradas ou se parte desse crédito permanece no papel, à espera de um ambiente econômico ainda mais favorável.
